sábado, 11 de dezembro de 2010

Não quero que meu filho seja igual a mim.


Definitivamente não quero que meu filho seja igual a mim. Quero que ele seja mais um no rebanho, viver assim é mais fácil. Por isso eu nunca o incentivo a pensar ou agir como eu ajo. E definitivamente hoje sei que não somos mesmo parecidos, apenas na parte física não tenho como negar, parece muito comigo: mesmo cabelo, mesmos olhos, rosto cheinho... Mas sua personalidade é extremamente diferente da minha, e isso é bom. Eu desde muito criança nunca gostei de brincar com outras criança; ele não consegue ficar sozinho, precisa sempre de alguém para brincar. Eu era completamente anti-social, e ele é extremamente sociável. Eu falo pouco (apesar de escrever muito), ele fala até demais. Mas o principal fator: nunca gostei de disputas: jogos de bola ou tabuleiro. Ele me pediu um jogo, um simples jogo e eu fui ver quanto custava sem saber do que se tratava. O jogo é caro, então terei de fazer um"rateio" para comprá-lo, mas eu o darei. Esse jogo trata-se de uma construção de cidade, a partir de cartas e outras coisas, que você tem que construir derrotando o seu adversário. Quem conseguir construir a maior cidade, com mais bancos, lojas e casas ganha. Fiquei abismada com a "função" de um mero jogo de crianças: estimulá-las a se inserir nesse contexto capitalista. Ele já tem aquele tal de banco imobiliário que eu abomino, mas quero que ele cresça já se sentindo parte da máquina. Não posso desejar a uma criatura que coloquei no mundo que seja sofredora e revoltada como a mãe. Já basta eu ser o desgosto de minha mãe e de quem mais pode pensar em mim como uma derrotada.

A inteligência que se estimula hoje não é o profundo conhecimento das áreas humanas, e sim o conhecimento superficial e concordante com o capital vigente. Não é à toa que inauguraram a Usp leste apenas com cursos para formar mão de obra para o mercado. Eu tive que estudar lá no fim do mundo para aprender o pouco que sei hoje, coisas que me reinforçaram o pensamento subjacente. Espero que meu filho siga essa área técnica e que seja feliz em um emprego técnico e pense tecnicamente e não filosoficamente. Acho que as frustrações são inevitáveis a todos os seres humanos, mas a frustração de não poder comprar um carro melhore é muito mais fácil de superar do que a frustração de existir e não ser nada, ou não querer ser nada, não querer ser parte.