segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Super Ação

Superar significa fazer esforços homéricos para enfrentarmos os problemas do dia a dia e de nossas própria angústias. A super ação envolve principalmente o reconhecimento de suas fraquezas e a tentativa de transformação. Não é nada nem um pouco fácil. É preciso muito labor mental, muita coragem e principalmente perseverança. 

As palavras "esperança", "fé"e "destino" estão fora de meu vocabulário há anos. Não conto com nenhum tipo de força irreal, da qual não depende de nós mesmos. Por isso o meu mundo é um mundo egocêntrico, tudo está em minhas mãos. Deus não existe, logo não se pode contar com essa ajuda onipotente. É preciso que o homem observe em si mesmo suas capacidades, vontades e as transforme em potência e ação.  Vontade sem ação é apenas sonho. Capacidade sem luta é apenas um tesouro escondido no fundo do mar.

E quando falo em crenças, não apenas incluo a questão espiritual, mas também as crenças arraigadas em nós, nossos paradigmas, nossa visão das coisas, nosso modo de pensar. Pois toda história tem mais de uma versão. Nisso é também possível afirmar que não existem verdades absolutas, apenas fatos concretos que são interpretados por diferentes óticas.

É, para mim, tão nítida a visão de que existe uma desproporção enorme entre as aspirações individuais e a condição do mundo! Isso pude conferir durante a minha trajetória individual. cresci educada por minha avó e mãe que sempre me incentivaram a estudar muito para ser alguém produtivo. Eu consegui cumprir minha parte, mas as expectativas que tinha em relação à profissão que escolhi são muito diferentes do que esperei. Estudei muito sim, fiz sacrifícios e hoje me sinto inútil perante esse sistema que só procura mão de obra técnica. Onde ficam os humanistas? aqueles que estudaram tanto filosofia, história e literatura? A eles resta um emprego lixo em escolas degradadas. Nunca quis prestar concurso porque sempre tive ideia do que é trabalhar como professor público, não é nada agradável.

O meu niilismo não é covardia, não é fuga e nem a ruína de todos os meus valores. É uma condição psicológica em consequência do declínio moral, ético e filosófico da sociedade contemporânea. Não é uma escolha aleatória e sim fundamentada, um posicionamento. A total ausência de sentido que poderia explicar o mundo, as ações humanas e a validade da vida. Eis aqui um breve resumo de minha posição de pensamento.

Talvez Freud explicaria o niilismo como uma pulsão de morte, de aniquilamento do Eu, algo natural no ser humano e mais aflorado em alguns casos. Nietzsche explicou o niilismo como a tentativa de criar um sentido à existência, por isso criou o seu super-homem, aquele que nega os valores estabelecidos e, a partir de uma filosofia misantrópica, criar o seu próprio sentido.

Em suma, apesar de todo o pessimismo, o conhecimento da realidade injusta, do não-sentido das coisas,  da falta de fé e esperança, venho lutando contra minhas limitações, mas não quero me corromper, não quero vender minha alma a alguma instituição que não leva a sério o verdadeiro conhecimento, que tem várias facetas e muitas ainda não explicadas. Não quero me limitar a interpretação de um mundo pré-concebida por historiadores, contadores de história e nem por alguma religião, por esse motivo vivo em um impasse transtornador. Não quero ser política, guardar os meus sentimentos em prol da ganância estúpida de certas escolas que precisam formar apenas mão de obra não pensante, apenas executadores de tarefas árduas. O que fazer para superar meu dilema?