quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Vórtice


Nossos pensamentos giram arrebatadoramente em torno de nossos egos. As pulsões, vontades, desejos e sentimentos descontrolados geram um caos mental que não se sabe ou não se pode controlar. Ondas gigantenscas de hormônios descontrolados, substâncias químicas, ondas nervosas deixam-nos transtornados, desolados e desamparados. Machado de Assis não chegou a inventar o tal emplastro Brás Cubas, esse seria o nosso remédio! Livre de angústias, de tristeza, dor e melancolia.

Quem nunca tomou sertralina, fluoxetina, paroxetina entre outros fármacos que nos promete um mundo novo de realizações e esperanças? Em vão! Com um terremoto dentro da mente o máximo que se pode conseguir de tais drogas é a estabilização do humor. E marsmo, muito marasmo, tédio, cansaço e sono. 

A vontade de viver, de realizar sonhos, de construir algo vai além da química cerebral, e digo isso com propriedade no assunto. Não sei se nascemos assim, já cansados de uma vida previsível e chata, ou se nossas experiências nos torna apáticos, niilistas em busca da misantropia e do silêncio absoluto. Genética? Experiências? Abas as coisas?

Basta uma simples acelerada de um carro ma porta de casa para desencadear um vórtice cerebral. Uma vontade imensa de fugir desse tissunami todo. Basta a campainha tocar ou o telefone anunciar que alguém quer falar conosco. Isso basta para uma explosão de sentimentos negativos surgirem e uma vontade imensa de fugir.

A poesia, a ficção, as teorias têm sido minhas companheiras fiéis durante períodos de intenso sofrimento. Egoísmo? É tão simples traduzir todo esse turbilhão em apenas uma palavra! Queria saber se egoísmo é uma doença curável e qual o remédio para ela. Não adianta arrumar atividades, fazemos tudo de mau grado quando não estamos bem conosco. Até uma viagem maravilhosa não cura a desgraceira! O que basta é tentar fugir ao máximo da vida social. Isolamento, auto-flagelação, mágoas, tristezas ficam permanentemente pairando sobre o ar. Uma vida cheia de trabalho? Sim, já vivi uma vida louca e não foi a cura. Já cuidei de pessoas doentes e não foi a cura. Estou só! Nem Freud entenderia, quem dirá seres humanos cheios de julgamentos nos olhos e nos corações!