domingo, 9 de janeiro de 2011

Linhas soltas


Um sorriso, a embalagem de mil desventuras
de angústias, insônia e repulsa.
Um ódio reprimido em olhos cheios d'agua
que cai pela face mas não lava a alma.
Um estômago afetado pelas úlceras dos venenos de cada dia,
pelas drogas de cada noite mal dormida.
Quem fita de longe o horizonte tem a impressão
de que a terra é imensa, de que o mar é infinito;
mas o universo está muito além do que se pode enxergar, é sempre uma grande incógnita.
O rubor da face envenenada de inveja, injustiça e má sorte...
Que se pode fazer quando não se tem vontade de fazer?
Que se pode esperar de um cadáver? apenas a podridão e a fedentina!
Não encare fundo nesses olhos sujos e cinza, lá dentro há apenas o vazio
o nada da existência que nunca prometeu nada, mas que sempre deixa no ar
uma expectativa que logo se frustra
E a rosa da mais bela rainha há de murchar, virar folha seca e voltar para o pó.
O que resta da vida senão o pó? O que se pode esperar da vida que não seja o pó?
Luxo, luxúria, lixo? Nada disso! apenas a hora certa esperar da vida
A hora de criar e a hora de morrer, no meio disso tudo um vasto frio
uma sensação de purgatório ou de inferno, um deserto escaldante que se transforma em Sibéria
Desertos e mais desertos.
Que esperar da vida além da cova rasa? Um caixão e velas pretas?
esperar que todos apareçam no enterro da última quimera?
somente o desprezo acompanhará este velório, tenhais certeza de teu destino, flor do lodo
Escárnio dos escarnecidos, chaga dos leprosos, maldição da boca maldita!
Que venha esse destino misterioso e vago, cujo sentido é preciso criar, e que de tanto criar um dia o castelo de areia desmorona.
Espero em silêncio a minha hora de glória, aquela em que meus olhos não mais poderão fitar os meigos rostos que um dia amei, nem olhar nos olhos daqueles que odiei.