terça-feira, 6 de setembro de 2011

do nada ao nada

É difícil admitir a inutilidade da própria existência, a fragilidade da matéria carnal, a maldição da cabeça pensante, por isso criam-se deuses, demônios e conceitos fantásticos sobre o além-vida. Olhar para si mesmo e assumir a plena responsabilidade de não ser nada, nuca querer ser nada e habitar uma janela de um dos milhões de quartos do mundo é um conhecimento aniquilador. Quem assume o niilismo, a falta de perspectiva, o vazio, o nada, carrega em suas costas um fardo muito mais pesado do que qualquer ser que prega o contrário. Crer na possibilidade de uma vida infinita para mim seria um castigo amargo, uma piada cujo humor negro me traz à boca uma ânsia amarga, uma repulsa indescritível.

Li uma vez em algum lugar que a morte não era o contrário da vida, mas a sim do nascimento, ou seja, a vida não tem oposto. a vida é eterna. Pensei comigo, poxa se deus existisse mesmo e se eu fosse eterna, eu teria que inventar uma forma para escapar dessa prisão de vida eterna, que coisa mais horripilante de se pensar! Mas confesso que fiquei com uma pulga atrás da orelha... Confesso que realmente nascimento e morte são opostos mesmo, mas ambos são do nada ao nada... que conceito mais sublime existe do que o nada? Nada!