sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Nosso Purgatório de cada dia

A vida sorri para quem sorri para a vida. Isso nunca foi meu caso, nunca será. Mas é fato que as pessoas, todas elas (exceto aquelas que, por algum motivo deram sorte em todos os setores possíveis) passam por provações, tormentos, tempestades... alguns por suas limitações físicas; outros por seu alvoroço mental e outras por ambos.

Isso sem contar questões afetivas, financeiras, familiares, entre outras. O que
 muda de uma pessoa para outra é apenas o olhar. como olha para a mesma ferida? Como Filotectes que, ao ver suas feridas na praia deserta, onde fora deixado após a guerra, apenas lamenta e se revolta contra seu drama? Como Sísifo, que tem o dever de eternamente levar sua pedra morro acima, sem poder desistir, mesmo sofrendo as dores e desesperança completa? como Édipo, que aceita sua sentença, pois mesmo tendo errado por engano, crê que os deuses estão certos ao implacavelmente castigá-lo, ficando, desta forma, velho, cego e cheio de dores na alma? Ou levar toda essa trágédia para o âmbito da catarse?



Limpar-se, livrar-se, aprender pela dor? É uma escolha. já fui Filotectes por muito tempo, e ainda tenho crises "filotecteanas" algumas vezes, inúmeras vezes; mas quando olho ao meu redor, vejo que não estou só. Eu só estou na solidão do meu próprio sofrimento. 



Quem aparentemente não sofre, é certamente um bom fingidor, um bom poeta da vida. Estamos todos unidos pela carne, pelo sangue e pela dor, eis o Purgatório.