terça-feira, 2 de outubro de 2012

Doentes

Somos os homens ocos, já dizia T.S. Eliot. Mas ocos não por não carregar nada no elmo, somos ocos porque, mesmo com todas as nossas experiências, com nossos trabalhos, nossas religiões, nossas crenças entre outras coisas, somos seres vazios em busca de completude. Sempre em busca, e cada dia mais vazios. Quanto mais buscamos o tesouro, a pedra filosofal, a busca da alquimia perfeita, a transformação de qualquer metal em ouro, nunca estamos satisfeitos. E por que ainda assim insistimos em tentar preencher esse vazio existencial?

Seja com leituras, com sapatos, com carros importados, fama ou dinheiro, diplomas e reconhecimento profissional, sentimo-nos por alguns instantes contentes e no momento seguinte tudo parece vazio novamente. É como a fábula do burro que corre atrás da cenoura pendurada em uma corda. Mesmo que de vez em quando conseguimos dar uma mordiscada, ainda queremos mais e mais.  que significa esse vazio?

Algumas pessoas vivem em busca de coisas novas, em busca do perfeito preenchimento. Assim, elas planejam mil coisas, trabalham, estudam, gastam, mas nunca estão satisfeitas. A cada desejo que conseguimos satisfazer, milhares de outros pairam sobre nossas cabeças. Outras pessoas, assim como eu, enxergam apenas a inutilidade de tudo isso. Eu não vejo graça nenhuma em planejar, em ganhar, em conquistar ou concorrer e ganhar. Já passei por isso e nunca vi graça alguma, um desejo de sumir foi o que sempre me acompanhou em cada "conquista" que alcancei. Não acho respostas para tal enigma. Já cansei de ler, cansei de buscar a resposta, mas vejo que não há. Tudo é um grande mistério. Estamos aqui nesse mundo apenas para procriar e morrer? Por isso nosso instinto de vida persiste em nos sobrecarregar de coisas a fazer, coisas a conquistar? Não sei responder. Não acredito em deus e nem em vida após a morte. Se acreditasse, teria milhões de respostas diferentes de inúmeras religiões. Apenas carrego a pedra morro acima, todos os dias, para que ela despenque de lá durante a noite, sem ter sentido algum.