quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Narcisismo, palavra derivada do personagem mitológico que se afoga ao admirar sua própria imagem. Símbolo do extremo egoísmo; tipo psicológico definido por ninguém menos que Sigmund Freud. Eis que o sistema capitalista nos moldes em que o conhecemos hoje, em 2012, aproveita-se dessa característica humana para cada vez mais gerar lucro impensado. Lucro oriundo de trabalho escravo, de degeneração e degradação da natureza e do planeta. Nos moldes em que vivemos, temos a falsa impressão de sermos livres, pois podemos escolher entre marcas de produtos diferentes, podemos escolher financiar um carro, podemos escolher estudar uma língua estrangeira, trabalhamos e ainda por cima recebemos! Fim da escravidão! Liberdade plena. Quem vive sob esses preceitos é feliz. Não questionar o verdadeiro sentido da liberdade é uma grande vantagem, pois dessa forma, evita-se sofrer por algo que jamais um indivíduo ou alguns poucos indivíduos, e até diria muitos indivíduos conseguiriam derrubar.

Propus-me a falar de forma rápida sobre o narcisismo, e não sobre a liberdade, embora ambos os temas sejam ligados de forma incontestável. Nos tempos atuais, todos querem impor a sua identidade, suas ideias (se é que existem ideias inéditas, mas existem algumas vertentes de pensamentos a serem escolhidos), impor sua presença, seu estilo próprio e único, sua grandeza, e, em alguns casos extremos, as pessoas almejam brilhar como grandes celebridades, como estrelas da música ou do cinema, e para isso, não economizam preceitos morais ou ética alguma. 

Todos nós nos olhamos no espelho e, em algum instante da vida, pensamos que somos únicos, e realmente somos. No entanto, o que vale essa unidade no meio do mar de muitos? Que ninguém é insubstituível, isso já é ditado mais antigo dos tempos de minha avó. Entretanto, vivemos nesse eterno conflito entre o nosso EU narcísico e as ondas do mar que nos engolem. Ser egocêntrico, particularista, hedonista entre outros adjetivos, o comportamento narcísico faz com que se negligencie tanto o passado e o futuro. O que rege a vida dessas pessoas é o princípio do prazer, e além desse princípio, algo muito mais forte que beira a megalomania: não há barreiras para que se possa impedir a busca do "sucesso" desse indivíduo, nem mesmo a morte, mesmo que simbólica, do outro.

O narcísico precisa de idólatras, e muitos servem a esse propósito, essas pessoas são aquelas vazias de sentido que veem no narciso um símbolo de algo maior. Algo que possa, de certa forma, preencher suas vidas monótonas.

O narcisista está sempre envolvido em eventos sociais "causando" todo tipo de impressão. Ele não se importa se o que ele "causa" é bom ou ruim, o importante é que ele se sinta o centro das atenções. Ele inventa mil e um feitos, exagera suas pretensas qualidades, denigre a imagem daqueles a quem possa ameaçá-lo. Enfim, o presente texto tomaria proporções muito maiores se eu fosse descrever todas as facetas do narciso, se fosse buscar as origem de tal comportamento e se propusesse alguma forma para lidar com tais personalidades. Esse tema será explorado mais afrente em um artigo que pretendo escrever.

Abraços Fraternos