domingo, 28 de dezembro de 2008

Sobre o poder que concedo aos outros

Quem concede aos outros o poder de fazer-me sofrer sou eu mesma. Ninguém nada pode contra mim, a não ser sob a minha permissão. às vezes observo as pessoas reclamando umas das outras, culpando umas as outras pelos seus sofrimentos. Não pode haver no mundo maior tolice do que esta. O que o outro faz contra mim é sempre o que eu o permito fazer. Ningém pode ferir a minha moral se eu não consentir. O grande filósofo Sócrates, em consequência de suas constantes disputas, foi amiúde maltratado, o que ele suportava com serenidade. Quando, certa vez, recebeu um chute, aceitou-o com paciência e disse para uma pessoa que ficou atônita com o fato: "Se um asno me desse um coice, iria eu incriminá-lo?" Outra vez, quando alguém lhe perguntou: "Essa homem não te insulta e difama?", a sua resposta foi: "Não, pois o que ele diz não se aplica a mim." Da esma forma, não me permito sentir-me humilhada, ofendida, desprezada, depreciada. A verdadeira liberdade de espírito consiste em total desapego com as coisas, em um estágio avançado de indiferença perante todas as coisas possíveis. Obviamente não estou aqui pregando o desprezo aos seres que amamos e que de nós dependem, prego apenas o desprezo aos desprezíveis, aos seres que tentam de qualquer forma nos ferir. O melhor a fazer e manter-se distante de todos que, porventura, nos façam sentir mal. Devemos nos manter longe de línguas cujo veneno pode nos afetar. Matermo-nos longe de quem nos quer prejudicar. Dedicar todo o sentimento bom àqueles que fazem jus, sem nunca esperar nada em troca. Tenho uma convicção que comigo caminha todos os dias: É melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la. É impossível passar pela vida sem sermos acomedidos por algumas injustiças. Essa convicção surgiu em mim após um ato injusto que cometi contra uma criatura que não merecia. O peso que carregarei comigo será eterno... por isso hoje eu olho para tudo que já passei nas mãos das pessoas e penso que nada me faz sofrer tanto quanto aquele ato que um dia eu cometi.