segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Anos 20



Anos dourados, anos 20, 30 e 40. O capitalismo estava prestes a se instaurar em nossa sociedade, houve caos, guerras, revoluções... Mas minha avó, que era dessa época, tinha sonhos e esperanças. Tinha seus amores, seus ídolos, suas fantasias. Ia ao baile esperar que um rapazola a tirasse para dançar. Ouvia as notícias no rádio e lia romances no jornal. Trabalhava na Alpargatas, tinha apenas dois pares de sapatos, um deles de plástico para poder andar muito e chegar ao trabalho. O outro para poder sair. Uma vida simples, banal, mas cheia de esperanças: de um mundo melhor, de uma família bonita, de uma casa própria, um lar onde pudesse fazer as refeições na mesa junto de seus filhos e marido. Anos que apenas nos deixaram fotos velhas e história mal contada. 

Hoje, após Hitler e a bomba atômica, a massificação de pensamentos pela mídia auto-reproduzível, pelos vídeo-games cujo objetivo é matar cada vez mais, nossos sonhos são utopia, ou nem mesmo temos sonhos e não mais existem utopias. Somos os homens ocos com o elmo cheio de nada, como previa T.S. Elliot. 

Nosso tempo roubou as filosofias de Kant, Hegel e Nietzsche e as transformou em mercadoria. Nosso tempo pegou nossos sonhos e os transformou em marcas, pegou os sonhos de nossas crianças e transformou em Mac Lanche Feliz. A televisão desuniu os jantares familiares - a jovem assiste ao programa da moda, o menino assiste Cartoon Network, a mãe assiste a novela e o pai reclama a conta de luz que cada um desses aparelhos está gastando e assiste na sala ao seu futebol decadente. 

Quando não é assim, a mãe sai para trabalhar e o filho mais velho toma conta da casa. Quando ela chega exausta do trabalho, os filhos se bateram, se xingaram e não fizeram a lição de casa. Quando é diferente, a mãe leva os filhos para a creche onde serão mal-tratados pelos professores que estão de saco cheio de tudo, pelos colegas que estão fervorosos por sangue, pelos diretores que ignoram toda essa violência. 

Nos anos vinte os meninos e meninas desobedientes ajoelhavam no milho, e isso era uma humilhação tremenda. Os pais se uniram para acabar com o poder da escola sobre os corpos das crianças. Com o tempo a corda foi se afrouxando até que chegou-se ao ponto de alunos baterem em professores. Alunos bons são vítimas de bullying. Alunos mau-caráter são pessoas respeitadas.

E o mundo lá fora não ficou diferente do mundo em casa ou do mundo na escola. A polícia não tem poder sobre os mais fortes, apenas sobre os mais fracos, aqueles que roubam uma peça de carne no supermercado... A política é a metáfora do diretor omisso que desvia dinheiro para algum lugar muito muito distante de nossas vistas. E o mundo pós-moderno vai deixando suas vítimas cada dia mais doentes e mais entediadas.

sábado, 25 de setembro de 2010

Ciclo



Ao nascer (geralmente) somos paparicados, alimentados na boca,  recebemos amor e carinho e trocam nossas fraldas. Aos cinco anos, somos bombardeados por informações. Aos sete questionamos, aos quatorze nos revoltamos contra o mundo. Aos vinte queremos fazer parte. Aos vinte e cinco, se não dermos certo em nada, somos fracassados. Aos trinta devemos ter estabilidade ou somos fracassados. Aos quarenta temos de conseguir muitos patrimônios ou seremos 2 vezes mais fracassados. Aos cinquenta, temos de ter tudo que a sociedade impõe: patrimônio, matrimônio, filhos, netos e estabilidade. Se nada disso for realidade, somos triplamente fracassados. Aos sessenta já teremos enterrado muitos de nossos parentes e nossos amigos. Nosso matrimônio e patrimônio não são mais tão essenciais. O que conta agora é um mínimo de sanidade. Um deslize e será taxado louco, velho esclerosado. Aos setenta, basta ter dinheiro para um caixão e um pedaço de terra para deixar seu corpo que, mais cedo ou mais tarde se tornará um cadáver. Não serás mais julgado fracassado, pois a maioria das pessoas que lhe julgaram assim já morreram ou já não têm mais memória.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Republicação

Jamais devemos nos importar com a opinião alheia! Pois o que você representa para o outro nunca corresponde àquilo que você realmente é. Além disso, as pessoas tendem a fazer falsos julgamentos, pois suas cabeças são limitadas e não existe uma visão do todo. Segundo Schopenhauer, nos tornamos cada vez mais indiferentes quando alcançamos um conhecimento da superficialidade e da futilidade dos pensamentos, da limitação dos conceitos, da pequenez dos sentimentos, da absurdez das opiniões e do número de erros na maioria das cabeças. O que realmente importa é o julgamento que tens de ti mesmo. Como o filosofo mencionado diz, atribuir valor à opinião dos homens é prestar-lhes demasiada honra. Apesar dessas colocações, não podemos esquecer a posição que cada um de nós ocupa no espaço social. A opinião alheia passa a ser importante quando dependemos dela para a nossa "sobrevivência" na vida em sociedade. Como já mencionado em alguns escritos anteriores, a interdependência que nos une (e deveras nos separa) é uma questão importante a ser colocada: uma vez que, no estado civilizado, devemos a nossa carreira, as nossas posses e segurança à sociedade, logo a confiança dos outros para conosco nos é extremamete necessária para que haja relações recíprocas; então a opinião dos outros sobre nós, nesse sentido, é de alto valor, ainda que tal opinião seja errônea ou parcial. Lembremos que, para os outros, somos aquilo que "parecemos ser"; vivemos em uma sociedade de meras aparências, ademais, os outros tendem a ver nas pessoas os seus próprios erros e defeitos e aumentá-los com uma lupa muito potente! Devemos, pois, aparentar ser aquilo que nos convém. Apenas dessa maneira poderemo garantir a nossa sobrevivência nessa selva assombrada. A partir desse pensamento, pode-se concluir que o quanto mais "neutra" a representação dos outros em relação a nossa pessoa, mais vantagens em termos de "não sofrimento" podemos obter. A busca da glória é uma caminho árduo, pois ela depende do reconheciento da sociedade, a qual nem sempre é justa em seus julgamentos; reconheçamos, portanto, os nossos valores por nós mesmos e que a auto-suficiência nos baste para atingirmos a nossa própria felicidade e glória. Não as deixemos nas mãos da mediocridade, da sociedade néscia, essa grande conquista!

Observei tal texto que publiquei dois anos atrás mais ou menos, e deparei-me com uma surpresa: Quando falamos ou escrevemos, estamos abrindo uma parte de nós mesmos. Reconheci isso quando mencionei a importância da opinião social para atingirmos a glória. Hoje, pouco tempo depois, já penso tão diferente. As experiências me mostraram que não basta ser realmente bom, existe algo além, talvez carisma, simpatia ou qualquer outro elemento que nos torna mais amistosos perante os outros, e essa caracterítica ou essas características nunca foram meu forte. Sou uma pessoa extremamente introspectiva e transpareço, pelo meu semblante talvez, ser uma pessoa extremamente "fresca", "metida", é o que meus amigos me falam quando me conhecem e acabam me achando no fundo "legal". Bem, nada mais disso importa. Não quero viver, como já disse antes, sob máscaras que não representam minha face. Estou quebrando definitivamente meus grilhões

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Observar é preciso.


Já repararam que existem pessoas ao nosso redor que são incapazes de prestar atenção nas palavras alheias? Pessoas que só se preocupam em falar e falar, na verdade o verbo mais apropriado seria TAGARELAR. E o mais incrível é que essas tagarelas não nos acrescentam nada de especial, elas só dizem o óbvio, só julgam sem fundamentos mais densos, só riem das desgraças alheias, como se as desgraças lhe fossem algo alheio. 

E, às vezes, é inevitável ter de ouví-las. Já me aconteceu diversas vezes de estar numa situação como essas e não ter para onde fugir, então comecei a observar. Sim, hoje em dia gosto de observar os seres humanos, como se eu fosse um cientista que observa ratos em suas gaiolas. Tal comparação não é, em nenhum momento, intencionalmente para atingir egos feridos. É apenas uma metáfora, não consegui pensar rápido em outra no momento. Ao observar cheguei a conclusões não definitivas (partindo-se do princípio de que não existem verdades absolutas), conclusões relativas acerca da humanidade em geral. Já comentei isso também em alguns posts mais antigos, e disse que todos eram doentes. Uns mais cientes outros menos de suas lástimas.

O doente "consciente" é o que mais sofre. pois sabe de suas fraquesas e tenta controlá-las, sendo que nem sempre isso é possível. Meu vício por sapatos tão orgulhosamente ostentado por mim durante alguns anos me fez das pessoas mais infelizes, pois eu não tinha forças para parar, assim como o bêbado não consegue largar a garrafa, assim como o gordo não consegue pensar em outra coisa que não seja comida! Doenças! simplesmente doenças. E o mais doente dos seres é aquele que chega e diz com voz arrogante que tudo isso não passa de sem-vergonhisse. No seu íntimo sabe-se lá quantos desses "defeitos humanos" essa pessoa tem e esconde a sete chaves. 

Mas saibam que julgar-se melhor que os outros é parte da natureza "animalesca" do homem. Da mesma forma que os leões disputam território e querem soberania, os cachorros lutam para ver quem é o mais forte, e acredito que isso também faça parte marcante na vida dos primatas (Tmc, conto com seu posicionamento aqui hein!). Sim caros amigos, se você já se pegou julgando os seus semelhantes ([ironia] que termo mais cristão [ironia]), não se desesperem: Vocês acabam de descobrir uma atitude irracional e através do auto-esclarecimento, podem dar um salto grande para a sabedoria, e passar apenas a observar como vivemos em uma selva, como os "escrúpulos" são algo "forçado" e que a natureza do homem é inevitavelmente a luta incessante pelo poder.

P.S. Acho que alguns "machos" vão gostar muito da foto e pouco vão ler o texto. É uma versão feminina de "O Clube da Luta".

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Não temos respostas



Olá caros amigos! Quero compartilhar com vocês mais um pouco de minha angústia que acredito ser a angústia de muitos de vocês. Quando somos crianças lá pelos nossos seis sete anos (às vezes até antes), nós temos o instinto (ou será que aprendemos?) de pergundar os por quês de tudo. Vejo a insatisfação de meu filho de sete anos quando me pergunta algo e eu digo "porque não". Ele me atormenta até que eu lhe dê uma resposta satisfatória. Nunca aceita um "porque sim, ou porque não" como verdade absoluta. Tenho que explicar detalhadamente cada caso. Nessa idade vamos criando uma sementinha que durante alguns anos vira uma árvore gigantesca. Sempre em busca dos porquês. Por que nascemos? Por que existimos? Por que vivemos? Por que somos diferentes ou semelhantes? por que... por que... por que...???? 

E o que nos é frustante é não conhecer as respostas e não se conformar com meias-respostas " Porque deus quis", "porque estás pagando teus pecados de outras vidas," "porque é a vida". Não aceitamos meias respostas! Como crianças somos tomados novamente pelo sentimento de indignção e de indagação, no mesmo formato de quando tínhamos seis ou sete anos. Somos crianças inconformadas e o pior de tudo é saber que não somos mais crianças e que não existem respostas absolutas para nenhuma de nossas indagações. logo, penso que nossos sentimentos de inconformismo, de revolta e de indignação provêm dessa fonte inesgotável de por quês sem respostas. 

O que é justiça e por que a criamos? Para nos tornarmos mais semelhantes uns dos outros? E por que a justiça é aplicada de diferentes formas em situações semelhantes? Por que não aceito a Verdade Absoluta de meu vizinho e ele não aceita a minha insatisfação perante a explicação que ele tem sobre deus e o universo? porque não existem verdades absolutas?

Eis mais um "capítulo" de perguntas sem respostas...

domingo, 19 de setembro de 2010

Todos nós nos justificamos...

Antes dos xingamentos, sim, sou egoísta, arrogante, petulante e o que mais querem que eu seja... mas essas características não são exclusividade minha: todos nós nos justificamos perante nossos erros. Já falei um pouco sobre a questão, mas não levantei nenhum problema em relação a isso. Já reparam que quando cutucamos o defeito alheio, sempre levamos uma porrada na cara? Um exemplo disso é um amigo que tenho. Ele anda bebendo por aí todos os dias, e eu, com essa língua enorme que "deus" [ironia] me deu,  disse-lhe que ele estava à beira do alcoolismo. Ao ouvir tal afirmação minha, ele partiu para o ataque, e adivinhe o que ele disse de mim? Sim, compro sapatos mas eu tenho meus motivos sabe, comprar compulsivamente me alivia, mesmo que por apenas alguns instantes, o vazio existencial, o abismo que habita em mim. o álcool no caso de meu amigo é a mesma coisa, e no fundo todos nós temos os nossos defeitos porque lá no fundo reconhecemos esse enorme nada, essa lacuna que queremos preencher a qualquer custo. Quem mata pode até se arrepender, mas tem suas justificativas. Quem rouba, o mesmo. agora quem acaba com o próprio corpo ou com o próprio bolso é mais certo ou menos certo? Olhem só, meu vício por sapatos continua, o que acabou agora foi o dinheiro, estou desempregada...

sábado, 18 de setembro de 2010

Planos errados

Caros amigos (acho que não preciso mais me referir aos inimigos, já que estes sumiram do mapa), por que meus planos de ficar em casa de boa são sempre boicotados? Ontem tinha planejado ficar em casa para ler, mas eis que surgem imprevistos e lá vou eu, ter que lavar os cabelos, secá-los e sair de casa... Poxa, eu queria passar o dia na cama lendo e escrevendo, estava tudo tão certo... Enfim, não posso mais me planejar para essa atividade tão nobre. Achei que, estando "desempregada", não precisaria mais me estressar, mas a vida é uma coisa tão maluca... Enfim, lá vou eu novamente nas minhas andanças diárias, sola, com meus fonezinhos tocando my dying bride ou algo do gênero. Eis que uma ideia reluzente me vem a cabeça: eu não tenho inimigos! Sim, pois ninguém é amigo de ninguém, sendo assim, não há inimigos, existem apenas pessoas que querem te ver mal, por baixo, na pior, na humilhação, etc, mas não são meus inimigos, são pessoas comuns, pessoas que vivem por seus instintos e os outtros são sempre uma ameaça. Eu fui ameaça para muita gente quando trabalhava simplesmente pelo fato de estar no finzinho do mestrado. Depois virei ameaça ainda mais concreta ao concluir o tal mestrado. E o que eu quero da vida hoje? Eu pensei em mandar currículos para essas unis da vida, mas não tenho mais forças para enfrentar os instintos animalescos que me veem como ameaça. O que vou fazer? Eu não estou bem em minha casa, que na verdade nem é minha... eu preciso arrumar um canto para viver e um trampo para pagar as contas. ontem ouvi um sonoro "não conte comigo". Vou ter que voltar a vender a minha alma? Poxa, nada que quero dá certo mesmo, sou uma fracassada desde que nasci. O que adianta ter lido uns livrinos e ter uns papeis de títulos? Nada disso vai garantir minha vida, meu sustento, e agora é a hora que mais preciso de um trabalho.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Todo mundo é doente.

Bem, como meus amigos e inimigos sabem, sou uma pessoa solitária. Minhas jornadas, minhas caminhadas e "passeios" de trem, metrô ou ônibus são acompanhadas de música que levo no bolso. Às vezes eu desligo minha música e mantenho os fones de ouvido para prestar atenção nas conversas alheias. O que para mim antes era insuportável, hoje é um tanto "esclarecedor", ou seja, essas conversas que escuto por aí fortalecem mais e mais o que venho formulando sobre nossos irmãos seres humanos: um bando de doidos, neuróticos, psicóticos entre outros adjetivos nada agradáveis. Doentes. Ouço as neuroses alheias, as intrigas, a inveja, o ódio. Algumas vezes ouço até coisas bonitas como elogios a alguém que não está presente, mas isso é raro. Ontem mesmo, ao voltar para casa estava ouvindo a conversa de duas jovens, que falavam sobre a namorada de algum fulano que ambas conheciam. Uma delas assertivamente repetia que a tal namorada tinha "cara de bêbada", com um tom de voz bem peculiar de alguém que sente ciúmes ou inveja. A outra jovem que ouvia, discordava, mas sem insistência: "cara de bêbada? Aonde?Nada a ver". Uma conversinha boba, banal, mas que ilustra o que ouço por aí todos os dias e que me faz sentir o quanto o ser humano é doentio e mesquinho sem ao menos se dar conta disso! Todos se acham normais, mas pelo que tenho visto, normal é aquele que se admite louco.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Quero enforcar o dia!

Quero enforcar o dia de hoje, ficar em casa de preferência sob efeito de narcóticos (rs). Ser niilista não é fácil, pois minha vontade de nada é aniquilada pela rotina diária. "Eu tenho que", conhecem essa expressão? todos nós temos que fazer isso ou aquilo. Mas um único dia que eu enforcasse, só um dia... será que poderia? Onde está meu livre arbítrio? No fundo sei que fui demitida por ficar doente várias vezes e faltar muito. não estou trabalhando da mesma maneira, agora meus trabalho é "flexível" (como odeio essa palavra quando lembro do Bauman). Mesmo assim, tenho minhas responsabilidades e ponto. Não posso faltar, ou posso dar uma desculpa qualquer? Sei lá, só sei que é difícil sobreviver.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cansada

Ando muito cansada ultimamente. Emocionalmente estável, mas meu corpo está pesado, lento, sonolento. em minhas longas jornadas de metrô ou dentro do carro no trânsito caótico venho pensando em qualidade de vida. ônibus cheio, metrô lotado, ar seco irrespirável de poluição (que adianta parar de fumar?), São Paulo vem se tornado a meus olhos a capital mundial de má qualidade de vida. Se vivíamos em uma sociedade escravista até o inicio da modernidade, a abolição de escravos não serviu muito. Temos de trabalhar para comprar teto e comida do mesmo jeito, e ainda por cima, não temos nenhum direito de descanso. Não é o meu caso, mas de muitas amigas minhas, acordar as 5 da matina, pegar um trânsito infernal até o trabalho, sair do trampo as 6 e as 7 faculdade. As aulas acabam as 11 e elas chegam em casa mais ou menos meia noite para no dia seguinte novamente acordar as 5. Onde fica o tempo de ler, de descansar, de refletir? no metrô cheio, é claro! Enfim, somos escravos brancos, amarelos, vermelhos e negros por todo o canto e os nossos senhores nem sabemos quem são, mas são uma legião!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O homem revoltado não exige a vida, mas as razões da vida ((Camus)


Percebo nitidamente que faço parte de uma ordem social, política e religiosa que, querendo eu ou não, rege minha vida em vários sentidos. No entanto, apesar de já ter lido tantas coisas a respeito, ainda não consigo assimilar essa coisa enorme e grotesca. Se vivêssemos em um formigueiro, saberia o que comanda tudo, além da "programação" genética, há o que se pode chamar de ordem maior: a formiga rainha. Todas as outras formigas trabalham em prol desta que lhes garantirá a preservação da espécie. Mas em um mundo tão complexo, tão cheio de abstrações e teorias, é difícil chegar a um diagnóstico preciso: Qual é a razão toda para isto? a de garantir a sobrevivência da espécie como as formigas? E então por que somos dotados de razão? seria muito mais simples se fossemos apenas formigas, sem sentimentos, sem "rebeldias", sem contradição. Fazer o seu papel e ponto. Por que afinal seguimos cegamente essa ordem pré-estabelecida que não sei do que chamas, de política, de sociedade, de capitalismo, enfim, não sei mesmo do que chamar. Seríamos tão menos infelizes se não fossemos "dotados" de inteligência...

sábado, 4 de setembro de 2010

John T. Davis

Não poderia deixar de escrever uma pequena homenagem a esse grande músico e cineasta que tive o imenso prazer de conhecer: John T. Davis. Entre seus filmes destacan-se Dust in the Bibble, Hobo, Shelshock Rock e Uncle Jack (sua obra prima a meu ver). Uma grande personalidade, fomos a um pub em Curitiba com a galera do congresso e tive de registrar um dos raros momentos de descontração que tive durante a vida toda. Obrigada John!

P.S. Não reparem a minha cara de manguaça ahahahahahaha

Hoje acordei meio niilista


Revolta, rebeldia, revolução. três palavras que compõem o repertório da insatisfação: seja ela social, política, religiosa, filosófica ou existencial. Palavras cujo objetivo comum final é a liberdade. No entanto, para um niilista extremo, liberdade só tem um sinônimo: a morte. Mas tirar a vida assim deliberadamente, cometer suicídio, é uma atitude que deve ser muito bem pensada, muito elaborada, pois, querendo ou não, temos os nossos compromissos com pessoas que nos amam: filhos, família, amigos... Por outro lado, aquele que chegou ao extremo abandono, que já não possui mais esses vínculos sentimentais, a morte voluntária seria uma boa opção. O sofrimento de um niilista não é o mesmo sofrimento de uma pessoa comum. É uma ferida aberta e dolorida que se carrega para onde quer que vá. A dor do niilista não é apenas uma dor egoísta, de não querer fazer nada, de não querer "participar" do palco da vida. Essa dor é a dor da desesperança, a dor sem esperança. Liberdade é apenas o nada que nos espera.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

De volta á realidade


Prezados amigos e inimigos, para a desgraça total da humanidade estou de volta para escrever e atormentar todos os loucos que ousam ler meu blog! Gostei muito de ter passado uns dias fora de casa, ficar um bom tempo sem família por perto, sem Internet, sem telefone... isso deixou meu "espírito" mais leve. É extremamente gratificante poder fazer o bem para si mesmo, egoísmo? Não, se todos o homem fizesse o bem para si mesmo sempre, ficasse bem consigo mesmo, nós todos teríamos muito menos conflitos... sabe aquela história de "cada um no seu quadrado"? ok, para ser menos informal, vou citar aquela parábola de Schopenhouer sobre os porcos-espinhos:

Um grupo de porcos-espinhos ia perambulando num dia frio de inverno. Para não congelar, os animais chegavam mais perto uns dos outros. Mas, no momento em que ficavam suficientemente próximos para se aquecer, começavam a se espetar com seus espinhos. Para fazer cessar a dor, dispersavam-se, perdiam o benefício do convívio próximo e recomeçavam a tremer. Isso os levava a buscar novamente a companhia uns dos outros, e o ciclo se repetia, em sua luta para encontrar uma distância confortável entre o emaranhamento e o frio.

Quem tinha um grande calor interno preferia ficar afastado do grupo e, com isso, causava e deparava com um mínimo de incômodo. 
Acho que eu sou esse porco-espinho calorento....
Abraços fraternos