sábado, 30 de maio de 2009

Já me decepcionei tanto na vida que não quero mais, nunca mais, depender da ajuda dos outros para continuar essa jornada cansativa e incessante. É engraçado como as pessoas quando se sentem doentes saem alardeando pelos quatro cantos do mundo mas nunca acreditam que o outro também esteja doente. Menosprezo. Sinto medo, sinto arrependimentos e principalmente solidão... As coisas são como são, e não há jeito de mudá-las. Descobri essa noite porque me sinto meio morta. Sinto me um corpo desprovido de alma desde criança. Nunca soube entender isso. Na verdade descobri, em um tipo de flashback, memórias antigas que sou um meio-aborto. Rejeição desde a barriga. Isso dói muito. Dói muito mais fundo quando você continua a vida toda sendo rejeitada, pela mãe, pelo pai, pelo próprio filho. Sou mesmo um estorvo. Só quero morrer. Mas tenho medo. Tenho medo de me matar, não sei porque e nem sei como. Se alguém que por ventura um dia leia isso, por favor, me arrume um revólver, acho que só dessa maneira conseguiria dar cabo da minha existência inútil. Acho que todas as pessoas deveria ter a opção de escolher entre viver e se matar. Eu sinceramente só quero morrer e nunca mais atrapalhar a vida de ninguém, já que eu não tenho valor nenhum. Ajudem-me a morrer!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Mais um pouco de niilismo

Confortavelmente insolente e ociosa, dizem as más línguas. Não obstante, não me grafam tais acepções. Vítima? Não, nunca me senti uma vítima... vítimas são as pessoas escravas do dinheiro, da ganância e da arrogância; vítimas são aqueles que tem a necessidade de, o tempo todo, provar ao mundo de que são melhores; é assim que concebi o vitimismo. Sofrer é consequência de se estar vivo e nada mais, não há nada de tão glorioso ou tão repugnante no sofrimento. Sou na verdade uma niilista incorrigível, uma grande defensora do nada. Como é bom pensar no nada, ah, como é bom pensar no desaparecimento completo de toda essa imundície. Isso me torna mais feliz, uma pessoa melhor. Como tudo isso não me faz sentido! Contrasenso, ilógico, tudo é tão profundamente superficial. Os olhares, as intrigas, as disputas, tão improfícuas... A maldade do homem... Sempre refleti sobre a maldade do homem e penso que Macbeth estava certo: A vida é uma sombra errante, o homem é um ator tolo que grita e se exalta no palco da vida e seu discurso não significa nada! Já senti nas costas o peso de carregar uma doença indefinível e incurável cujo principal sintoma é a completa falta de ânimo. Senti na alma a amargura da rejeição, fui afligida pelo preconceito e pelo desprezo, mas superei cada um desses sentimentos, um a um. Quando uma alma passa por um processo doloroso, ela se torna distinta. O caráter pode seguir o rumo da perfídia, da injustiça e da maldade, ou colocar-se acima de tudo o que é mundano e, consequentemente, chegar ao nível da superação de si mesmo. Conheci bem de perto a face da maldade humana, de pessoas que se tornaram o seu pior, que se fizeram a custa do sofrimento dos outros, conheci bem isso tudo. Senti-me muitas vezes um ser descartável, um aborto que não deu certo. Cresci sem saber o que é ter um pai, sem saber o que é disciplina, sem conhecer limites. Sempre me senti um peso ao participar de festas alheias, onde eu visivelmente nunca fui bem vinda. Algumas vezes sentava-me à beira da calçada e me perguntava o que eu havia feito de errado para ser tão humilhada e tão ofendida. A resposta que me vinha à cabeça era sempre a mesma – nada. Hoje sei muito mais claramente o motivo – existir: Eu existo! Há algo mais condenável do que simplesmente existir? Fui arduamente lapidada pelo martelo da vida sob o sol escaldante que queima até o mais ínfimo desgosto; aprendi a desaprender a amar. Hoje mal sei a diferença entre os bons e os maus, pois tudo me parece indiferente. De Sísifo, tornei-me Epícuro – Minha missão penosa fez de meus tortuosos pensamentos uma lição de invalidez. Senti descontroladamente todas as comiserações do mundo para depois apagá-las uma por vez – ódio, medo arrependimento, solidão... Uma a uma, desvaneceu-se. Quis até mesmo dar cabo do mundo. Resisti. Temi. Hoje sei muito bem em que me transformei, “um monstro da escuridão e rutilância”... Vivi trancafiada em uma masmorra terrivelmente imunda e inundada de morbidez, limo e desconsolo. Concluí de toda a minha tenebrosa saga que se a felicidade realmente existe, ela não foi feita para mim. Mesmo assim sempre consegui muitas coisas. Meu rosto ainda não mostra rugas, mas me sinto já muito velha e cansada para fazer qualquer coisa. Mas o melhor de mim, sim o melhor de mim, é que eu nunca tive de derrubar ninguém, nunca humilhei e nem desprezei ninguém, realmente descobri que o melhor de mim é não me parecer em nada com vocês, seres humanos abomináveis que desafortunadamente fizeram parte da minha jornada. E saber disso transforma todo o caos de dentro de mim em pura felicidade e contemplação. Ademais, deve-se tomar muito cuidado, pois quem anda de cabeça muito erguida pode acabar pisando em merda!

Definindo um pouco...

Uma personalidade não convencional. Um tanto taciturna, um tanto sombria. Uma rosa que fecha-se sobre si mesma. "A minha alma é lânguida e inerme". Ritmo biológico noturno, sou apaixonada pela lua, pela névoa e pelo frio. Uma mente inquieta e inquietante, não recomendável aos intelectualmente pobres ou aos convictos insolentes. Meu preconceito é dirigido contra pessoas preconceituosas, aos aparvalhados por opção e aos insípidos. Confesso que tenho preguiça de cultivar amigos; eles dão muito trabalho e nem sempre conseguem entender o meu humor oscilante, ora soturno, ora engajado em demasia (com coisas inúteis, diga-se de passagem). Enfim, condenada pelo extremo caráter forte e pelos pensamentos e idéias que beiram o absurdo Beckettiano. Portanto, alguém, por mais diferente que seja, alguém. Uma pessoa, muitas personas. Um rosto, várias máscaras. Um vulcão prestes a irromper a monotonia densa da vida anódina. Fiz muitos inimigos na vida, sim... na verdade percebi que sou um empecilho financeiro, tanto de um lado da herança (como se isso fosse grande coisa!) e também do outro. No final das contas, todos terão de me engolir, afinal, eu existo! Para a infelicidade de muitos, eu nasci e para a minha infelicidade, ainda não morri. Talvez o que mais irrite os meus inimigos seja o fato de que, apesar de eu gostar muito de dormir, eu ainda me movimente. Consigo, sem querer, perturbar a perfeição do silêncio e irromper do chão de pedra. Tudo faz sentido quando finalmente descobrimos o mal que causamos aos outros, o mal de existir, de ter nascido e ter de dividir cifras um dia. Tudo é culpa do vil metal, ou seria culpa da mente deturpada da criatura que um Deus tão digno criou a partir de seu narcisismo egocêntrico? Crer em Deus, outra atividade que me é estranha, mas como é estranho acreditar em uma criatura que criou o mundo... muito mais estranho ainda é ver as línguas fervorosas de alguns moralistas jorrando enxofre do inferno na minha cara por minhas contestações. É inacreditável perceber que gente assim pregue um Senhor do mundo tão justo, tão honesto e tão maravilhoso... Essas línguas sulfuradas são as mesmas línguas que julgam, que dissimulam, que recriminam, que roubam o pão do outro, violam o descanso dos mortos. Ora, às vezes penso que sou um tanto esquizofrênica, pois enxergo o mundo como uma grande ameça, com alguns bons prazeres, é claro, mas uma ameaça constante. Assim, a vida ora me parece uma piada de mau-gosto, ora uma tragédia digna de Eurípides!