quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Dos Recursos que se tem para viver

A palavra vita, ou vitae, do latim, de onde se originou a palavra vida em português, antes de possuir a conotação de viver (conjunto de propriedades e qualidades graças às quais animais e plantas se mantêm em contínua atividade), era utilizada para descrever os recursos de subsistência. Em um sentido mais moderno, poderíamos aplicar tal significado para descrever os recursos intelectuais que uma pessoa tem para poder viver e fazer da sua existência melhor ou pior. Uma visão Schopenhauriana da vida com sentido de ”recursos” seria interpretá-la da seguinte maneira: “O mundo no qual cada um vive depende da maneira de concebê-lo, que varia, por conseguinte, segundo a diversidade das mentes. Conforme estas, ele será pobre, insípido e trivial, ou rico, interessante ou significativo”. Ou seja, o invejoso, ao invés de despender todas as suas energias odiando o outro, deveria usá-las de forma a atingir o que mais ele valoriza. Entretanto, os recursos de uma pessoa invejosa são escassos em demasia, e a sua única “ação” é a de observar os grandes feitos dos outros para posteriormente criticá-los e botar-lhes defeitos inexistentes. O invejoso estimula a sua antipatia pelo simples fato de encontrar alguém que reconhecidamente é superior a ele. Ele sente apenas um sentimento de sua gritante inferioridade, uma inveja surda e secreta a qual tenta esconder, no entanto demonstra inconscientemente através de suas atitudes, críticas, comentários e observações. O glorioso, ao contrário, admira no outro os seus grandes feitos e usa isso a seu favor, como fonte de inspiração para alcançar o que mais aprecia. A ação gloriosa vem da admiração e não do ódio invejoso. “Recursos”, em ambos os casos, são a forma que se vê a vida e a forma que se age de acordo com essa visão.
Logo, as ações do invejoso delineiam o seu estado espiritual. A futilidade, a limitação e a pequenez de certas pessoas devem-se ao fato dos míseros recursos que estas possuem. E a grande maioria das pessoas que habitam este mundo é medíocre, nas palavras de Schopnhauer, filisteus, isto é, homens sem necessidades espirituais. Já aquele de grande inteligência tem um grande fardo para carregar, pois quanto mais inteligente, mais sensível, e a sensibilidade deveras ocasiona momentos de dor intensa.
Devido ao fato de cada ser humano ter a sua medida de recursos, cada um só pode reconhecer no outro aquilo que este é, assim falou Schopenhauer: “ninguém pode ver acima de si, com isso quero dizer, cada pessoa vê em outra apenas o tanto que ela mesmo é, ou seja, só pode concebê-la e compreendê-la conforme a medida de sua própria inteligência”. Podemos observar nas atitudes humanas que os críticos mais acirrados dos outros parecem estar falando de si mesmos, ou seja, os defeitos que se critica em seu semelhante na verdade são os seus próprios defeitos. Quem vê maldade em toda a ação humana é aquele que somente pratica atos com os quais poderá obter alguma vantagem posterior. Quem acha que todos têm inveja dele, na verdade inveja a todos. O que acredita que todas as pessoas são luxuriosas, tem dentro de si os mais perversos desejos, e assim por diante. Se quiser conhecer o defeito de uma pessoa, observe o que ela critica nos outros. Ela está indubitavelmente falando de si mesma, de seus próprios defeitos ou de seus desejos inconscientes os quais guarda a sete chaves, mas que são latentes em seu consciente.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Dedico esse ensaio a minha mãe, Roseli.

“A vaidade nos torna faladores; o orgulho, lacônicos. Mas o vaidoso deveria saber que a alta opinião dos outros, à qual ele aspira, é muito mais fácil e segura de ser obtida com o silêncio contínuo do que com a fala, mesmo quando se tem as coisas mais belas a dizer.” (Arthur Schopenhauer)
Não entenda vaidade aqui apenas no sentido de “presunção” ou “soberba”, embora o sentido literal da palavra seja realmente este. Existem pessoas que, ingenuamente, querem a qualquer custo agradar os outros, manter a harmonia entre as pessoas, tentar fazer enxergar que existe algo que transcende a matéria, algo que poderíamos chamar de amizade ou amor fraterno – uma verdadeira irmandade. Uma pessoa que fielmente acredita nisso, muitas vezes, torna-se falante por demais: quer atrair a atenção das outras pessoas para que elas também compartilhem desse pensamento. No entanto, o resultado obtido por essas sucessivas tentativas é o oposto: as pessoas que “ouvem” começam a desconfiar das verdadeiras intenções de quem o apregoa ou quem tenta convencê-las desse tipo de relacionamento fraterno. O que uma pessoa como essa precisa entender é que não se deve buscar a harmonia do lado de fora, ou seja, tentar harmonizar o ambiente fora de si. A verdadeira harmonia só pode ser obtida a partir de dentro, sempre. Não adianta, tentar mudar as pessoas, isto é o mesmo que dar murro em ponta de faca. Nessa pessoa falta um ingrediente fundamental para a sobrevivência entre os seres humanos: o Orgulho, que embora seja um sentimento muitas vezes considerado ruim, em certa medida torna-se um santo remédio contra a dor provocada pelo desprezo alheio, a humilhação e o rebaixamento. O contínuo esforço em torno dessa busca vã não causará nada além de sofrimento. A verdadeira lição só a vida pode ensinar. E a lição mais importante que um ser humano precisa buscar é como ser feliz, isto é, como ser auto-suficiente, como depender de si mesmo para tudo e para qualquer hora. Esperar dos outros qualquer iniciativa é um verdadeiro martírio. O orgulho faz com que nos lembremos constantemente que tudo aquilo que já foi dito ou feito contra nós, que todas as trapaças mais vis praticadas contra nós mesmos são sempre golpes extremamente dolorosos os quais devemos evitar a qualquer preço. Ter uma boa memória para as vilanias alheias será um grande incentivo para fortalecermos o sentimento de orgulho. A palavra orgulho tem origem germânica, orcullum, que servia para designar pessoas de brio, de altivez. Provavelmente o uso corrente que designa à palavra orgulho o sentido de soberba venha da religião cristã a qual prega a humildade (do latim humilitas - humilhar). Ser humilde é estar disposto a se humilhar constantemente. Ser orgulhoso, pelo contrário, significa ter brio (do céltico brigos – força, coragem, sentimento da própria dignidade), isto é, brigar por aquilo que se mais preza: o seu próprio eu. E brigar por si mesmo não precisa ser literalmente sair em busca de confusão para se defender, pelo contrário, é manter-se altivo sempre, manter-se em posição elevada, não se rebaixar ao nível daqueles que o puxam para baixo com todas as forças. E a principal lição que se deve ter em mente sempre é não permitir que outras pessoas tenham acesso ao seu interior, é ter uma barreira intransponível contra as pragas cuspidas pela boca de outrem. A melhor forma de se proteger contra tudo e todos é manter-se centrado, é falar com polidez e concisão somente aquilo que for necessário, e nunca querer agradar, ou convencer ou ludibriar com palavras inúteis. É preferível antes poupar a energia para fazer algo de útil para si mesmo. - Se tu não foste capaz de se tornar monstro quando em companhia de monstros, se não te tornaste fera no meio das feras, então te afasta o mais rápido que puder antes que te engulam. -
Deixe que a vida, as escolhas e o tempo ensinem aos outros as suas próprias lições. Não queira ser maior do que pode ser. Você que busca incansavelmente essa harmonia entre os seres humanos, não seja tão vaidoso a ponto de acreditar que você tem o mesmo poder que uma bela lição de vida, você não é mais sábio que o tempo (ou Chronus – o Deus que devorava os seus próprios filhos). Busque a sua própria independência, desacorrente-se da dependência que você tem em relação aos outros. Não tenha medo da solidão, pois ela pode um dia surpreendê-lo!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O que tenho experimentado ao longo dos últimos anos é o quão pouco se vale para o próximo. Engraçado pensar nas idéias e ideais cristãos de “amar o próximo como a ti mesmo”. O que tenho visto na verdade é que o grande ego de uns sempre acaba sufocando outros. Por causa do egoísmo, da inveja, da falsidade, do orgulho, do medo, da vaidade, as pessoas se afastam umas das outras e só as procuram quando existe uma força maior que as impulsiona, seja essa força o interesse monetário ou pessoal.O que tenho descoberto na natureza do ser humano é algo de atroz, de insensível, baixo e mesquinho, cruel e impiedoso. Cada dia penso mais estar frente a frente com uma legião de demônios cuja voracidade pela destruição é implacável. O ser humano é o predador do ser humano em todos os sentidos: A competição é uma forma alegórica de destruir o outro. A guerra e a injustiça são as formais literais. Se eu pudesse propor uma filosofia cujo único intuito fosse trazer a felicidade àqueles que a buscam incansavelmente, diria que ela se resume em serenidade, em paz de espírito. A agitação e a adrenalina dão-nos, muitas vezes, um certo sentimento de alegria. No entanto, assim que tudo se acalma, temos uma grande sensação de tédio. Logo, a felicidade não está nesses estados turbulentos. Diria que ela é algo constante e permanente, ago que se cultiva assim como uma planta. Ela não é encontrada simplesmente quando se troca de ambiente ou de amigos, quando se faz uma plástica no corpo ou quando se compra algo novo para a casa. Embora o ambiente tenha uma grande influência sobre os nossos estados emocionais: uma casa suja, mofada e escura nos traz depressão, tristeza, uma casa limpa, arejada, com plantas faz-nos sentir melhor. Ficar parado 2 horas no trânsito caótico da marginal Tietê é bem diferente de dirigir 2 horas em uma estradinha do interior cuja paisagem nos agrada os olhos. Em relação às companhias, diria que o menos é sempre mais; o melhor mesmo é estar ao lado de uma ou duas pessoas cuja interação seja fluida, cuja conversa seja agradável e cujas idéias sejam plausíveis, caso contrário, prefira a companhia de um livro. Em relação a auto estima, a seu próprio corpo, diria que uma cirurgia plástica não arrancaria nenhuma mágoa de seu interior e nem lhe acrescentaria afetos que lhe faltam. O ideal é manter-se saudável, cuidando bem de seu corpo através de exercícios e de uma boa alimentação. Isso são coisas tão obvias, não obstante ainda relutamos para aplicar essas dicas tão simples em nossas vidas. Pare se alcançar a auto suficiência, é necessário manter-se sadio, pois um enfermo sempre depende de alguém para auxiliá-lo.Mantendo, então, o corpo são, é preciso não se esquecer da mente sã. Curar os males da mente! Ah! Eis aí uma terrível e imensa batalha – a batalha de si contra si mesmo. É preciso enfrentar o neurótico que vive dentro de você: aquele que procura incansavelmente atingir algo impossível, aquele Sísifo que carrega a pedra morro acima e nunca consegue mantê-la no topo da montanha, devendo então descer e carregá-la novamente infinitas vezes. É preciso derrubar esse deus inexorável que tem dentro de si, esse deus que só castiga e castiga, que cobra sempre algo inatingível... É esse estado de neurose, seja ela qual for, que devemos alcançar dentro de nós mesmos e depois arrancá-la pela raiz.
Gostaria de agradecer a todos os meus adversários, pois sem eles não saberia o tamanho da força que tenho dentro de mim e o quão longe posso chegar. Agradeço profundamente a todos os meus inimigos, porque sem eles não teria superado tantas barreiras e alcançado a glória. Agradeço de coração a todas aquelas pessoas invejosas, pois sem elas, não saberia reconhecer o valor da minha luta, os meus méritos e a grandeza de meu espírito. Agradeço com todo o respeito àquelas pessoas as quais foram falsas comigo ou me caluniaram, pois sem elas seria fácil me ludibriar com quaisquer declarações errôneas, e difícil descobrir a habilidade que tenho em desvendar os mistérios e as tramóias da mente humana. Quero finalmente agradecer a todas aquelas pessoas que, no decorrer da minha vida, recusaram-me a dar uma mão amiga, uma ajuda ou um auxílio mínimo, pois sem elas, não aprenderia pela dura lição da vida a ser auto-suficiente. Desejo a todos vocês, inclusos em meus agradecimentos, o dobro do que vocês fizeram por mim!

domingo, 18 de novembro de 2007

Pensei em começar a dizer algo, a escrever algo, mas ouvia ecos por toda a parte, e o caderno já estava todo rabiscado. O que fazer? Há uma nuvem sob nossas cabeças E uma sombra ao nosso lado, e lá fora há nuanças cinzas por toda a parte que olhamos... Uma chuva que cai, o relógio que não pára E por todo o lado, Sombras acinzentadas... Um vento frio soprando, Uma angústia profunda dentro de nós e bem lá no fundo de nossos pensamentos ergue-se uma nuvem cinza A chuva continua a cair, o tempo a passar... o trovão divide o silêncio com as goteiras do quarto E ainda vejo estender-se uma nuança acinzentada

A Puzzle Without Solution

"Nós devemos matar os nossos egos para renascermos na multidão, não separados e auto-hipnotizados, mas individuais e relacionados "- Henry Miller -
Quem quer mudar a humanidade, morrerá sem ter feito qualquer progresso... Mudar-se a si mesmo para poder se adaptar ao meio social é, de certa forma, perder a individualidade. Estamos aqui frente a frente com um enigma sem solução. Talvez a solução seja escolher entre "aceitar as coisas do jeito que elas são" ou "tentar mudar aquilo que posso mudar". Na verdade, toda a mudança deve partir a princípio de dentro para fora.
As mudanças externas certamente afetam o nosso equilíbrio interno, entretanto quem tiver a habilidade de equilibrar-se jamais se afetará pelas adversidades externas. Eis uma bela teoria. No entanto, como pô-la em prática? Quem aqui acredita que o modo estoico de ser é naural ao homem assim como o é o sono ou a fome? Quem pode afirmar que o homem não tem controle sobre si, sobre os seus sentimentos, angústias e dores? Será que a idade ensina que todo o sofrimento é desnecessário? até que ponto um indivíduo deve sofrer? O que está sendo testado? Quem está testando? omo viver sem morrer aos poucos, sem a dor apunhalando a alma inexoravelmente? um enigma sem dúvida, um enigma em solução!

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Renunciar aos juízos falsos seria renunciar à vida, negar a vida

Se analisarmos com cautela a realidade que nos cerca, concordaríamos com o aforismo de Nietzsche acima mencionado. Trata-se de verificar os valores que nos circundam no dia a dia de nossas vidas. As verdades, as quais são nos apregoadas, são, em seus fundamentos mais profundos, ilusórias, frágeis, irreais. Entretanto, tais noções de verdade são essenciais para a manutenção do sistema como um todo. Imagine se a classe média começasse a questionar o seu consumismo exacerbado. Isso significaria o mesmo que questionar a religião em épocas anteriores. Enfim, o ser humano tem um instinto de buscar sempre uma verdade, mesmo que esta seja fictícia. Logo, verdades pré-estabelecidas e impostas devem ser sempre questionadas, descontruídas até suas raízes, avaliadas. Por mais que certos argumentos pareçam repletos de razão, faz-se necessária uma busca sempre mais profunda, um questionamento do convencional.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Por que?

Por que será que, às vezes, somos feridos por um juízo cuja inteira insuficiência conhecemos? Por que somos irritados por uma ofensa de caráter nitidamente desprezível? Por que, ao nos encontrarmos em um lugar onde todas as outras opiniões são diferentes da nossa, mesmo sabendo no fundo que temos razão, nos sentimos inseguros, indefesos e chegamos até a desconfiar de nossa própria opinião? Será que somos demasiadamente humanos? Será possível controlar-se, confiar em nós mesmos? O melhor remédio contra esses problemas seria permanecer centrado, não deixar o externo invadir o seu eu interior. Como o fizera Platão, o qual era constantemente insultado por um de seus rivais. Um dia um discípulo de Platão perguntou a ele por que ele agüentava tantos desaforos. O sábio respondeu “se um asno me desse um coice, deveria eu revidar tal ato inconsciente? E além do mais, as palavras as quais essa pessoa dirige não cabem a mim”. Podemos, portanto, inferir que a neutralidade perante as adversidades do mundo nos garante uma certa dose de liberdade. A liberdade de não se afetar por ninharias.

A Felicidade pertence àqueles que bastam a si mesmos

Novamente bato na mesma tecla: Ser feliz é ser auto-suficiente, é bastar-se a si mesmo, é aproveitar cada instante de solidão para refletir, pensar, ler, escrever e meditar. Depender dos outros, seja de suas opiniões ou de seus favores, é buscar a infelicidade em sua fonte. Precisar do outro é a mesma coisa que entregar a sua liberdade nas mãos de um carrasco inexorável. Não se torne escravo de outrem, não entregue a sua liberdade em mãos descuidadas. Não aceite uma companhia que rouba a sua solidão! Quanto mais uma pessoa tem em si, quanto mais rico o seu espírito, menos se procura outros. As pessoas que são sociáveis são, na mesma medida, medíocres: isto no sentido literal, de mediano, de "estar na média" de ser parecido. Ter muitos amigos é buscar no quantitativo o que não se tem no qualitativo, pois essa é uma busca externa daquilo que não se tem internamente, no seu próprio eu. O convívio entre os homens se torna, muitas vezes insuportável: as imperfeições morais e intelectuaias dos indivíduos acabam conspirando entre si e ocasionando os fenômenos mais repulsivos imagináveis! Para sobreviver é preciso, no entanto, saber conviver, isto é, viver entre os homens sem necessariamente pertencer a eles, não ter o pensamento de rebanho, não agir como o rebanho. Simplesmente parecer o trivial, o vil, o comum e Ser a sua própria essência, independentemente das razões externas.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cada vez me convenço mais da inutilidade da companhia alheia. Ser feliz é bastar-se a si mesmo. Ser feliz é ter dentro de si mesmo tudo aquilo que se precisa. O convívio entre os homens muitas vezes é insuportável. São egos de porcos-espinhos uns espetando os outros. A competição entre si é inevitável: O homem já nasce com esse instinto de competir com os outros. Além de tudo isso, há ainda o que podemos considerar um dos mais graves problemas de caráter: a inveja. Por causa dela, as pessoas engolem umas as outras, dissimulam uma certa postura falsa apenas para não dizer que sentem com todo o furor da alma esse sentimento tão condenável. Por que alguns se atormentam tanto coma felicidade alheia? eis uma questão para ser refletida. A inveja é uma das doenças sociais mais graves, pois com ela, os indivíduos agem sem escrúpulos, eles praticam todo e qualquer ato para derrubar o ser que invejam. E o interessante é o prazer que se vê nos olhos daqueles que conseguem derrubar alguém! O êxito de uma atitude propiciada pela inveja causa um certo êxtase mórbido. Será que vale a pena pagar um preço tão alto para estar no mio de um determinado grupo? Penso quanto mais inteligente, mais um ser se torna anti-social. Quanto menos se tem em si mesmo, mais se procura preencher esse vazio através de companhias muitas vezes medíocres e detestáveis. Termino com uma frase Bernardin de St. Pierre: " A dieta dos alimentos no restitui saúde do corpo, a dieta dos homens a tranquilidade da alma"

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Parte de uma máquina

Apenas mais um rosto no meio da mulidão; Caminhando na direção do desconhecido; Impulsionado por desejos fúteis Esgotado pela rotina Estagnado pelo silêncio sufocante do exílio emocional; Um fugitivo da liberdade Rendido pela mediocridade Uma voz impotente submergindo; Você até poderia fazer suas escolhas; Mas nunca aprendeu a pensar. Exausto e enfraquecido; Vítimas que dobram os joelhos A ideais vagos E disputas desapaixonadas; Espontaneidade sistemática Em uma sociedade sincronizada; Imerso em uma causa sem fundamento; esperando o chamado; Sacrificando as necessidades pessoais A individualidade dividida em uma realidade coletiva. Um espírito que sempre quer ter mais Para satisfazer suas angústias. Mas a verdade nunca é enxergada; Um falso senso de liberdade floresce Mas a dependência mostra que você é parte de uma máquina Uma escolha desesperada A busca por algo verdadeiro Você poderia escutar a voz Mas você nunca aprendeu a sentir...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

A sabedoria das palavras

A palavra vaidade vem do latim vanitas, que significa vão, ilusório. Etimologicamente, a vaidade é a qualidade do que é vão. O significado atual, de acordo com o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, é o desejo imoderado de atrair admiração ou homenagem; vanglória (glória vã); coisa fútil ou insignificante, frivolidade, futilidade, tolice. Entretanto, o sentimento de vaidade é um dos combustíveis das ações humanas. Sem ela, o que seria dos homens? em prol do que praticariam determinadas ações? Como bem coloca François de La Rochefoucauld, "a virtude não iria tão longe se a vaidade lhe não fizesse companhia". Mas a vaidade não impulsiona apenas virtudes, ela também é a força motriz de atitudes humanas de extrema vileza. Um simplório exemplo disso é a mentira, a qual muitas vezes é proferida para derrubar um outro indivíduo. Schopenhauer expõe o conceito de vaidade da seguinte forma: "a vaidade é o desejo de despertar nos outros uma certa convicção, na esperança de transformá-la em convicção própria". Ou seja, certificar-se do seu próprio valor através da opinião dos outros. O filósofo distingue orgulho de vaidade apontando este como a auto-estima de si mesmo vinda de dentro, e aquela, ao contrário do orgulho, é um esforço para alcançar tal estima a partir de fora, ou seja, indiretamente. É certo dizer que depender absolutamente da opinião alheia para reconhecer as próprias virtudes é um caminho de pedras, em que se cai e se esfola com freqüencia, pois como já refletimos anteriormente, depender de outros indivíduos é uma fonte inesgotável de sofrimento e dependência (addiction em inglês representa a dependência química, como dependemos dos outros para ativrmos uma certa química interior). O que é possível reconhecer na natureza humana é esse desejo, muitas vezes incondicional, de ser reconhecido pelo outro. Não é à toa que pertencemos a determinado grupo ou comundade, que expomos os nossos pensamentos, que praticamos certas ações, tendo sempre em vista o reconhecimento e o sentimento de pertencimento. Aquele que chega ao ponto de anular o ego de tal forma que não mais tem sequer o mínimo sentimento de vaidade, pode ser considerdo, então, um peso morto na sociedade. Sem um mínimo de vaidade entra-se em um processo de isolamento profundo em relação à vida e ao convívio social. Quem chega a tal ponto, conquistou a verdadeira independência e a total ausência de sofrimento. No entanto, faz-se necessária uma análise de perto dessa condição, pois ao se tornar um peso morto, não entramos, enfim, em um processo de morte da alma?

Cada um vive, antes de mais nada e efetivamente, em sua própria pele e não na opinião de outrem.

Jamais devemos nos importar com a opinião alheia! Pois o que você representa para o outro nunca corresponde com aquilo que você realmente é. Além disso, as pessoas tendem a fazer falsos julgamentos, pois suas cabeças são limitadas e não existe uma visão do todo. Segundo Schopenhauer, nos tornamos cada vez mais indiferentes quando alcançamos um conhecimento da superficialidade e da futilidade dos pensamentos, da limitação dos conceitos, da pequenez dos sentimentos, da absurdez das opiniões e do número de erros na maioria das cabeças. O que realmente importa é o julgamento que tens de ti mesmo. Como o filosofo mencionado diz, atribuir valor à opinião dos homens é prestar-lhes demasiada honra. Apesar dessas colocações, não podemos esquecer a posição que cada um de nós ocupa no espaço social. A opinião alheia passa a ser importante quando dependemos dela para a nossa "sobrevivência" na vida em sociedade. Como já mencionado em alguns escritos anteriores, a interdependência que nos une (e deveras nos separa) é uma questão importante a ser colocada: uma vez que, no estado civilizado, devemos a nossa carreira, as nossas posses e segurança à sociedade, logo a confiança dos outros para conosco nos é extremamete necessária para que haja relações recíprocas; então a opinião dos outros sobre nós, nesse sentido, é de alto valor, ainda que tal opinião seja errônea ou parcial. Lembremos que, para os outros, somos aquilo que "parecemos ser"; vivemos em uma sociedade de meras aparências. Devemos, pois, aparentar ser aquilo que nos convém. Apenas dessa mneira poderemo garantir a nossa sobrevivência nessa selva assombrada. A partir desse pensamento, concluimos que o quanto mais "neutra" a representação dos outros em relação a nossa pessoa, mais vantagens em termos de "não sofrimento" podemos obter. A busca da glória é uma caminho árduo, pois ela depende do reconheciento da sociedade, a qual nem sempre é justa em seus julgamentos; reconheçamos, portanto, os nossos valores por nós mesmos e que a auto-suficiência nos baste para atingirmos a nossa própria felicidade e glória. Não as deixemos nas mãos da mediocridade, da sociedade néscia, essa grande conquista!

sábado, 3 de novembro de 2007

O grito de Edvard Munch

O desespero humano representado na arte.

Labirinto

Absurdo ou não, às vezes me sinto em um labirinto sem saída, ou a vida é um labirinto cuja saída é a morte??? Interessante como alguns problemas de nossa vida parecem não ter solução. Acabamos, por fim, deixando tudo do jeito que está, e os problemas vão se acumulando cada vez mais, empilhados uns nos outros! Chega uma hora que você tem duas possíveis soluções: uma é a loucura (se não o suicídio) a outra é a total apatia pelo mundo, pelas pessoas e pelas coisas... ou talvez, continua-se do jeito em que se está, como o indivíduo que MacBeth diz ser o "idiota", aquele que não pára de gritar, que está imerso no desespero! Na verdade a questão do labirinto é a melhor forma de se explicar a condição humana (A condição de alguns seres humanos, pois a grande maioria segue a massa).

Absurdo

O que é o absurdo afinal? Para Camus, é o sentimento de 'NÃO-PERTENCIMENTO", ou seja, o indivíduo que não se enquadra em nenhum padrão social, não consegue saber e nem mesmo imaginar qual é o verdadeiro sentido da vida. É muito mais fácil acreditar em algo, como destino, castigo, deus e diabo, reencarnação... mas e quando não se consegue acreditar em nada disso? e quando o homem se vê completamente abondonado por tudo e por todos? e quando ele se vê no meio de um monte de acontecimentos sem explicação nenhuma, sem significado algum? esse é o verdadeiro sentimento do absurdo. Nesses momentos, se se é nuito sensível, se se sofre com a inutilidade de tudo que cerca, se não se conforma com o que os próprios homens fazem uns com os outos, aí está a origem da vontade de nada, da vontade de morrer.... Do trágico ao absurdo, o caminho é extremamente curto, principalmente quando o homem não consegue mais identificar a natureza da transcendência que o esmaga ou desde que o indivíduo põe em dúvida a justiça e a legitimidade da instância trágica. Todas as metáforas da história como mecanismo cego revelam em profundidade os germes do absurdo na ação trágica. Lembre-se do caso de MacBeth, após tudo que fez e lhe aconteceu, com a morte de Lady MacBeth, conclui que a vida não é mais que uma sombra errante, que a vida não passa de uma peça de teatro, que os atores que participam do espetáculo se enfurecem, aflingem-se, atormentam-se, gritam e enlouquecem, para no fim descobrir que, um dia, não mais serão ouvidos... a vida é uma história contada através do ponto de vista de um idiota, que a declama tão alto e com tanto furor, uma história que nada significa. Niilista, demasiadamete niilista...

Quanto mais sociável, mais medíocre!

Como bem dizia Arthur Schopenhauer, o homem para ser sociável deve compartilhar da mediocridade dos outros. Não é à toa que quem não compartilha a mentalidade de rebanho está fora do sistema, pois o sistema é comandado pela MAIORIA. Por essa razão, muitas vezes eu me questiono se realmente a doença social que algumas pessoas carregam é realmete culpa de si mesmas, ou é uma questão meramente genética, química ou fisiológica... Não é possível viver saudável em um ambiete sórdido. Então, se você sofre de algum mal dos pulmões, deve abster-se do clima demasiado úmido; se sofre de alergia, deve manter-se longe de qualquer componente maléfico que coopere com a sua alergia; quem tem baixa imunidade, precisa evitar lugares propensos a vírus e bactérias. Outra questão, se vc é extremamente saudável e começa a viver em um ambiente insalubre, será que sua saúde se manterá intacta? Ou será que esse ambiente pode contribuir efetivamente com a causa de uma doença não-premeditada? Pois para se manter metalmente saudável em um ambiente degradante, é preciso ser epicurista, demasiadamente epicurista... No entanto, ainda tenho as minhas dúvidas com relação às lições de Epicuro. É extremamente difícil (se não impossível) viver com pregou o filósofo do bem estar individual. Pois como já dizia Aristóteles muito antes, "ser feliz é ser auto-suficiente". Não obstante, numa sociedade em que as relações interpessoais são cada vez mais inevitáveis, mais fatais, é praticamente impossível não depender de outrem; ora, a sociedade capitalista se desenvolveu justamente por essas interligações, pelas especializações de cada indivíduo em desempenhar determinada tarefa. Talvez em tempos mais longínquos, a total independência fosse um bem atingível. hoje em dia, no entanto, especialmete na posição de "proletariado" que depende de uma série de fatores externos a si mesmo para a sua sobrevivência, a empreitada pela felicidade no sentido de auto-suficiência não pode ser atingida; logo, como ser feliz em um mundo que não se tem domínio completo sobre ele? Será que Álvaro de Campos estava certo quando diz que "não há mendigo no mundo que eu não inveje só por não ser eu"? mas os mendigos dependem da caridade dos outos; os mendigo dependem do lixo dos outros... Enfim, eis o enigma que há de nos devorar enquanto não o desvendamos....

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

S
E eu que nem mesmo sei quem eu sou!
Pois eu não sei quem sou, não consigo controlar os meus impulsos e instintos, não consigo fingir ser algo diferente daquilo que realemte sou mas não sei definir exatamente o que isso é, representa ou significa.
Às vezes questiono os porquês de tudo isso que me cerca, mas não há respostas, tudo sempre recai sobre o nonsense, vejo-me aniquilada pelo fatalismo da históra, vejo-me imóvel pelos grilhões da sociedade, vejo-me paralisada pelos meus próprios pensamentos inúteis!
Sinto uma dor tão intensa que chega a sangrar a alma, mas de repente essa dor se esvai e novamente me vejo no meio do nada, circundada por absurdos sem fim, vejo uma vida sem razão de ser, vejo um mundo que nada sgnifica, que nada representa e que de nada serve! olho o espelho e como sempre, sinto uma grande decepção, de ser o que sou, do que não consigo controlar... Não tento mudar, não vejo sentido em mudar...

Liberdade

Dá-me do mais puro fel Mas não tires de mim Minha liberdade Lança-me no esquecimento E no abismo mais alto do planeta Mas não tires de mim Minha liberdade Toca em minha face com violência e desprezo Mas não toques emMinha liberdade Tire de mim todas as minhas Posses terras jóias e posições sociais Mas não tires de mim Minha liberdadeDeixa-me para que eu Continue abrindo minhas asas Alçando vôos rumo ao horizonte E como um pássaro encantadoAprendendo a fazer historias e Ensinando todos a serem livres com pássaros Pois se tentarem me prender com Padrões sociais com grilhões ou lançar-meAo cárcere eu prefiro que mates o meu corpo Porque só assim eu conseguirei devolver à alma A minha liberdade

Sobre a solidão

Odeio quem me rouba a solidão! Pois hoje percebo isto: não há companhia mais agradável que a solidão! Você nunca sabe o que se espera das pessoas... vc nunca sabe quais são os verdadeiros sentimentos, instintos e desejos dos outros... Muitas vezes, o preço por uma companhia é alto demais, não vale a pena desperdiçar a sua privacidade com indivíduos invejosos, medíocres e mesquinhos. Mais vale a companhia de um animal ou de um livro!