quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Algumas coisas me irritam profundamente...

Nada sério para debater aqui hoje, apenas algumas banalidades cotidianas. Tenho percebido que minha intolerância vem aumentando a cada dia, hoje confirmei minha hipótese devido a uma frase  que postaram num site de relacionamentos e que quando abrimos nossa página vemos também. Não vou citar exatamente o que foi dito, mas era algo do tipo, "se você está fudido por dentro, não pode ver a beleza que existe no mundo externo, que são o amor e a espontaneidade". Nossa, isso me irritou a tal ponto que acho que ou eu estou realmente podre por dentro ou o mundo é podre e não há nada que seja "amor" ou "espontâneo". Vejo apenas a luta pelo poder (geneticamente programada, portanto não é espontânea como se diz e também para mim não retrata nenhum tipo de beleza). Amor? O que é o amor senão a vontade de ter alguém ou algo, ou o instinto de preservação da espécie? Se eu nunca amei? Definitivamente não! Sempre quis ter as pessoas ao meu lado, minha mãe, minha avó e outros que cuidavam de mim e me amavam pois eu sou a continuidade genética deles e deles eu também "amei" pelos cuidado que tiveram comigo, pelos caprichos que me proporcionaram... Enfim, frase mais descabida na minha página!

domingo, 10 de outubro de 2010

Ao vencedor as batatas!

Depois me perguntam porque Machado de Assis é genial. Não respondo. Sempre pego um livro dele, abro em alguma página que marquei e leio. Um bom escritor transforma o impossível em realidade, trasforma absurdos em probabilidade e, mais especificamente, traz à tona a realidade de forma tão poetizada e tão enfeitada de palavras e sons e ritmos, de metáforas e comparações que percebemos o óbvio ludibriados. veja a seguir um trechinho da filosofia de Quincas Borba:
Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos que assim adquire forças para transpor a montanha e e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais feitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
- Mas a opinião do exterminado?
- Não há exterminado. Desaparece o fenômeno; a substância é a mesma. Nunca viste ferver água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.
Quincas Borba

sábado, 2 de outubro de 2010

Se deus não estivesse MORTO eu teria de MATÁ-LO!

Quem consegue listar aqui dez bons motivos (motivos concretos e verdadeiros, não coisas do tipo: "ele te ama" ou "ele fez as flores, a bunda" etc? Se alguém ainda duvida que quando morremos ainda temos uma "alma penada", espírito, ou qualquer coisa do gênero, garanto que essa pessoa ou é extremamente cega (não quer olhar ao seu redor e enxergar as desgraças do mundo, as doenças, a criminalidade, a animalidade do ser humano) ou é extremamente sadista e masoquista (gosta de sofrer e de ver o sofrimento alheio). 

A disputa, o egoísmo, a inveja, o ódio e outras características humanas que os cristãos consideram "pecado" são na verdade a pura índole desse animal bípede. Características com as quais garante a sobrevivência de sua espécie. Ninguém é bom ou mau, apenas humano. Obviamente existem graus de esclarecimento, uns são mais "animalizados" que outros, mas tudo isso é uma questão de educação e cultura. Não que eu acredite que com apenas educação e cultura os instintos humanos desapareçam, eles apenas adormecem um pouco mais. Existem muitos doutores por aí que perdem a cabeça quando um outro carro encosta no dele. É possível ver tal fato nos noticiários todos os dias. O Esclarecimento não é apenas baseado no estudo ou na educação de uma pessoa. É algo que está além, Talvez genes mutantes, pois a regra é ser animal mesmo.

Mas o ápice do esclarecimento é bastar-se a si mesmo, coisa que poucos conseguem e em nossa sociedade confesso que é um tanto difícil, a não ser que se tenha recursos financeiros para se "bancar". A autosuficiência é a melhor e mais sábia escolha. E muito mais sábia se acompanhada da desesperança de um mundo  além túmulo.