domingo, 31 de janeiro de 2010

Apenas mais um grito de indignação

 
Muitos podem perguntar: Infeliz como? você tem braços, pernas, uma casa para morar. Não sou infeliz por aquilo que tenho ou deixo de ter. Sou infeliz quando olho para o mundo ao qual fui condenada a viver, com os seres humanos inertes ou egoístas com os quais preciso conviver, com as tragédias diárias que vejo acontecer diante de meus olhos e nada posso fazer... A pior infelicidade que existe é o questionamento existencial, pois o doente quer curar-se de sua enfermidade e continuar vivendo por mais que ele sofra. Se ele morrer, seu sofrimento acaba, se ele curar-se, sua vida toma novas formas, ele a vê com novas perspectivas, sua fé aumenta e sua vontade de viver também. A dor existencial não tem cura. Mesmo quendo se está doente, a desilusão é tão grande que nem vale a pena lutar pela vida.... E não adianta dizer para ver o lado bom, não adianta gritar, criticar, rir... não há cura para a dor existencial. Conheci pessoas que morreram disso, pois se entregaram ao acoolismo, às drogas ou a depressão. Conheci pessoas que perderam a vida por tê-la abandonado. Não chegarei a esse ponto, mas estarei sempre escrevendo, pensando e sonhando com um mundo que poderia ser melhor e nunca será.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Reticências parte I



Às vezes o coração dói, dói tanto que tenho vontade de me deitar e passar o resto do dia chorando muito. Não por uma paixão qualquer, não por um amigo qualquer... Simplesmente por sentir e saber que não pertenço. Pertence a que? me perguntariam os gramáticos mais frívolos à espera de um complemento verbal, um adjunto adverbial de lugar. Não pertence ao mundo? a um grupo social? a uma fanília? Simplesmente não pertenço, sem complementos.

Estranho? Não, é a minha forma de colocar a dor para fora, criando expressões bizarras, palavras erradas ou frases desconexas, mas que fazem sentido para mim e apenas para mim. O leitor está morto! Não o autor e nem o texto... o autor morre fisicamente, mas seu texto ainda é o mesmo, carregado de sentidos que só quem escreveu sabe o que significam. os leitores morrem, aparecem outros leitores que interpretam o texto sob esta ou aquela ótica, mas o texto é MEU porra! Só eu sei do que quero falar.

Enfim, não nos preocupemos com sentidos absurdos nem com o que haverá de ser num futuro tão remoto, tão decadente... as pessoas... que triste olhar para elas e não ser como elas. Que triste não compartilhar fantasias, sorrisos e cervejas. Isso é não pertencer, sabe? É triste, chega rasgar o coração (claro, o coração figurativo). É triste olhar uma família feliz e não poder contar com ninguém... estou afundada em dívidas e o meu sonho mais profundo, descobri isso a pouco, era ter gente para me ajudar... eu queria ser o que nunca serei. Queria ser uma pessoa que tem amigos, que tem família, que tem com quem contar... mas nunca serei essa pessoa que sonhei ser, sou esse projeto futuro de carniça que cisma em não morrer. E para terminar da forma como alguns leitores esperam digo "ó céus, ó vida" e vou para cama dormir no feriado da cidade mais podre do mundo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Um pouco de Schopenhauer



"...E também nos tornamos cada vez mais indiferentes quando alcançamos um conhecimento da superficialidade e da futilidade dos pensamentos, da limitação dos conceitos, da pequenez dos sentimentos, da absurdez das opiniões e do número de erros na maioria das cabeças. E, ainda, à medida que aprendemos pela própria experiência o desdém com que, dada a ocasião, fala-se de qualquer um, desde que não seja temido, ou então se acredita que nada disso chegará aos seus ouvidos (ai se meu chefe soubesse metade do que já ouvi sobre ele rsrsrsrrs); mas principalmente, depois de termos ouvido meia dúzia de imbecis falar com desdém do homem mais distinto (não é o caso de meu chefe). Sendo assim, nos convenceremos de que quem atribui um grande valor à opinião dos homens presta-lhe demasiada honra."

Esse pequeno trecho de Schopenhauer me faz lembrar tantos e tantos casos... (Está no livro Aforismos para a sabedoria de vida da editora Martins Fontes). Pois bem, já vi tantas pessoas distintas serem denegridas enquanto outras medíocres eram enaltecidas... tudo porque a serpente malígna, a língua do homem vil (a maioria deles) profere palavras e argumentos muitas vezes irreias ou sem fundamentos, e dessa maneira, os valores do ser humano são trocados. Onde trabalho já vi muito disso. Conheço um sociólogo super culto, inteligente, que está acima de toda uma gentalha imunda, cujo caráter foi denegrido, pois ele não participava da "roda da fofoca". Eu também já tomei laguns tombos feios por não fazer parte da panelinha X... um show de horrores, honestamente, não é possível tolerar algumas coisas, somente à base de remédios... depois não venha me dizer que sou uma drogada!!! ah se depressão fosse frescura! É apenas o efeito de sapos que engolimos no dia a dia... sapos que já engolimos no passado e que sabemos que vamos engolir ainda....




sábado, 16 de janeiro de 2010

Sobre o casamento



Andei refletindo hoje sobre as minhas carências e alguns de meu luxos... e tudo recai no casamento. Casar-se é acorrentar-se a outra alma tão cheia de defeitos quanto você. Compartilhar dores? Não, duplicá-las. Você, querendo ou não, permeia o universo do outro e acaba se tornando um pouco dele. Casar-se é ter de calar sua voz interna, suas paixões, seus ideais porque o outro tem outras paixões e outros ideais que também serão apagados. Não vejo casamentos saudáveis, um sempre deve ceder ao outro. Se um se esforça para manter a casa com as contas em ordem, o outro deve economizar. Se os dois pagam as contas, aquele que é pródigo sentir-se-á enjaulado. Se um deles ama sair e o outro odeia, qual é a solução? Não há divisão no casamento! Não existen formulas secretas para fazê-lo feliz. Esqueça o casamento duradouro de seus pais. Quem sabe ler no fundo do coração deles quantas privações ambos tiveram de passar? Por mais que se diga que se é feliz em ver a harmonia e os filhos crescerem, lá na alma, no fundo da alma, os desejos são sempre outros. Casar-se com sua alma gêmea?: Eu jamais toleraria os meus próprios defeitos em outro... O casamento é uma grande farsa que nos ensinam desde pequenos, no entanto descobrimos cedo que papai noel e coelhinho da páscoa não existem, e tarde que casamento é uma droga!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sou mesmo anormal



Sou realmente um ser anormal. Percebi ontem quando vi minha mãe limpando dos olhos uma lágrima que teimou em escorrer. Ela chorava porque eu sou anormal. Enquanto as pessoas de minha idade querem aproveitar os dias de verão e as férias, eu escolho a reclusão. Eu só penso em ficar no meu quarto sozinha, de preferência dormindo com uns comprimidos fortes na cabeça. Ela não pôde esconder de mim sua mágoa por eu ser assim, mas o que posso fazer? Eu não gosto do calor, nem do sol e nem das pessoas. Eu quero dormir o máximo possível, pois assim que acabarem-se as minhas férias, serei forçada ao convívio novamente. Quero paz e a única forma que encontro é sozinha comigo mesma no meu quarto escuro e vazio. Nunca fui nenhuma santa, e nem quero me tornar. Não posso agradar as pessoas ao meu redor... isso me entristece muito, mas ao mesmo tempo, não tenho a mínima vontade e nem a mínima coragem de fazer algo por elas. Lamento muito, mas sou assm e não posso mudar. Dormir é melhor que morrer para elas, então continuarei dormindo para não tirar minha vida. Infelizmente não tenho forças, e sinto estar nuncírculo vicioso, quanto mais durmo, mais quero dormir... quando tenho que sair de casa, isso para mim é um verdadeiro martírio... tenho apenas engordado muito e ficado muito triste o tempo todo. Tenho mil opções de lazer, tenho carteirinha de clubes, tenho paretes na praia, mas não tenho coragem mesmo de sair do meu porão... Desculpem-me minha mãe e meu filho...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Augusto dos Anjos Revisitado


Sou uma grande fã de Augusto dos Anjos, ele fala tão lindamente tudo aquilo que sinto. Uma vez um amigo meu me disse para parar de ler "essas coisas" (Schopenhauer, Augusto dos Anjos, Camus...) porque elas estavam me influenciando. Esse tal amigo realmente não me conhecia... e nem sabe que nós escolhemos as leituras que fazemos e não são elas que nos escolhem. Se leio tais autores é porque me identifico com eles. Tentei muitas vezes ler Voltaire, Montainge, Jane Austen, mas não consigo passar de três ou quatro páginas. Quando pego um Edgar Allan Poe, por exemplo, leio atentamente e nem percebo quando chego ao fim... E quando leio Dostoievski então? Nossa, algumas passagens dele parecem ter sido escritas por mim. Poesia é algo que realmente tem que tocar na alma para a gente gostar. Um autor que me toca profundamente é Augusto dos Anjos. Esse poeta é sensacional. Ele consegue ser um existencialista materialista por incrível que isso pareça. Como eu! Sou uma materialista incorrigível, mas ao mesmo tempo tenho minhas preocupações existencialistas que me consomem o tempo inteiro... algumas contradições incrivelmente estranhas. 

Sou uma sombra, venho de outras eras, do cosmopolitismo das moneras... sou um pólipo de recônditas reentrâncias... Filho do carbono e do amoníaco, monstro da escuridão e rutilância, sofro desde a epigenesis da infância a influencia má dos signos do zodíaco. 

A mão que afaga é a mesma que apedreja; e o verme anda a espreitar os meus olhos para roê-los e há de deixar apenas os cabelos na frialdade inorgânica da terra...

Lindo, não?

Doença da alma




Algumas pessoas sofrem com câncer, outras têm úlceras ou são cegas... E algumas pessoas sofrem de um mal que não tem nome. Não é esquizofrenia. Não é loucura nem demência. Não é diagnosticável, mas é uma doença terrível. Essas pessoas abordam no meio da noite com ânsia e tremedeiras, suando frio, com o coração palpitando. Essas pessoas correm ao pronto socorro na expectativa de serem diagnosticadas, de conhecer um nome, qualquer nome para essa súbita crise, no final das contas o médico simplesmente lhe olha bem na cara e diz? isso não é nada. Como nada? e isso tudo que estou sentindo? o médico rebate: sua pressão está normal, sua glicemia também isso isso e aquilo estão ok. E agora? Então essas pessoas decidem fazer exames mais profundos, como uma ressonância magnética, acreditando piamente em um simples nome de doença que irão tratar. Você não tem nada, diz o médico com um sorriso sádico. Essas pessoas então desistem de procurar respostas e se conformam com rótulos como stress ou síndrome do pânico. Fácil. O difícil é que aqueles que estão de fora aceitem esses dois problemas como uma doença. todos dizem que é "frescura" ou que "você deve pegar mais leve". Não! Não é bem assim! Eu não escolhi ter nada disso, minha alma foi acometida por essa doença terrível, somente aqueles que sentem o mesmo sabem do que falo... O resto jamais poderá imaginar o que é sofrer dia e noite, sem hora marcada, com essas crises horríveis e implacáveis.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Queria evitar...



Estava evitando entrar no blog, pois ao entrar aqui nesse meu espacinho tão pequeno no universo da internet alguns dos meus sentimentos fluem livremente... sinto-me livre aqui, este é o único espaço que me proporciona essa fluidez inexplicável. Enfim, queria fugir daqui, deixar meus sentimentos enterrados por um tempo, mas não pude evitar... Relendo alguns de meus textos minha cabeça doentia volta a funcionar.

Andei pensando, como é bom ficar mais velha! Sim, estou dizendo isso não para contrariar o mundo todo, nem para ser sarcástica com aqueles que buscam a juventude eterna. É bom estar mais velha, pois sinto-me aprisionada em um corpo mais jovem do que a minha idade mental. Acho que tenho pelo menos uns 3 mil anos, não de sabedoria, infelizmente ou felizmente, sei lá, mas de cansaço extremo. De vontade de morrer, de sumir, de ser um completo nada....

E sinto que essa vontade não tem apenas se intensificado, como também provado a mim mesma que eu sou o que sou independentemente da idade. Era assim aos 15 sou assim aos trinta e não prevejo mundança para os 45  ou 60 anos, se é que viverei até lá...Obviamente a vontade, esse sentimento de nulidade total toma dimensões diferentes, não reluto mais, não brigo mais com essa visão de mundo. vejo que essa gnoseologia é intrínseca, não deve ser mudada e ponto. Sim, não posso negar que às vezes quero muito mudar... já até caí na cilada do cartão de crédito em busca da felicidade... Ser feliz é, no entanto ser indiferente à dor. É ter um ofício e se entregar a ele de corpo e alma. talvez se eu tivesse estudado engenharia, ou química como cogitei antes de cursar letras... Nas letras não encontrei minha salvação, encontrei um caminho tortuoso. Não gosto de minha profissão porque sei que não posso mudar nada. Sei e não quero mudar nada, antes que as línguas afiadas me encontrem.

Sim, dar aulas... uma droga ser mestre dentro de uma sala onde você se sente ameaçado, acuado e ridículo... quem é professor e encontrou o seu caminho, meus parabéns! invejo todos vocês. Eu não encontrei, sou apenas um boneco do sistema... não nasci para isso, nasci para morrer e essa é a minha única verdade.

Procurar outra profissão? não gosto de nada. Fazer outro curso? sinto-me muito, mas muito velha para isso. Só restou-me acomodar onde estou. e assim me sentir infeliz o tempo inteiro. Só poderia mudar se o passado tivesse sido diferente, hoje é tarde demais.

Sinto-me completamente vazia



Como é bom estar em férias! Sinto-me completamente vazia, sem stress, sem crises de pânico, sem depressão... e agora consigo entender como os seres humanos são cruéis consigo mesmos e com seus semelhantes... Tanta disputa, tanta arrogância, tanta competição, tanta tanta tanta!!!! Minha mãe diz para eu me colocar diante do mundo com indiferença. Mas não dá, já cansei de repetir que não sou monge budista! Oras! Minha mente está vazia, tenho dormido até as 11 e a tarde descanso e a noite vejo Luciana Gimenez. Não quero nem saber de ler um livro, chega de ser envenenada com idéias que me perturbarão a cabeça! Pelo menos com a Luciana Gimenez eu aprendo a ser mais vazia ainda!!!! Mais mundana... (desculpem-me os intelectuais, mas acabei de terminar um mestrado de 3 anos de privações, agora deixem-me ler revista Caras, por favor!).Tenho aplicado teorias de Jameson sobre o pós-modernismo, e ele tem realmente razão... que mundo fragmentado é esse Jesus? Que mundo despolitizado e indiferente? Por que só eu devo relutar contra tudo e contra todos? Ta bem, continuo sendo esse ser estranho de idéias incomuns... não dá para mudar assim tão rápido, mas não vejo a hora de me aposentar e poder dormir muito... Se não podes morres, durma! Não posso, não devo e tenho medo. Resolvi dar uma chance para esse mundo e não vou morrer tão cedo não. Existem coisas boas, claro que existem, dormir é uma das melhores... outra coisa boa é ficar sem fazer nada e nem escrever nada! como é bom! Ao escrever, inevitavelmente a gente traz à tona sentimentos que deveriam estar bem trancadinhos ou nem mesmo existir... enfim, resolvi postar essa droga aqui hoje só para quebrar um pouco a minha rotina da tarde nesses últimos dias...