sexta-feira, 30 de julho de 2010

Um pouco sobre o determinismo social

Já que no post anterior falei de condições adversas, de lutas infindáveis, gostaria neste post falar um pouco do que penso sobre o determinismo social. Quero fazer um relato rápido e pedir que meus leitores complementem com ideias mais apuradas mais tarde. Bem, ouvi esses dias na televisão, em algum jornal da vida, que cerca de 58% dos brasileiros mantém-se no mesmo nível de escolaridade dos pais, ou seja, apenas 42% conseguem fazer um segundo grau ou uma faculdade. Outra estatística é que a grande maioria dos jovens arrumam empregos semelhantes a de seus pais, com salários abaixo ou um pouco maior. e na vida adulta até a aposentadoria, as funções e o salário variam pouco. Quem consegue, afinal, quebrar esse determinismo histórico e social? alguns poucos eleitos, um exemplo disso é nosso atual presidente que, mesmo sem escolaridade alguma, chegou no maior cargo de um país. Mas temos poucos, muito poucos exemplos a dar, o que faz esses poucos eleitos chegar a tal ascensão? Sorte? Networking, Oportunidade? Garra? Sinceramente não sei a resposta.

Se pensarmos em todos nós, cidadãos mundanos de um sistema chamado capitalismo, o que se pode fazer para vencer os obstáculos? Estudar feito louco? correr atrás de oportunidades? Não! Definitivamente o mundo não tem lugar para todos, nem mesmo para os que batalharam, minha vida não é de méritos, e sim de acasos (além disso, não me tornei nenhuma milionária e nem tive um cargo estupendo!)  Minha vida definitivamente foi um pouco melhor do que a de minha mãe e minha avó. Eu fui, fiz minha parte, mas o que consegui tantas outras pessoas poderiam ter conseguido também! Pessoas melhores do que eu! Mas sei lá, talvez tenha sido favorecida pelo acaso, ou pela "sorte", ou por "Deus" (ironia para os mais afoitos). Na verdade eu atingi uma certa evidência na vida, mas isso corrompeu a minha personalidade. Tornei-me mais bruta e mais egoísta. Tornei-me mais desconfiada de tudo e todos. Atormentada, com medo de perder o que havia conquistado. Hoje, sem mais o que perder e sem mais forças para batalhar novamente um posto mais elevado, consigo enxergar como corrompi a minha via, como corrompi o meu "destino", o que me estava determinado! E sabem por quê? Por que sou mais inteligente que os outros? Porque sou mais bonita? ou pelos meus incontáveis sapatos (bem esses são aquisições novas rs)? Não, nada disso! Uma força análoga a humilhação, ao descaso e ao desprezo.

Foi em verdade isto! como minha mãe diz, sou fera ferida, mas  tornei-me fera após ter sido ferida, não antes. Se não me sentisse tão inferior a todos, se não me sentisse tão magoada e odiada, se fosse uma pessoa "normal", não teria feito nada do que fiz. Sei que todas as pessoas do mundo passam por situações de humilhação, ofensa, desprezo... mas cada um reage de uma forma e a minha reação foi meu orgulho próprio dilacerado, mas ainda capaz de alguma coisa, capaz de tentar provar para todo mundo e para mim mesma o que nem eu e nem ninguém acredita: no meu valor.

Na contra mão

Sempre, sempre na minha vida eu nadei contra a correnteza. Eu nunca tive condições e estudar em uma escola particular, e esse era meu grande sonho. Eu concluí o colegial em escola do estado. Em compensação, minha querida mãezinha, na verdade minha avó (DEP) pagou um curso de inglês para mim. Em três semestres consecutivos ganhei o diploma de melhor aluna de todas as escolas da cidade de São Paulo (naquela época as escola de inglês tinha um único dono, hoje elas são filiais). Bem, com isso acabei ganhando uma bolsa de estudos para continuar o curso. Mesmo com toda dificuldade para concluir, pois conforme os livros iam avançando, os alunos iam desistindo e as turmas se fechavam. Tive que mudar de Campus várias vezes até parar em Santana e concluir lá. Quando estava no último ano, um professor meu , no final da aula, me chamou e perguntou se eu tinha interesse em lecionar lá. Disse que sim, e ele me explicou o procedimento. Pagavam muito mal, mesmo assim eu topei, mas quando cheguei ao lugar onde seria entrevistada, obviamente depois de algumas provas, fiquei chocada, e pensei que jamais conseguiria uma vaga. Ali estavam pessoas bem mais velhas que eu, com experiência, viagens internacionais, cursos em Nova York e Londres... quase chorei naquela maldita salinha de espera, na verdade ali era uma "vanity fair", uma feira das vaidades... Não sabia que nada daquilo iria contar na hora da dinâmica. Todos aqueles que mais levantavam suas crinas eram os que mais envergonhados ficaram na dinâmica! Relutado saiu no dia seguinte: Eu tinha sido aprovada para o treinamento! Fiquei feliz, pois eu imaginava que a minha chance era zero, por não ter nada daquilo que meus colegas tinham...Comecei a trabalhar lá. Eu saí do nada para lecionar numa grande escola de inglês (pelo menos na época era assim). Eu ouvia pessoas dizendo que eu não iria longe, pois eu não poderia passar de uma recepcionista de alguma transportadora do Parque Novo Mundo. Imaginem só, essa aí, que não tem nada, que não tem educação! Não vai durar esse seu sonho!

Pois não é que vinguei e permaneci na escola por alguns anos, até que um dia, já formada em letras (pois é, também bolsista), tive uma proposta muito boa,de trabalhar em um laboratório de línguas com o público de letras em uma grande Universidade. Como sempre, não tenho nada a perder, fui. Novamente ouvi chiados de pessoas dizendo que aquele emprego era uma merda, ou que eu não tinha capacidade pois era muito nova entre outros maldizeres. Trabalhei lá até o dia que o laboratório fechou-se, em 2005. Entrei lá com apenas 20 anos, uma responsabilidade imensa encarar pessoas muito mais velhas que eu, alunas que me subjugavam por minha aparência juvenil. Pois bem, fiquei triste e desempregada, mas a mesma universidade abriu uma vaga para professor de Inglês Instrumental. E eu, mal sabia o que raios era esse tal de instrumental. Meu ex-chefe me indicou para o cargo. Fui até o diretor do curso que olhou meu currículo e disse que a vaga era minha. E só de pensar quantas e quantas pessoas haviam se submetido a testes para a tal vaga, eu entrei assim, de boa... muito provavelmente pelas boas palavras de meu ex-chefe.Novamente, eu, uma menina de 25 anos, com aparência de 18 (eram o que falavam de mim por lá), teve de enfrentar salas e salas cheias de alunos, cada sala com aproximadamente 80 pessoas. Lá estava a própria insegurança fingindo ser a pessoa mais segura do mundo (se assim não fizesse, perderia toda a minha "moral" com a sala, isso a gente aprende com alguns anos de magistério).

E hoje, divagando sobre a minha vida profissional, penso que eu jamais poderia ter chegado onde cheguei, jamais. Uma semi-analfabeta, saída de uma escola pública falida, eu, que comia macarrão naqueles pratinhos azuis e tomava leite com achocolatado também nas canequinhas azuis. Não! eu fiz tudo errado. Eu deveria ter permanecido na minha condição. Não devia ter quebrado essas barreiras que a natureza me impôs, deveria ter procurado um emprego numa transportadora... quem sabe hoje teria uns 3 filhos e um monte de roupa suja para lavar... quem sabe eu não teria tempo de ler filosofias baratas.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

um pequeno caso


Bem, como já iniciei no post abaixo um pouco da vida de uma criança, hoje quero comentar um caso que acho estranho, apesar de não mais me revoltar contra mais nada nem contra ninguém, não vale a pena derramar seu sangue por ninguém nesse mundo. Pois bem, essa criança sempre teve dificuldade para amr o próximo. Sim, ela aprendeu a respeitar (até certo ponto), aprendeu a aceitar (até certo ponto), mas não aprendeu a amar. Vocês por um acaso conhecem alguém que nunca amou? que nunca se apaiixonou de verdade? Sim, estou falando do amor de Eros! Eu conheço apenas essa criança. Ela teve o dom de sentir o amor ágape e philos, principalmente philos, e é desse amor que prciso, aqui versar.

Philos é o amor que se sente por um filho, um irmão um primo,aquele que você sente sem saber porquê. Bem, se nunca amei pelas flechadas do cupidio, também nunca fui correspondida pelos meus amores filiais. É um pouco difícil de expor essa situação, mas vou reduzí-a a um único caso. Uma criança que cresceu com a nossa infante, na verdade nossa criança é bem mais velha, uma faixa de dez anos. Quando essa criaturinha nasceu, nossa criança sentiu=se tão alegre, porque aos 9 ou dez anos de idade já se tem alguma personalidade formada. Nossa criança meio que "adotou" a outra criança: ensinou-lhe, com o temppo algumas coisas, como, por exemplo, ler Edgar Alan Poe e ouvir Iron Maiden e Metálica (rs). Claro que não poderia de mencionar sua visão deturpada do mundo... mas com o passar dos anos, a mãe da pequena criança começou a não gostar de certas atitudes, de certas amizades que sua filha estava arrumando. Nossa criança sentia, do fundo do coração que seu amor fraterno era correspondido. A criancinha gostava de estar em companhia da outra criança, que não era nada mais nada menos que sua prima e morava praticamente na mesma casa, no mesmo quintal onde minha avó fez casa para as duas filhas.

De repente a criança menor começou a se afastar, não sei se por influência de sua projenitora, ou por própria decisão, até hoje não entendo. O que sei é que todos os irmãos dessa criancinha também não gostavam da nossa criança, mesmo sem razão alguma! No fim, nossa criança sentiu, aos 16 anos que o amor philia só pode existir de sua parte, nunca será correspondido. Nossa criança sabe que, no fundo, a única pessoa que a amou verdadeiramente, uma amor puramente ágape e Philia foi a sua grande protetora, a avó, mais ninguém. Estranho, às vezes penso como uma máquina, às vezes penso em amor, embora minha visão seja trágica em relação a isso... mas essa é a vida a eterna contradição

Abraços.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Crenças

Como pode uma criança crescer sabendo que é motivo de desgraça da mãe, o pai sumiu, a rejeitou e, mais tarde, essa criança, já adulta, descobre que até aborto ela foi possibilidade; como deve ser a mente de uma criança assim? Assim, que além de tudo teve de crescer na casa de pessoas que a desprezavam, que a humilhavam e ofendiam o tempo todo - ora falavam mal de seus cabelos, hora de sua cor, ora de suas pernas finas... depois falavam de seu extremo amu gosto para se vestir, sua educação mal-formada, seus dentes que cresceram tortos. Essa criança tinha uma alma protetora sim, tinha alguém que fazia por ela o que pudesse  e o que não pudesse, mas mesmo assim, ela foi crescendo e criando crenças sobre si mesma - sobre sua feiura, sobre seu mau-gosto, sobre seu jeito de ser... Essa criança foi rejeitada de duas formas: uma silenciosa, a outra muito barulhenta.

Essa criança cresceu querendo provar a si mesma e ao mundo que não era bem assim, que ela tinha algum valor, alguma beleza (que fossem apenas os olhos), que havia dentro dela um potencial de inteligência maior do que aqueles que a humilharam.

Bem, cresceu e tebtou tudo isso, mas hoje continua a ouvir os ecos da sua inutilidade perante o mundo, e desses ecos, esdendeu-se a sua concepção de vida: ninguém tem valor algum, pó ao pó como dizem os bíblicos. Somente o pó restará! Então, para que tanto investimento de tempo, de leitura de tentativas de mostrar seu bom gosto???? Nada disso valeu pena, e nunca valerá!

Essa criança deve dormir e despertar o adulto rebelde? ou essa criança nem deveria nunca ter nascido? que o aborto fosse concretizado! Por que maldição não se realizou esse aborto? Eu não teria coragem de abortar um feto, não por questões morais, religiosas, etc... mas pela ordem da natureza. No final das contas, quem sabe essa criatura não queira viver? É o que estou percebendo nos olhos de minha criatura, diferente de minha postura, parece-me que não nascceu com a maldição genética de minha parte, além disso, não tem sido humilhado e nem ofendido por ninguém. Pois caros leitores, como advinhar se a jornada de uma vida que nasce será boa ou ruim?

O fracasso é a morte social do indivíduo


Ao ler o blog de um de nossos colegas daqui, que cersava sobre o fracasso, pensei nessa frase a qual serviu-me de título para esse pequeno post. Já repararam como os "fracassados" os "Mal- sucedidos", os desempregados e os mendigos (já chutando de vez o pau da barraca) são criaturas desprezadas? Criaturas sem valor, criaturas ignoradas??? Pois é, o fracasso é a morte do indivíduo social. E uma morte muito ingrata, pois além de você estar materialmente vivo, respirando, vendo, ainda tem que escutar as frases de escárnio alheios. Sou uma fracassada, a vida inteira fui, mas tive de me disfarçar de heroína, de leoa por muito temo. Hoje, em casa, eu posso ser quem sou, e isso me deixa um pouco menos frustrada. Meus recursos logo se acabarão e terei de, novamente pregar uma máscara à cara, mergulhar meu cadáver em formol para poder caçar o meu pão. Lamentável...

Eu levo tantos nomes trabalhando duro, imaginem o que não tenho que ouvir por estar desempregada e passar por cima de tudo e de todos ao querer me manter dessa forma até onde der. Preguiçosa, vagabunda, folgada... Ah, como me soam bem esses adjetibos todos! Como queria ser realmente uma folgada e dormir o dia todo com sono natural, acordar sem preocupações, sem tédio, sem tristeza... Seria-me uma "subida de posto" na vida...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Trabalhando novamente...


Olá amigos e inimigos! Bem, estou postando com menos frequência porque estou traduzindo alguns artigos acadêmicos na área de Administração... meu tempo está todo dominado, pelo menos por alguns dias, pois é um free lance. Mas é bom lidar com  o texto, com as palavras, com as escolhas apropriadas dos termos... Sempre fiz traduções paralelamente às aulas, no entanto, agora vou tentar sobreviver um pouco disso. Esse é um dos meus projetos. O outro é voltar a estudar. Já me matriculei como aluna especial para assistir aulas sobre cinema Irlandês contemporâneo) antes que me perguntem, por que Irlandês? - Sou alucinada por esse país, estive lá em 2007 e nunca mais consegui tirar as maravilhas de lá de  minha cabeça).

A Irlanda é um país católico, antes que comecem os açoites, sim, mas eles são bem diferentes dos católicos tupiniquins. Fora que a mitologia celta, relembrada por Lady Gregory e Yeats na modernidade Irlandesa , que fez os irlandeses observarem grande valor literário e o potencial que o país tinha, por isso, em 1916 (isso e outras coisas, não quero ser reducionista), a Irlanda inteira se revoltou contra o Reino Unido pedindo sua liberdade. Sim a Irlanda foi colônia inglesa até 1921!!!! Enfim se for para falar desse país eu ficarei aqui até amanhã; E sabem o que eles têm de melhor por lá? A música tradicional e os pubs rs. Enfim, mais um projeto futuro, passar uns 6 meses na Irlanda.... A vida não faz sentido mesmo, disso já cansei de me expor, no entanto, enquanto eu estiver viva, devo procurar coisas que amenizem a angústia existencial. Meu caso é bem interessante, pois luto contra todas as minhas forças para sobreviver, para "amar o próximo" e, obviamente, para caçar algo que me dê um mínimo de contentamento descontente!

Abraços.

P.s. o quadro do Munch não tem muito a ver, mas pensei um pouco na contemplação olhar os templos internos e externos do seu ser... no caso mais interno rs. Uma busca dentro do sefl por resposta a uma única pergunta: "O que devo fazer, afinal?"

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Oração


Deus, iluminai o caminho de certas pessoas que em ti não creem;
Cubra com sua infinita luz os olhos daqueles que enxergam a miséria, a fome e a morte.
Cegue-os com sua explêndida claridade, para que virem seus cordeiros e abandonem a ciência decadente;
Mostre-lhes que o niilismo é falso, pois o senhor está acima de todas as coisas, sendo assim, o nada não existe e o niilismo se torna impossível;

Vossa onipotência e onipresença são insuperavelmente melhores, com esses vossos dons, tendes às mãos a cura para todos os males! O homem não precisa de ciência!

O homem também não precisa de filosofias vãs, ele deve ser vosso cordeiro e vos obedecer até a morte!
Não, o homem apenas necessita de pão e de fé, nada mais. Com vossa divina sabedoria, recaia vossa mão sobre essas almas desgraçadas e dê-lhes o pão e a fé, assim tereis de todos a obediência servil que tanto necessitas!

Deus onisciente, seu filho já veio aqui pagar todos os pecados do mundo, então porque não torna a terra o melhor de todos os paraísos? Oh senhor, desculpe-me a pergunta! esqueci que devo obedecer a vós sem jamais questionar!

Deus, louvado sejais com todos os seus poderes, com toda a sua ação sobre a terra! Para que buscar no mundo bobagens como sabedoria, esclarecimento, conhecimento, se apenas vós é capaz de tudo? Obedeçamo-vos, assim, e dessa maneira deixemos com que a terra siga seu perfeito curso natural, vejamos a harminia que existe entre os seres, que jamais se conflitarão, pois suas cabeças precisam estar com o pensamento sempre em vós!

Acabam-se automaticamente as intrigas, a arrogância, a inveja e a impetulância! Osa seres que em vós confiam são puros, são perfeitos, são anjos! aqueles que creem em ti não são homens maus, não fazem injustiças e nem julgam o seu semelhante.

amém
Graças a deus
louvado seja
(para aqueles que não entenderem o texto: é virei crente agora.)

Uma imagem vale mais que mil palavras! (às vezes)

Eu me lembrei do Archetype e do Tcm rs... a cultura nórdica é linda, muito mais rica que a cristã e muito mais próxima da cultura greco-romana antiga tb. Espero que curtam a imagem!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Desabafo do dia


Quando alguém o persegue incansavelmente apontando as suas feridas, os seus erros, tenha certeza de que essa pessoa é invejosa, quando tentam me desmerecer, eu não me importo, mas gosto de relatar aqui no blog esse tipo de coisa. Bem, quando eu passei na usp sem ter estudado em escola particular e nem ter feito cursinho algum, uma pessoa de meu círculo virou para mim e disse que eu tinha muita sorte... depois essa mesma pessoa disse que a filha dela havia passado na São Marcos e que, de acordo com não sei que pesquisa, a São Marcos era melhor que a USP. Na primeira vez eu apenas franzi a testa, pois achei que não deveria dizer que dormia e acordava em cima de livros, dividindo meus estudos com meu emprego de professora de inglês no CCAA. Da segunda, não mais pude deixar de observar como o egoísmo cego das pessoas as faz patéticas, e com minha cara irônica que a combinação genética de papai e mamãe me deu, olhei para a tal fulana e perguntei: Mas que pesquisa é essa? qual a fonte, a revista Veja ou sua cabecinha desmiolada? Desse dia em diante tornei-me inimiga mortal da tal pessoa... Mas pensando bem, hoje talvez quem se forma na São Marcos é melhor do que eu e os uspianos da minha laia... Alunos formados em certas universidades saem prontos, aliás programados para trabalhar em serviços patéticos. Da usp só tenho a lembrança de grandes professores, mestres e amigos... mas lá eu não aprendi a competir, não aprendi a puxar tapete, não aprendi a ser falsa... talvez esse seja o meu maior pecado.

No fundo, eu tenho dó de pessoas invejosas e venenosas, sei que todo o ser humano tem uma pontinha de inveja de quem está acima, eu morro de inveja da Cláudia Raia (rs)... Morro de inveja do acervo de minha orientadora de mestrado, do acervo de livros e do acervo "mental".

No final das contas, o pior infeliz é aquele que tem inveja mesquinha, que quer acabar com o outro, mas no fundo queria ser como ele... tenho pena (não aquela misericórdia cristã), pena pois as cabeças da grande massa são assim, desse jeito. Eu invessti muito de meu tempo, dei meu sangue e suor e blá blá blá para ter uma vida digna, e no final descobri que não existe vida digna dentro desse siitema horrível, dentro de todo esse caos. Por isso abro mão do magistério e me lançarei a outras dimensões. Em breve eu as divulgarei.

Quem disse que estou mais feliz, engana-se, estou mais centrada, alguns coquetéis fazem milagres com seu cérebro, fabricam serotonina o suficiente para você não desistir de quem ama você de verdade. Se contasse unicamente com meu cérebro, não sei o que seria de mim, mesmo. Terapia? ah, parece-me piada... o psiquiatra insiste na ideia e eu digo que sim, estou fazendo! Mas meu problema é químico !!!!Não fico deprê porque não comprei um chanel ou porque não comi um chocolate, ou porque levei um fora. Essa tristeza vai muito além! A propósito, devo confessar que meus pais, ambos, usam medicamenttos antidepressivos! Ora, depois vem um lacaniano maluco dizer que não é genético! faça-me o favor... por que quando acho que estou bem e largo meus tratamentos minha vida se torna um inferno? E porque logo após uma semana de tratamento fico centrada (não feliz, centrada!!!) novamente?

Não consumam antidepressivos por impulso, por uma vida falida. Minha vida é maravilhosa aos olhos alheios, eu tomo porque preciso da química cerebral! Desistir da vida? talvez quando não fizer mais efieto... talvez nunca desistirei, não sei bem o que me reserva o futuro (ou o que me farei no futuro).

Desculpem-me amigos leais, Tcm, Archetype, ângelo, Ivan,  Rô,ulo (desculpem-se se squeci alguém, esse post é rápidez) enfim, os que sabem discutir no plano das ideias, e não no plano mesquinho do defeito humano. Esse será meu último desabafo, e uma explicação para alguns que possam sentir essa angústia existencial. No fundo meu texto jamais se destinaria a cristãos abilolados e BURROS, pois eles não têm o alcance para entender as ideias aqui postadas.

Sou uma pessoa franca, não tenho medo de ofenças (aprendi isso com duras lições), por isso meu blog é aberto a anônimos e assim permanecerá. Indignos são os que se atrevem a "tenatr desmoralizar" alguém sem identidade... ou com identidade falsa! Se eu realmente me importasse com mesquinharias, eu certamente bloquearia meu blog para comentários anônimos! São tão burros que nem pensam nessa possibilidade!

Enfim, espero que meus próximos posts estajam no nível de meus caros colegas, o pelo menos um nível mais ou menos a vocês!

Abraços Fraternos!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O Silêncio que não cala


Se você tem sapatos, amigos e beleza física, logo você é feliz, verdade? Se você expõe sua vida a público, deves saber que ninguém lhe trará flores, ninguém se consternará com sua "dor", aflições e angústias. Não! Você descobrirá quem são seus algozes, os falsos, os impuros e os invejosos. Mas existe algo muito mais decente ao publicar os tormentos de sua alma: você descobrirá na multidão alguns poucos companheiros de tormento. Alguns pensadores que vivem a esquiva, pois nesse mundo não há lugar para eles... Você descobre que não está só, que tem ao seu lado anjos e demônios. (preciso falar que é metáfórico, né? quem sabe um dia eles aprendem!)

Não me arrependo de nenhuma palavra publicada aqui, nenhum texto, nenhuma crítica, pois tudo que escrevi foi verdadeiro, ao menos do meu ponto de vista (olha o ego se auto-afirmando novamente, e o superego censurando!!!!). Cada sentimento, cada instante meus aqui foram legítimos, do fundo de minha anima (quase morta).

Descobri nesse contexto virtual que sempre existirão os anônimos que querem a todo custo acabar com você, silenciar a sua voz. Existem aqueles que, por curiosiade entram, escrevem qualquer asneira e nunca mais aparecem. E aqueles com os quais nos identificamos de forma tão graciosa, por mais que nossas "filosofias baratas" sejam distintas. E por esses cujas filosofias me fazem uma pessoa melhor é que sei que não devo silenciar minha voz, aliás, devo gritar até que meus ouvidos não mais suportem!

O mundo virtual pouco se difere do mundo real. Mas aqui eu não vejo ninguém me pedindo moeda no farol, ninguém pedindo comida a minha porta e ninguém querendo puxar meu tapete para eu perder meu emprego. Na verdade as pessoas são fantoches, meros fantoches! Quem puxou meu tapete não sabia o bem que fez para mim, pois agora darei um novo segmento a minha vida. Talvez eu fique na miséria, tenha que pedir moedas na rua, mas com alguns anos nesse mundo real em que vivi aprendi muita coisa, e delas não me orgulho nem um pouco!

No mundo virtual tenho descoberto coisas fantásticas, pessoas cujos rostos não vejo, mas que conversam com a minha "alma" (esse sopro de vida que ainda me resta). E qual o meu interesse nisso tudo? dividir, somar, multiplicar... coisas que nenhuma matemática me ensinou. Dividir dores, somar e multiplicar cosmovisões. E muito mais importante - subtrair. Extirpar os venenosos, febris e dementes! Na verdade, beber uma pequena dose de seus venenos... dando, assim, forma à minha rebeldia! Alguns sei bem quem são, estão no meu circuito (embora hoje eu não esteja mais em circuito algum).... Querem saber? para suas infelicidades eu não vou morrer tão cedo, não vou deixar de comprar sapatos e nem parar de escrever o que bem entendo! Só aqui sou livre! Ditadores, essa minha liberdade não poderão nunca me tirar! ahahahhahah

Devo assumir que não sou feliz, mas ninguém é feliz, cada um com seus problemas... acho que a inveja deve ser um sofrimento e tanto e não, não queria estar debaixo da pele de certas figuras nem por cinco segundos! que nojo!

Assim, caros amigos e inimigos, eu seguirei orgulhosamente o meu rumo, e continuarei a escrever, algumas pausas são certas, mas o silêncio que vocês tanto querem jamais! Para tê-lo basta sumir!

Abraços Fraternos!

domingo, 18 de julho de 2010

Make a chance - Kill yourself

Foto tirada em novembro de 2009, com efeitos de minha amiga Morte (Patrícia) Resolvi compartilhar com meus leitores, amigos e inimigos.


Sobre as escolhas

Sem embasamento teórico algum, resolvi escrever um pouco sobre as nossas "escolhas". Procurei o termo "choice" em um dicionário de etimologia inglesa, o qual remete o termo ao verbo choose, derivado do Inglês Medieval chusen que por sua vez derivou-se do Anglo-Saxão Kiesen (lembra um pouco "querer", embora não haja referência latina). Antes do kiesen anglo-Saxão, a palavra veio do Moeso-Gótico kiusan. É muito provável que antes do Moeso-gótico, que é um dialeto datado mais ou menos do século IV (inspirado no alfabeto grego) a tal palavra já tenha sido falada por outros dialetos até chegar à versão atual, no entanto o meu dicionário se limitou ao séc. IV. Do Moeso-gótico, a palavra kiustan aliou-se ao latim: gustare. Nesse sentido, nossos amigos ingleses herdaram a palavra de uma forma bem diferente da que se originou em português, a qual acho muito mais coerente. Choice vem de gostar, um verbo de percepção. No português, a jornada da palavra derivada do verbo escolher vem do verbo latino excolliage (colher, recolher, obter); nota-se que o verbo não mais se refere aos sentidos, ao gostar, e sim a colheita, a recolher, catar o que há pela frente (um verbo material). Sabemos que as palavras do latim sempre tem uma origem material, para assim dar vazão a palavras abstratas, a verbos entre outros termos. Pode-se afirmar que escolha é o ato de colher o que está a sua frente, a safra da época, o que está disponível.  

Digo que o português parece mais coerente não apenas pelo simples fato de que a palavra originou-se de um verbo ou substantivo (colheita) material. Essa coerência que designo ao verbo latino é para mim mais relevante, pois não se pode escolher apenas aquilo que se gosta, apenas o que se tem disponível. Se no Brasil eu quiser comer cerejas, terei de trazê-las importadas, mas apenas poderei adquirí-las se possuir dinheiro. Ou seja, nem todo o gosto se pode transformar em escolha. Eu colho aquilo que me está às mãos, o que é possível. No plano dos desejos, posso planejar sim uma escolha que eu goste, mas planejamento, estratégia e "futuro" para muitos, soa distante difícil inacessível. Por isso o que há em mãos é o que se escolhe. É mais fácil.

Um pouco além da sabedoria das palavras e suas cargas semânticas (eu adoro esmiuçar a etimologia), quero propor a discussão de tal tema, o da escolha, num âmbito mais vivencial do que filosófico, embora espere que meus leitores, a posteriori, possam complementar o texto, faz-se clara a percepção de que nós nunca aprendemos a escolher verdadeiramente, apenas a colher o que se pode pegar. Quero dizer que vivemos, comemos, bebemos e nos vestimos de forma padronizada, embora achemos que, ao chegar em uma loja de SAPATOS (rs) temos tantas e tantas opções que mal sabemos o que levar. Quanta ilusão! O que esse sistema quer? que tenhamos cada vez mais e mais! um sapato de salto grosso entra na moda para o conforto da mulherada? ou será que o salto fino cai da moda para que compremos o outro, pois é a moda? Na próxima estação inventam o salto banana, o salto Luiz XV revisited, o salto plataforma, meia pata e lá se vai. E dentre esses sapatos, qual deles podemos escolher? Obviamente o que está na moda! logo, teremos um de cada tipo ou um de cada cor de cada tipo e assim vai.

Porque trocamos nossas televisões tubulares por plasmas e LCDS? São melhores? Ou a imagem parece melhor quando estamos na loja? Já compararam a durabilidade de ambas? qual tem a maior vida útil? E o mais irônico, o mais cômico são os comerciais de televisão nos dizendo sobre a reciclagem, sobre a preservação do meio ambiente. Como preservar o que já está depredado sem papar a roda capitalista?

Mais um pouquinho de consumismo, não quero ser redundante, mas vale a pena relembrar. Vocês que são maiores de 25 anos devem lembrar dos comerciais de cigarro. A escolha do cigarro era uma escolha de estilo de visa: Quem fumava free era o moderninho, o de bem com a vida. o marlboro era o cigarro se macho men; Hollywood o das estrelas. Uma escolha muitas vezes inconscientes. Eu sempre optava por cigarros mais "doideiras" estilo Lark, Pall Mall, e L&M...

Enfim, temos essa sensação de escolha e de liberdade, mas nosso sistema nos força a sermos todos iguais e uns mais iguais que os outros. Parecemos estar anos luz da idade média, pois hoje sabemos ler, escrever, mas o sistema requer essas habilidades apenas para desempenharmos nossos trabalhos. A cultura verdadeira ainda é reservada às elites. Quem aqui tem tempo de ler pilhas de livros em uma semana, sendo que chega tarde do trabalho e no outro dia acorda cedo? Além disso, quantos analfabetos funcionais você conhece? Não aqueles que apenas saber escrever os seus nomes, mas os que leem jornais e acreditam piamente na revista Veja ou no Estadão, aqueles que pensam que o que se veicula na mídia é a mais absoluta verdade, sem nenhum questionamento de base? Eu conheço vários, muitos mesmo até formados por faculdades... Enfim, que escolha temos a não sei fazer parte de uma máquina? Os fortes são os que conseguem manipular os fracos, mas até eles tem uma função social pré-determinada, como em um formigueiro gigante. Quem se atreveria tentar revolucionar alguma coisa hoje, em tempos de desilusão pós moderna? Depois de termos vistos tantos ideais derrubados, depois de holocaustos (não apenas o judeu), depois da passividade perante as tele telas (referência ao livro 1984 que aqui emprego para designar os nossos computadores e televisores, os quais estão nos vigiando também, os canais que mais assistimos, as páginas que mais acessamos...) Jogo aqui um pouco de minhas reflexões e espero que todos possam contrubuir e me ajudar a enxergar coisas mas óbvias que, por ventura, eu tenha me esquecido ou não tenha percebido.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sou o centro do meu universo!


Eu não me atrevo a envolver-me em determinados assuntos que não são de meu quinhão. Jamais poderia discutir com um matemático o poder dos números, com um físico as leis que regem a matéria ou com um astrônomo as reais posições dos planetas e o tamanho do universo. Sou a pessoa mais imbecil de todas quando se trata de mapas, ruas, mão e contra mão... sempre digo que só ando de carro por lugares que eu conheça bem, do contrário eu me perderia e atrapalharia o trânsito! Então, para que meter meu bedelho onde não posso?

Sempre me senti uma vítima. Das pessoas, das coisas, da vida... Hoje entendo que todos somos vítimas dessa acaso todo, entendo que todos, perdidos, tentam encontrar seus caminhos, e nesses percursos entrechocam-se. Batemos as cabeças uns nos outros como ratos em uma pequena caixa. Vítima dessa mão algoz que alguns chamam de Deus, outros de acaso, destino... eu chamo de vida.

Mas apesar de cabeçadas sei que enquanto em mim há vida, há de certa forma algum valor, algum conhecimento que a muitos pode ser lixo, a outros palavras de um ombro amigo. Para aqueles que se sentem sós e desamparados, como eu me senti muitas vezes, talvez minhas palavras sirvam para consolar. Você não está sozinho! eu estou aqui provando isso, que somos pessoas diferentes, pois andamos na contra-mão, contra a correnteza. Sim, aprendi que não estou só e que algumas pessoas entram no meu blog são muito parecidas comigo... e como não amar o meu semelhante?

Fiz de minhas leituras, de minha visão de vida, de minha insatisfação e rebeldia essas letras que vocês estão livres para ler e achincalhar o quanto quiserem. Mas acima de tudo, faço as minhas letras àqueles cujos "destinos" se entrecruzam em alguma "encruzilhada da vida".

Meus conhecimentos são meus conhecimentos. Minha visão de vida é a minha concepção. Querem me tirar isso também, ditadores, inquisidores cruéis? Não! Quem rege essa orquestra maluca sou eu. E cada um rege a sua própria orquestra. Dessa maneira tudo seria muito mais fácil! admitamos, pois, que o universo não preexiste e nem "pós-existe", o universo é porque sou, e nada mais. Ou seja, tudo apenas existe porque vivo e respiro. antes de mim, o nada, após a minha breve passagem, o nada! Que se expluda a história do mundo! Quando houver a terceira guerra mundial, quero ser apenas pó  remanescente das entranhas da terra! Como não se assumir o centro, se tudo que gira está em torno de você? 

No entanto, ser o centro não significa onipotência. Sim, somos incapazes e impotentes perante a vida, principalmente em tempos pós-modernos, onde o último idealista ainda não morreu (Mandela), mas seus ideais já estão há tempos enterrados... e quantos morreram por seus ideais! Não quero ser uma idealista nesse sentido, pois nada tenho a defender.  Sou mais um produto pós-industrial, não valeria de nada tentar revolucionar, embora esse, às vezes seja em mim um desejo incessante!

Eu vivo no meu centro, e feliz é aquele que consegue se sustentar dentro de todo esse caos inexplicável! Eu posso sofrer, posso chorar, o que isso importa aos outros? Na verdade as pessoas jamais admitem o sofrimento alheio, apenas suas feridas é que doem, isso é terrivelmente engraçado - "Posso ter um sofrimento terrível, mas o outro nunca saberá a que ponto eu sofro, porque ele é outro e não eu, e além disso, um homem dificilmente consentirá em reconhecer noutro homem uma criatura sofredora (como se isso fosse um título" - Ivan Karamazov.

Os outros são um universo à parte. O meu universo é a colcha de retalhos que vou costurando aos poucos com as sobras de tecidos do mundo. eu as escolho, mas minhas escolhas são limitadas. Mas deve-se assumir a sua responsabilidade perante as coisas que vê e aquelas que não vê. O existencialismo é um humanismo, como dizia Sartre. Existir é ser eternamente responsável pela suas atitudes e até pela sua omissão! Mas não devo entrar em tal assunto agora, o texto se tornaria grande demais!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pobres de alma...

Odeio todas essas gentes que não têm sensibilidade para as letras, pobres de alma, que não sabem interpretar DIREITO um texto filosófico, que perdem seu tempo escrevendo asneiras, pois apenas sabem asneiras e de tudo que leem e veem apenas restam-lhe as asneiras.

Quando eu morrer, por favor, não deixem que essas gentes burras, esses homens e mulheres ocas visitem meu túmulo ou leiam minhas frases. Por favor impeçam a todo custo que essa gente amorfa, essa gente de olhos sujos mantenham-se longe de mim e não estraguem meus textos como o fizeram com tantos outros escritos.

Que minha humilde escritura seja mantida na paz, apenas aos olhos de quem as mereça, ao subsolo. Minhas letras são de dor, de lágrimas, sangue e melancolia. Minhas letras são apenas para serem lidas no porão, por aqueles cujos olhos sejam límpidos, sem julgamentos, sem discrepância ou distorção.

Que pereçam os imbecis, os iludidos da mentira divina, os podres de coração e vazios de mente. Mantenham-se longe de minhas palavras, pois elas são destinadas apenas aos verdadeiros guerreiros vencidos, aqueles que enxergam a vida como uma batalha implacável e sabem que nada podem fazer perante a imundíce de homens ocos, homens empalhados. Meu canto deve chegar aos ouvidos do verdadeiro niilista, aquele que sabe a verdade e a essência de tudo, o mais lúcido pensador de todos! 

Apenas assim poderei descansar em paz, não quero que minhas palavras se tornem banalizadas, mesmo porque nelas não há valor algum, pois que valor um niilista dá à vida? imagine o valor de palavras!

A chuva

O dia está frio, sombrio
A chuva, o vento, a neblina
despertam em mim
uma necessidade imensa
de sofrer.
Eu novamente me tranco no quarto
sem nada a fazer, esse é o melhor momento da vida
O nada que me cerca!
Mas a chuva novamente cai
e lágrimas de dor e desespero
lavam as ruas de São Paulo
Lavam a minha alma melancólica
o vento murmura desespero
e a neblina é a total desesperança
Desespero sem esperança!
Que triste.
à minha janela avisto um pequeno cemitério
E naquele cruzeiro vejo o meu fim
na frialdade do concreto sujo
debaixo de lápides e estátuas de anjos antigas...
Lágrimas de dor e de conforto
Chuva inquieta
Chuva incessante
Que lava e faz doer a carne
Agonia sem fim.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O tempo

Tempo de espera. Sono, marasmo... o melhor tempo que se tem, o de não fazer nada. O tempo passa lento, rastejando, mas passa. E eu, na janela a espera de nenhum tormento, de nenhum telefonema, de nenhuma pessoa em minha porta. Meu receio é que alguém quebre esse meu ritual sagrado, de não fazer absolutamente nada, apenas divagar nas profundezas de minha mente inquieta. Tempo de dormir, descansar, apagar... medo de que sonhos possiveis possam invadir meu sono tranquilo. Medo de ver e ouvir pessoas a me atormentar. Tempo de espera, espera de que o nada me abrace em um sono lento e profundo, nas profundezas do nada.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos. William Shakespeare


Gostaria de saber por que a tendência geral das pessoas é julgar as outras, rotulá-las de malditas, desgraçadas, infames... Também gostaria de entender qual é o prazer macabro de "se fazer de bonzinho tentando aconselhar os outros". Talvez a frase de Shakespeare aqui utilizada como título explique uma parte. A base do esclarecimento é a tolerância, e o que as religiões do mundo, os berços de toda a ignorância, nos tem mostrado ao longo dos séculos é uma intolerância brutal, uma busca incessante pelo poder, pela vitória, conquista e honra!

No final das contas, todos irão morrer e apodrecer da mesma maneira, e se houvesse realmente um tal de deus, o reino dele seria dos ateus, pois como são ordinárias as atitudes de crentes! Como são falsos, dissimulados, mesquinhos e além de tudo isso (na verdade todo humano é assim, características da espécie.) ainda querem se intrometer na vida alheia, jogando na cara das pessoas que elas têm dois olhos, dois braços, um cu! Que porra é essa? Do que importa ter tantas coisas e saber que nada vale a pena?

Por que os seres humanos não se concentram em suas próprias vidinhas medíocres e deixam que nós, ateus, apodreçamos? Se você não têm o que quer, e quer o que o outro tem, transforme essa energia de inveja em algo construtivo para si mesmo, vá trabalhar, vá cuidar de mendigos, crianças com câncer! Canalize seus sentimentos para o bem, já que acha que deus está lhe esperando de braços abertos! Mas se continuar tentando, a toda maneira fazer do outro seu alvo de injúrias, o capeta vai  receber você de braços bem abertos! Alguém aí conhece um exorcista para tirar esses demônios da minha vida?

domingo, 4 de julho de 2010

Um pouco mais sobre educação (Em resposta ao comentário de uma professora)


Professora anônima, eu preciso discordar com você em alguns aspectos: Primeiro que conheço muito analfabeto que sabe mais do que eu, que sou  uma bosta de mestre; segundo, nada está nas mãos dos governantes, e sim nas mãos da classe média, que é quem paga impostos e deveria ter um pouco mais de esclarecimento para reivindicar as coisas. Mas essa classe da qual atualmente pertenço, e me envergonho todos os dias por isso, é amorfa, inerte, entorpecida por drogas como novela, futebol e jornais... Enfim, a base do esclarecimento deve ser uma iniciativa própria, mas como contrariar a natureza e o curso das coisas? Se “deus” (ironia de novo, pelo amor de deus hein!!!!) quis assim, o que se pode fazer? Como transformar o rebanho em criaturas conscientes? E como criaturas conscientes, como conter o impulso instintivo de dominação, imaginem só todos querendo dominar ao mesmo tempo! Seria uma aberração! Pelo momento, só devo lastimar a minha classe por estar presa, sendo que poderíamos ser cordeirinhos mais rebeldes, no entanto sempre cordeirinhos... e nossos pastores, espera deles misericórdia? O homem é incapaz de misericórdia, mesmo sendo cristão, pois todas as suas ações são sempre justificáveis em seu próprio ponto de vista (veja que todos nós fazemos o mesmo!!!!)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Você tem do que se orgulhar?


Definitivamente não! Não é porque você se formou numa bosta de curso superior que você seja alguma bosta. Não é porque você fez alguma merda de pós-graduação é que você é uma Grande Bosta, nem se você é mestre ou doutor pela melhor universidade de sua cidade que você deve se orgulhar, você é apenas mais um bosta e não "O bosta" ou "a Bosta" !

Eu teria orgulho de mim mesma se tivesse estudado biologia e hoje tentaria salvar o planeta como alguns poucos alucinados que acham que vão conseguir derrubar o sistema capitalista criador de lixo e lixo humano. Acho que esse sonho me faria orgulhar-me de mim mesma. Ou se eu fosse médica e salvasse algumas vidas por dia, acreditando na humanidade! Sim, daí seria orgulhosa e estufaria o peito em falar de estatística de morte e vida. 

Teria orgulho de mim mesma se eu fosse uma grande religiosa que salvasse almas perdidas por aí, mas sou descrente e isso todos julgam ruim. Se pudesse me orgulhar de alguma coisa, eu me orgulharia de minha coleção de sapatos, tão criticada por todos, inclusive por mim mesma... mas na ânsia de querer agradar as pessoas, de tentar ser igual a elas, meus sapatos estão apenas guardados, pois nunca consegui usar um quarto deles... só me sinto bem de tênis e bota sem salto . Sim, para agradar os outros! (irônico, não?)

Como sou vil! Agora se eu matasse um monte de gente, aí sim eu deveria me orgulhar! Fazer uma limpa na sociedade! Brincar de deus! Mas nunca olhei sequer para um ser humano sem que meu coração sentisse por ele um afeto inexplicável, desde o cobrador de ônibus que pego até o doutor mais ferrado da usp, todos eles me fazem sentir que o ser humano tem seu lado bom.... nunca consegui odiar ninguém por mais de dois ou três segundos! Sinto pena de todos nós! Sinto pena de mim, de vocês todos, porque sei a verdade e muitos a ignoram! A única verdade que temos é a nossa aniquilação! Então, do que se orgulhar? 

Um eterno conflito entre o ser e o não ser... uma eterna luta entre amar a todos e não amar ninguém....