quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Onde é meu lugar?

Nesse mundo de absurdos incalculáveis, nessa bagunçada disputa por status, por poder, dinheiro e reconhecimento, eu me sinto completamente perdida, uma estranha num país estranho. Queria fechar os olhos e acordar em uma nova realidade, ou mesmo nem acordar mais. Algumas coisas na vida valem a pena sim, não posso negar que existem certos encantos, embora poucos, na vida. No entanto, a maior parte do meu tempo é dedicada à solidão de meus pensamentos, de minhas angústias e dúvidas existenciais.

Eu não nasci para vencer, pois não tenho um espírito competitivo. Meu espírito é leve, calmo e confesso que as armadilhas mundanas me deixam um mal-estar terrível. Eu apenas procuro paz. Quero ficar longe das intrigas, fofocas e desentendimentos, tudo isso me desgasta muito, fico triste, desamparada e ansiosa.

O trânsito de São Paulo retrata bem esse "domínio competitivo e agressivo" de nossa sociedade capitalista selvagem. Percebo como as pessoas se estressam com o trânsito parado, como xingam aqueles que querem mudar de faixa na pista, ninguém cede lugar a ninguém, todos querem levar vantagens e chegar primeiro, não importa se alguém será atropelado nessa corrida maluca. Sair de carro me dá náuseas. Da mesma forma como se comportam no trânsito, os cidadãos de São Paulo (e de outros lugares também) querem chegar sempre em primeiro lugar, querem sempre vantagens e mais vantagens. Mas serão eles realmente os culpados? Às vezes sinto que fazemos parte de uma experiência como aquela em que se colocam muitos ratos em um espaço pequeno e ali todos lutam contra todos. Eu realmente não queria fazer parte disso, então o que há a fazer? Onde devo me colocar? Como devo agir? O que fazer para não ser devorada pelas feras?

Tornar-me uma fera também? Mas como? não consigo! O que vocês fariam se se sentissem assim?

domingo, 9 de janeiro de 2011

Linhas soltas


Um sorriso, a embalagem de mil desventuras
de angústias, insônia e repulsa.
Um ódio reprimido em olhos cheios d'agua
que cai pela face mas não lava a alma.
Um estômago afetado pelas úlceras dos venenos de cada dia,
pelas drogas de cada noite mal dormida.
Quem fita de longe o horizonte tem a impressão
de que a terra é imensa, de que o mar é infinito;
mas o universo está muito além do que se pode enxergar, é sempre uma grande incógnita.
O rubor da face envenenada de inveja, injustiça e má sorte...
Que se pode fazer quando não se tem vontade de fazer?
Que se pode esperar de um cadáver? apenas a podridão e a fedentina!
Não encare fundo nesses olhos sujos e cinza, lá dentro há apenas o vazio
o nada da existência que nunca prometeu nada, mas que sempre deixa no ar
uma expectativa que logo se frustra
E a rosa da mais bela rainha há de murchar, virar folha seca e voltar para o pó.
O que resta da vida senão o pó? O que se pode esperar da vida que não seja o pó?
Luxo, luxúria, lixo? Nada disso! apenas a hora certa esperar da vida
A hora de criar e a hora de morrer, no meio disso tudo um vasto frio
uma sensação de purgatório ou de inferno, um deserto escaldante que se transforma em Sibéria
Desertos e mais desertos.
Que esperar da vida além da cova rasa? Um caixão e velas pretas?
esperar que todos apareçam no enterro da última quimera?
somente o desprezo acompanhará este velório, tenhais certeza de teu destino, flor do lodo
Escárnio dos escarnecidos, chaga dos leprosos, maldição da boca maldita!
Que venha esse destino misterioso e vago, cujo sentido é preciso criar, e que de tanto criar um dia o castelo de areia desmorona.
Espero em silêncio a minha hora de glória, aquela em que meus olhos não mais poderão fitar os meigos rostos que um dia amei, nem olhar nos olhos daqueles que odiei.