segunda-feira, 28 de junho de 2010

Indiferença...

Sempre pensei que, o dia em que eu perdesse o emprego, eu ficaria muito, muito mal, por pelo menos umas duas semanas. Fiquei muito mal no dia de minha demissão. Confesso que até chorei um pouco, não hei de negar. Mas hoje, meu primeiro dia em casa, desempregada após longos 9 anos em salas de aulas, sinto-me indiferente. Não sinto dor, nem remorso, nem aflição... penso um pouco sobre o futuro, mas não tenho nada definido ainda, apenas algumas especulações. 

Minha vida profissional foi inteira dedicada à tagarelice. No início eu falava com furor, acreditando que algumas daquelas cabecinhas me ouviriam e mudariam o mundo. Essa ilusão durou pouco mais de um ano. após esse período, os restantes oito anos de magistério, eu já não acreditava mais em nada, não acreditava mais em mudança, não acreditava mais nem em mim. E sabe quem me ensinou tudo isso? meus alunos... percebi que quase todos eles eram um bando de alienados que a qualquer momento sairiam dali com um diploma de bacharel em alguma área e dali partiriam em busca de seu torrão de açúcar, custe o que custar. Quem lida com futuros Administradores de Empresa e com os próprios Administradores de Empresa sabe do que estou falando. Novamente paira a questão da competição acirrada por seu lugar ao sol. Porque a ideologia dominante é que, se você é bom, você consegue tudo, mas se você é um bosta, por mais inteligente que seja, por mais esclarecido, entre outras qualidades, sabe qual é o seu lugar? Na bosta! E vejo tantos meninos e meninas com olhinhos esperançosos trabalhando no McDonalds ou na C&A, achando que um dia eles serão gerentes e que isso é o máximo! Por isso desisti do magistério, agora definitivamente. Não posso mudar o mundo e nem algumas poucas cabecinhas... então qual é o lugar de um bosta?

sábado, 26 de junho de 2010

Não há lugar no mundo para os fracos

Devo confessar: Sou fraca. Fraca no sentido da luta, da competição desleal, fraca demais para passar os outros para trás. Definitivamente eu não nasci para competir, não tenho segurança em mim e tudo que vejo ao me redor não me faz sentido também. Pois bem, o mundo não é para mim. Sou fraca demais para enfrentar mil inimigos, fraca demais para puxar o tapete de outra pessoa, fraca demais para acabar com a vida alheia inventando uma fofoca.

Não vale a pena. A roda da vida é esmagadora, inexorável. Atropela tudo e todos que a sua frente estão. As pessoas, por sua natureza, também devem agir instintivamente, dessa forma a garantir seu lugar ao sol. Passar por cima de tudo e de todos na verdade não é um tipo de crueldade humana, é apenas uma lógica de sobrevivência. Poucos são os seres racionais, aqueles que não conseguem se inserir nessse contexto, pois o acham injusto! Maldito aquele que cria suas próprias verdades e seus conceitos de verdade e justiça, não seguindo o curso natural da vida! Maldito aquele que se afasta do rebanho, pois ele continua sendo mais um, no entanto sem norte. Cheguei à coclusão de que para se viver bem é preciso ser naturalmente maquinal. Seguir a roda da vida e o rebanho... Somos fracos, pois não queremos fazer parte disso tudo, não queremos derrubar os outros na manada... eis a nossa sina.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Um gosto amargo de desesperança jorra em minha boca

Um gosto amargo de desesperança jorra em minha boca. Sinto-me usada, prostituída e jogada fora, como se fosse um papel higiênico. Tive de limpar a casa, enfrentar vários tropeços para me manter viva, e agora sou descartada sem mais e nem menos. Qual a desculpa que ouvi por ser demitida? Que eu andei faltando muito! Pois bem, faltei 5 dias consecutivos graças a uma gripe que tive nesse semestre. Tudo devidamente atestado por médicos. 

Toda a minha angústia, minha amargura e meu desassossego sempre ficaram dentro de mim e no meu blog... jamais traspassei isso a ninguém, a não ser a poucas pessoas que conheço bem. Depressão foi uma doença que me pegou, mas jamais a usei como desculpa, eu a engoli sempre a seco, pois precisava manter minha vida de alguma forma. Não quero mais essa vida de dar aulas para essas verdadeiras máquinas caça-níqueis, que são essas universidades uni-esquina. Tenho propriedade para dizer que são minas de dinheiro, pois de onde vim podia ver nitidamente isso. Em poucos anos, o dono da tal uni abriu vários outros campi em lugares estrátégicos. Além disso, comprou alguns shoppings em São Paulo e Guarulhos, e de onde veio toda essa verba? De nós, professores mal-pagos e de alunos semi-analfabetos (uma boa parte para não generalizar)..

Sinto agora um desgosto tão grande, pois foram praticamente dez anos de minha vida nisso. Vendo todas essas coisas podres acontecendo sem poder fazer nada. E agora chegou a minha vez de ser descartada, assim como tantos outros professores... será que não sirvo mais para eles porque agora possuo título de mestre e, sendo assim, eles deveriam me pagar mais? Eu realmente não entendo. E a única certeza que tenho é que não mais quero saber dessas instituições quase-financeiras.

Estou triste e, ao mesmo tempo, aliviada. Mas ainda me restam as contas a pagar. Todos me dizem que tenho um bom currículo e que não me faltará emprego. Mas acho que não quero mais isso para a minha vida. Não sei o que fazer...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Desempregada a partir de sábado

Eu juro que ainda não sei o que estou sentido: ódio, tristeza, mágoa ou satisfação. No fundo sinto que sou uma fruta boa resgatada de um cesto cheio de frutas podres, pois toda empresa é assim, cheia de frutas podres... restam sempre poucas frutas boas, e sei que sou uma dessas, talvez não como profissional, mas como gente, como pessoa. E não é o indivíduo, definitivamente, que importa para essas empresas. O que importa é a mão de obra de cada um, e não seus valores éticos, morais... sistema de merda! Estou farta e  não sei o que fazer da vida...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Republicação de um post antigo...

Por que será que, às vezes, somos feridos por um juízo cuja inteira insuficiência conhecemos? Por que somos irritados por uma ofensa de caráter nitidamente desprezível? Por que, ao nos encontrarmos em um lugar onde todas as outras opiniões são diferentes da nossa, mesmo sabendo no fundo que temos razão, nos sentimos inseguros, indefesos e chegamos até a desconfiar de nossa própria opinião? Será que somos demasiadamente humanos? Será possível controlar-se, confiar em nós mesmos? O melhor remédio contra esses problemas seria permanecer centrado, não deixar o externo invadir o seu eu interior. Como o fizera Platão, o qual era constantemente insultado por um de seus rivais. Um dia um discípulo de Platão perguntou a ele por que ele agüentava tantos desaforos. O sábio respondeu “se um asno me desse um coice, deveria eu revidar tal ato inconsciente? E além do mais, as palavras as quais essa pessoa dirige não cabem a mim”. Podemos, portanto, inferir que a neutralidade perante as adversidades do mundo nos garante uma certa dose de liberdade. A liberdade de não se afetar por ninharias.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Niilismo é força!

O niilismo é sinônimo de força! Pois viver em um mundo reconhecidamente caótico sem nenhum tipo de âncora, sem nenhum guia "espiritual", religioso ou filosófco é engolir a seco toda a maldade do mundo, toda a humilhação, o descaso e sentir-se desamparado de outras forças "superores". O niilista é aquele que não crê, mas tem uma crença forte em seu próprio potencial, uma pulsão de vida extremanete forte para conviver com todas as mazelas humanas, engolindo as farpas da vida a seco. O único sentido da vida é viver, é continuar. Nada além disso. Conquistar o que almejamos e morrer, voltar para o eterno siencioso nada! Que maravilha!!!!! Não ser! 

Entre esse não ser e o ser (Shakespeare!!!!) apenas o funcionamento de órgãos, as químicas cerebrais... além da vida, a frialdade inorgânica da terra! A única verdade que posso aceitar. Os fracos não aguentariam jamais viver com tamanha resposabilidade! Ser o dono de seu próprio mundo, e vê-lo girar em torno de seu umbigo! Não! Os fracos devem se amparar em suas muletas para poder andar. Eu continuo andado, capengando mas andando sem nenhum tipo de muleta! Isso é uma certa forma de liberade - não ser parte do rebanho cristão ou de adoradores fanáticos de um deus meramente mitológico.

A tradição filosófica platônica inventou um ideal de mundo "verdadeiro", mas o que é a verdade? Eis o princípio de tudo! A verdade não é um instinto humano, como já dizia Nietzsche, e sim uma criação humana. Quando a busca da verdade se vincula à moral, como acontece com as religiões e outras teorias, a "verdade a qualquer custo" é a negação dos instintos e da natureza em si. Essa busca transcendente levou à criação da metafísica e às teorias idealistas em geral.

A natureza é justa? é boa? Não! Ela é a natureza. Uma epidemia não escolhe matar os maus e poupar os bons. Muito pelo contrário! O próprio ser humano inveta cada dia mais e mais tecnologias para salvar-se, mas essa salvação humana é também independende de bondade ou maldade - é para quem "pode". Estou farta de ouvir as pessoas dizendo que quem planta a semente do mal colherá o fruto do mal! Se assim fosse, tantas e tantas pessoas que passam por cima de qualquer juízo moral ou ético estariam na pior! Não vejo isso acontecer ao meu redor, muito pelo contrário, quanto mais injustas, sem escrúpulos, mais prósperas e mais felizes essas pessoas se tornam, e tudo isso por quê? Porque justiça, ética, moral e verdade são conceitos humanos, não naturais! Durkheim ressalta que existem alguns sensos éticos e morais inerentes aos seres humanos, não posso negar esse fato, mas a natureza humana é cruel com seus semelhantes. É um absurdo ouvir falar de rejeição de mãe contra filho, ou de pai contra filho. Mas existe uma obrigação natural que chega a um certo ponto, depois a natureza se encarrega do resto. Na verdade eis uma questão extremamente polêmica, pois a rejeição pode partir de mecanismos cerebrais emoldurados pela sociedade, enfim, um tema para outra discussão acirrada!

No final das contas, o que devo salientar é que todas as criações humanas vão sempre contra a própria natureza. Ninguém sai matando, roubando, estuprando porque é bonzinho, mas porque é regulado pelos discursos sociais. Para os Vikings, tudo isso era extremamente normal. Não interpretem meu texto como uma apologia ao abandono de senso ético, e sim uma apologia ao senso crítico! Como tenho alguns leitores que não sabem direito o que estão lendo, podem ser induzidos a "acreditar" que meus textos pregam o "faça o que tu queres". No entanto, o intuito é exatamente o contrário, se bem que ultimamente não consigo mais pensar em uma solução para a sociedade, o Esclarecimento (fruto da cabeça humana, demasiadamente humana de Kant) poderia ser uma saída, da "menoridade", já cri muito nisso, hoje não mais. Cada dia que passa torno-me mais irremediavelmente niilista!