sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Suicídio

Sempre acreditei que algumas pessoas possuiam afinidade, e por iso, gostavam de ouvir umas às outras. Na verdade, ninguém quer ouvir o outro. Se você pretende contar o que sente para alguém, pense bem antes, pois as pessoas não estão nem um pouco afim de ouvir as suas lamentações, as suas felicidades, as suas conquistas ou as suas infelicidades. Não, elas só querem falar se si mesmas e acham que o mundo tem obrigação de ouví-las, mas elas não têm a menor preocupação em escutar também o seu próximo. Isso me entristeceu bastante. Gostava de ouvir e também de falar. Hoje vou permanecer calada e fazer questão de nunca mais dar ouvidos às conversas de ninguém. Se eu pudesse sumir, mas não posso. Tenho um filho para cuidar. A vida me parece um fardo tão pesado que tenho que carregar para um lugar que nem mesmo sei onde fica. Hoje pensei sinceramente em suicídio (novamente), mas desta vez foi diferente - hoje tive a convicção de que eu deveria me suicidar. pois, afinal, que droga de lixo sou eu, perambulando por esse mundo que abomino com todas as minhas forças??? Mas parei e pensei em uma única coisa que pode pelo menos por algum momento me deter - o meu filho - o maior crime que já cometi em toda a minha vida - ter um filho. então, se eu morresse, o que seria dele? seria um ciclo, o mesmo que comigo aconteceu? ele ficaria sem alguém tão importante, sua própria mãe. Ele sofreria muito mais do que eu sofri por não ter um pai, pois a mãe vale muito mais que um pai na educação de um filho, creio eu. Então o pobre coitado levaria uma vida sem sentido como a minha, acabaria tendo um filho também e o abandonaria, e assim sucessivamente... pois é, eu fui abandonada por alguém que também foi abandonado. Depois abandonaria alguém que também um dia iria abandonar alguém, uma cadeia sem fim. Eu entendi que a minha responsabilidade é quebrar com essa maldição - vou criar meu filho da forma mais decente possível e ver o que será dele no futuro. Vou precisar adiar o meu plano, pelo menos até ele ter uma idade suficiente para entender, quando ele tiver maturidade e não mais precisar de mim para nada. Eu realemnte cansei da vida. Não há um únuci dia que não acordo pensando que erda é essa? Por que tanta merda???? Penso em morrem, morre, morrer!!!! Quero morrer! não aguento mais tanto sofrimento, angústia,, agomia... tenho cada vez mais aumentado o meu ódio e a miha intolerância pelos homens que me cercam. Fico cada dia mais triste e mais desolada com tudo.... a morte é, certamente a única saída.... mas é preciso esperar, pelo menos mais algus anos....

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Sobre o Filisteu - Arthur Schopenhauer

...Quando muito, restam-lhes ainda os deleites da vaidade, à sua maneira, que consistem em exceder os outros em riqueza, ou posição, ou, pelo menos, resta-lhes travar relações com aqueles que são eminentes em semelhantes excedências, para assim se aquecerem no reflexo do seu brilho. Dessa qualidade fundamental do filisteu que acabamos de expor, segue-se, em segundo lugar, que ele, no que diz respeito aos outros, e já que não tem necessidades espirituais, mas apenas físicas, procurará os que estiverem em condição de satisfazes estas, e não aquelas. Por conseguinte, das exigências que faz aos outros, a menor de todas será a das capacidades espirituais predominantes. Antes, quando estas vão ao seu encontro, acabam estimulando a sua antipatia, até mesmo o seu ódio, porque então ele sente apenas um sentimento maçante de inferioridade, uma inveja surda e secreta, que esconde com extremo cuidado, enquanto procura dissimulá-la inclusive para si mesmo, o que justamente faz com que ela aumente até se tornar uma raiva silenciosa. Como resultado, jamais lhe ocorrerá medir, segundo semelhantes qualidades, a própria estima ou alta-consideração; mas irá reservá-las, com exclusividade, à posição e à riqueza, ao poder e à influência, que para seus olhos são os únicos méritos verdadeiros, nos quais também gostaria de se distinguir. Tudo isso decorre do fato de que o filisteu é um homem sem necessidades espirituais.
In: Aforismos para a sabedoria de vida, p. 47-8

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Você

Sempre acreditei que o problema era Eu. Sofri, chorei, corri atrás a vida inteira. De repente um "glimpse" despertou-me e inacreditavelmente percebi que nada era como parecia ser, na verdade o problema sempre foi Você - o seu ódio, o seu ciúme, arrogância e orgulho. Descobri que a minha vida era perfeita, cheia de ternura, de amor e de esclarecimento. Finalmente cheguei à conclusão de que você não merece o meu perdão, que você não merece a minha solidariedade e nem a minha dor. Você me disse para eu procurar um cartório e mudar o meu nome. Não se muda uma identidade e nem a genética simplesmente através de um documento. Você chegou a me dizer que nós nunca poderíamos ser algo como uma família e eu chorei uma semana inteira. Esperei você telefonar para pedir desculpas. Você desapareceu. A dura lição da pedra me foi ensinada e a pedra transformou também o meu coração. Não perdoo, jamais perdoarei, pois descobri que você sempre foi algo tão insignificante, e os objetos inanimados não precisam dos sentimentos de ninguém. As coisas existem simplesmente porque existem, sem razão alguma. Você existe simplesmente por isso, sem nenhum motivo verdadeiro na minha vida. Minha privada é muito mais útil do que você, homem...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sobre as opiniões alheias

Pobre daquele que depende da opinião alheia para poder realizar grandes ou pequenos feitos, pois os outros sempre arrumam algum pequeno defeito para poder atacar o todo. Se você age em prol do reconhecimento, da admiração e da satisfação das outras pessoas, tudo o que você fizer jamais valerá a pena. As pessoas tendem a sempre buscar um mínimo detalhe para poder destruir as expectativas e esperanças daqueles que buscam o crescimento pessoal. Não sei bem o por quê dessa perseguição, mas tenho observado que muitos precisam arrebentar com os seus semelhantes. Talvez esse instinto seja a natural disputa humana, talvez a própria maldade enraizada na nossa cultura, talvez a genética, a briga natural pela sobrevivência. Mas o que se pode perceber nitidamente é que, quando alguém tenta humilhar, derrotar ou ofender o outro, está sempre em busca de sua própria auto-elevação, ou seja, pessoas assim, para se sentirem boas, melhores que as outras, precisam colocar a pessoa no nível mais baixo possível, para dessa maneira se sentirem mais grandiosas. Entretanto, o bom observador percebe essas ofensas de longe, através dos pequenos atos, gestos, palavrinhas desviadas e descabidas, de indiretas... Peesoas esclarecidas sabem distinguir aqueles que precisam de auto-aprovação o tempo inteiro e permanecem boa parte de seu tempo ou humilhando os outros ou propagando seus feitos através do falso marketing pessoal.

A vida é justa?

É preciso entender que a natureza não é justa e nem injusta, não é certa e nem errada, ela simplesmente é como é. Costumava-me sentir extremamente triste quando ganhava uma linda rosa, no auge de sua beleza, pois sabia que, a partir daquele momento, seu futuro era definhar a cada dia, tornar-se feia e seca, murchar e morrer. Constantemente percebo que as pessoas se entristecem porque acham que a vida é injusta com elas. Ouço algumas dizerem, "tal pessoa não merece e tem o que tem, e eu que sou tão boa, tão inteligente e tão melhor que os outros não possuo nada!". Esse tipo de sentimento é uma tendência de caráter de quase todo os seres humanos, uma tendência mais aguçadoa em alguas pessoas do que em outras. A partir do momento em que se entende que tudo é como é, que por mais que nós julguemos os outros e acreditemos piamente nas nossas concepções, pouco ou nada pode ser mudado. A lógica da vida está longe da exatidão matemática. Talvez essa tal lógica seja apenas caos. Não vale a pena desperdiçar o nosso precioso tempo nos incomodando com a vida alheia, tendo raiva do que julgamos ser injusto. Para se viver um pouco melhor, faz-se necessária uma reflexão profunda sobre a inutilidade de nossos sentimentos de (in)justiça. Será que o mundo, a natureza permitiriam que cada uma das pessoas tivesse apenas aquilo que merece? E quem está apto para definir os acontecimentos das vidas alheias? Quem saberia julgar com precisão tudo o que é certo e tudo o que é errado? Afinal, o que é certo e o que é errado? A justiça não é um instinto humano, é uma criação humana. O mundo natural e o mundo do homem jamais poderão ser aquilo que não são de suas próprias naturezas. A partir do momento em que o homem "criou" o conhecimento, inventou conceitos que definem aspectos da vida que não têm lógica, todas as coisas começam a tomar proporções grotescamente exageradas. Devemos entender que tudo é assim como a natureza concebe, e que a nossa vã filosofia jamais terá condições de explocar, definir, medir ou consertar o que está fora do ciclo natural de todas as coisas. Muito do desgaste mental, da doença e da raiva exacerbada provêm dessa vontade de transformar o mundo e as outras pessoas de acordo com os nossos próprios padrões morais. Então devemos aceitar tudo? engolir tudo? Absolutamente! É preciso eliminar esses sentimentos desastrosos e ser verdadeiramente indiferente a tudo. Indifereça significa apatia, desconexão, falta de qualquer sentimento, conceituação ou julgamento acerca das coisas. Chegar nesse estágio de consciência é difícil. Deve-se passar antes por todos os tipos de provações e dores. O caminho certo é sempre o caminho natural, pois não se pode mudar a correnteza de um rio sem afetar todas as outras coisas que existem ao redor. E para mudar a correnteza desse rio, é preciso estar consciente dos estragos que ocorrerão em consequência.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Uma breve definição

Sou uma existencialista incorrigível. Portadora de um pessimismo dionisíaco turbulento. Um ser soturno, estranho, sarcástico incorrigível. Uma pessoa que busca o valor das coisas por trás de todas as aparências. Eu me conheço muito bem, tão bem que ninguém além de mim mesma tem a habilidade de discernir o certo e o errado, a certeza da dúvida, a verdade da ilusão... embora eu me engane com frequência em relação a tudo isso... conheço as minhas fraquezas mais brutais tão bem como minhas capacidades mais elevadas. Estou sempre em busca da superação, da elevação e do conhecimento. Aqueles que julgam isso ou aquilo em relação a minha pessoa estão apenas exergando-se a si mesmos - falsos julgamentos são frequentes em minha vida, mas eu os compreendo e perdoo a todos, pois eles não têm culpa de sua ignorância frívola... Vivo a caminhar pela contra-mão da vida, em é nas adversidades que encontro em minha caminhada que me fortaleço e me elevo ufanicamente.
F. R. Dias

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Niilismo construtivo

O niilismo absoluto seria a única forma de curar as novas crenças que se estabeleceram em nossa sociedade. A religião morreu, deixando em seu lugar a mídia ideológica. A Igreja desmoronou, mas a televisão se fortalece a cada dia. A autopenitência deu o seu lugar ao culto narcisístico ao corpo, à beleza artificial e à perfeição física. Apenas a riqueza mantém o seu lugar de importância e destaque, mas agora, sua intensidade se expande a todas as classes sociais e sexos. Vivemos no mundo do ter ou não ser. Deus está morto e o egos avivam-se e lutam brutalmente para se manterem intocáveis. O questionamento radical é crime passível de pena extremamente atroz - o questionador é banido do círculo social, é considerado louco desvairado, amoral e indigno. A dor da consciência moral extinguiu-se, e a autoaprovação cega, a autojustificação alucinada perpetua a injustiça descomedida da humanidade. É necessário radicalizar, exterminar os novos deuses impostos pelo sistema. Negar tudo pode ser um importante passo. O que é a Verdade? o que é a Sabedoria, o que é a Riqueza? Esses elementos existem ou são invenções necessárias ao ser humano? O único sentimento digno que encontro em mim é a vontade de autodestruição. Destruir a mim mesma é levar ao extremo a idéia de uma sociedade domesticada, medíocre e enfadonha que precisa ser combatida. e autodestruição não é morte ou8 suicídio - é a negação radical de todos os princípios que foram destilados em mim pelo mundo externo.