terça-feira, 30 de março de 2010

Republicação: "A Sabedoria das palavras"

A palavra vaidade vem do latim vanitas, que significa vão, ilusório. Etimologicamente, a vaidade é a qualidade do que é vão. O significado atual, de acordo com o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, é o desejo imoderado de atrair admiração ou homenagem; vanglória (glória vã); coisa fútil ou insignificante, frivolidade, futilidade, tolice. Entretanto, o sentimento de vaidade é um dos combustíveis das ações humanas. Sem ela, o que seria dos homens? em prol do que praticariam determinadas ações? 

Como bem coloca François de La Rochefoucauld, "a virtude não iria tão longe se a vaidade lhe não fizesse companhia". Mas a vaidade não impulsiona apenas virtudes, ela também é a força motriz de atitudes humanas de extrema vileza. Um simplório exemplo disso é a mentira, a qual muitas vezes é proferida para derrubar um outro indivíduo. Schopenhauer expõe o conceito de vaidade da seguinte forma: "a vaidade é o desejo de despertar nos outros uma certa convicção, na esperança de transformá-la em convicção própria". Ou seja, certificar-se do seu próprio valor através da opinião dos outros. O filósofo distingue orgulho de vaidade apontando este como a auto-estima de si mesmo vinda de dentro, e aquela, ao contrário do orgulho, é um esforço para alcançar tal estima a partir de fora, ou seja, indiretamente. É certo dizer que depender absolutamente da opinião alheia para reconhecer as próprias virtudes é um caminho de pedras, em que se cai e se esfola com freqüencia, pois como já refletimos anteriormente, depender de outros indivíduos é uma fonte inesgotável de sofrimento e dependência (addiction em inglês representa a dependência química, como dependemos dos outros para ativrmos uma certa química interior). 

O que é possível reconhecer na natureza humana é esse desejo, muitas vezes incondicional, de ser reconhecido pelo outro. Não é à toa que pertencemos a determinado grupo ou comundade, que expomos os nossos pensamentos, que praticamos certas ações, tendo sempre em vista o reconhecimento e o sentimento de pertencimento. Aquele que chega ao ponto de anular o ego de tal forma que não mais tem sequer o mínimo sentimento de vaidade, pode ser considerdo, então, um peso morto na sociedade. Sem um mínimo de vaidade entra-se em um processo de isolamento profundo em relação à vida e ao convívio social. Quem chega a tal ponto, conquistou a verdadeira independência e a total ausência de sofrimento. No entanto, faz-se necessária uma análise de perto dessa condição, pois ao se tornar um peso morto, não entramos, enfim, em um processo de morte da alma?

sábado, 20 de março de 2010

Desabafo

Nossa, estou extremamente chateada com uma situação que me aconteceu a pouco. Conheci uma pessoa com a qual tive um vínculo de amizade há alguns anos. Perdemos o contato e agora essa pessoa reapareceu na internet. Mas somente agora consegui perceber o quão diferente são as nossas ideias, e a amizade acabou por uma discussão tão fútil que acho que foi a melhor coisa para mim... Não adianta tentar ser amigo de quem não tem nada a ver com você, acha ser o dono da razão, somente o que essa pessoa pensa é a verdade e ponto. Além do mais, o otimismo exagerado me deixou num estado de ira tão grande, pois me senti traída, senti-me uma otária que idealizou alguém e de repente caiu no chão duro da realidade. Estou triste e, ao mesmo tempo aliviada. Mais triste para dizer a verdade. Imaginem só, essa pessoa disse-me que 90% das coisas do mundo dão certo e 10% podem dar errado... poxa vida, será que 90% das pessoas do mundo são 90% satisfeitas com 90% do que são e do que têm? Será que 90% do mundo é feito de pessoas maravilhosas, perfeitas, humildes, preocupadas com os outros e 10% talvez vilões? Ou será que 90% do que acontece no mundo é só alegria, e 10% é exploração, guerra, discórdia, pestilência, mortes, assassinatos, estupros, pedofilia, roubalheira política.... Eu devo estar maluca, não? só consigo ver esses 10%... onde raios esconderam os outros 90????

quinta-feira, 18 de março de 2010

Comemando a quebrar paradigmas

Sempre fui muito crente em relação ao ateísmo. Para mim, nasceu, morreu um dia e ponto. No entanto, venho me perguntando aos poucos durante alguns anos: Como explicar o ateísmo em termos científicos, ou seja, com explicar a total ausância de uma energia ou algo parecido após a morte? Não, não virei teísta, mas essa pergunta vem me intrigando a algum tempo. Não consigo mais crer em nada, nem mesmo no ateísmo... gostaria da opinião de cada um de meus leitores em relação às crenças, tanto em deus, ou nas forças disto ou daquilo como na própria crença na descrença. Abraços, Faby Dias

Hoje


Tenho procurado incansavelmente uma maneira de tornar a existência menos fastidiosa, e assim vou me cansando e me cansando a cada nova tentativa de busca pela felicidade, a tola busca eterna... Que nesta noite as coisas sejam diferentes: que eu durma um sono tranquilo e desperte para uma vida mais doce, mais alegre. Que haja motivos para sorrir, que haja motivos para sonhar.... que a tristeza profunda que sinto deixe-me amar um pouco mais ao próximo e a mim mesma. Que eu possa me perdoar e assim poder perdoar meus inimigos.

Meu mundo sempre foi uma caverna escura. Não que eu não conhecesse o mundo lá fora, mas sempre optei pela treva, pelo anonimato, apenas uma singular existência no meio de um mundo alvoroçado. Sempre temi a face alheia: em cada rosto via um carrasco. Por isso escolhi a introversão. Hoje, aos trinta anos de idade vejo quanto tempo joguei fora sem tê-lo dedicado a uma causa nobre, pois nunca acreditei na nobreza. Hoje quanto tempo sei que desperdicei sofrendo as dores do mundo, mesmo sabendo que eu não era deus e jamais poderia salvar o planeta. Essa manhã acordei com um extremo mal-humor e desse estrado de espírito resolvi tentar viver de forma diferente. Quero agarrar-me nas saias do destino, não mais fugir dele; devo agora buscar um significado, nem que seja apenas um paliativo, um placebo para curar a imensidão de desafetos que acumulei ao longo da vida.

Quero dormir e acordar com um propósito: fazer alguma coisa verdadeiramente útil para mim mesma, esta é a chave para viver-se um pouco melhor. Foi o que pensei hoje...


F.R. Dias

terça-feira, 16 de março de 2010

Correntes de extrema direita

Hoje recebi um e-mail que me deixou perturbada, diria até mesmo furiosa. O e-mail, entitulado "Como prender porcos" (Uma alusão a George Orwelll????) faz uma apologia descabida contra os direitos que todos nós brasileiros temos, de sermos socialmente assistidos em algum momento de nossas vidas. Mais especificamente, o e-mail é direcioado aos mais desfavoreidos, aos mais pobres e sem condições de arrumar um emprego digno. Meu posicionamento em relação a tal tema é um tanto particular em se tratando de alguém que vive no meio de uma classe média amorfa, sem opiniões próprias. Dessa maneira, resolvi escrever para a pessoa que me enviou o tal e-mail a seguinte mensagem:

Este e-mail provavelmente será encaminhado por pessoas que não precisam de assistência e acham normal as desigualdades socias tão fortemente presentes em nossa sociedade. Quem se sente cercada sou eu, que tenho de trabalhar para uma pessoa e deixá-la cada vez mais rica, enquanto recebo um valor absurdamente mais baixo do que um professor mereceria receber. E quano vejo pessoas na rua catando lixo, ou, em reportagens, pessoas e urubus disputando restos de alimentos, penso o que será que há de errado no planeta... A começar, por nós seres humanos que somos injustos entre nós mesmos e que isso é uma característica própria de nossa espécie.
 
Os impostos que pagamos não baixarão se não ajudarmos os mais desfavorecidos.  Muito pelo contrário, esse dinheiro vai entrar na conta de cuecas políticas... Na verdade, não estou escrevendo para que vocês mudem de opinião a respeito disto, mas se vocês observarem melhor, nos países mais favorecidos do mundo, como na Alemanha, Inglaterra e Irlanda, os benefícios aos mais desfavorecidos ou aos desempregados é um direito pelo qual todos lutam, sem contra-correntes eufóricas como vemos aqui em nosso país preconceituoso. O que quero deixar claro é que, como uma cidadã brasilera, de classe média-baixa, com algum estudo e com uma grande capacidade de observar os fenômenos causados pela injustiça social, pela ganância capitalista e pela marginalização dos pobres, venho registrar a minha opinião apocalíptica em desfavor a correntes desse tipo, as quais podem influenciar tantos outros "marionetes do sistema" a pesar como os sanguessugas empresariais.
 
Um abraço,
Fabiana Dias


Pois é, somos todos um bando de porcos enjaulados num sistema precário, abusivamente atoritário, explorador, e mesmo assim, pessoas com um pouco mais de instrução insistem em repetir o coro de vozes que vêm dessa superestrutura de empresários vagabundos, desonestos e pilantras, os verdadeiros porcos preguiçosos, que de alguma forma conseguiram poder na hirarquia social, vulgo dinheiro. Meu apelo fica para vocês todos, com um mínimo de capacidade de raciocínio, pensarem nessa questão com  carinho. O pobre é quem suga, quem mama nas tetas do governo, ou o clã capitalista é quem esgota com todas as nossas forças e energias com empregos exploratórios? Enquanto trabalho como um camelo, certamente meu chfee e sua família estão andando por aí de helicóptero ou passando alguns dias numa praia maravilhosa... Bando de acéfalos miseráveis esses direitistas!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Eu?


Eu, eu, eu, eu, eu e eu, falo tanto e tanto dessa pessoa como se por alguns minutos esquecesse que não existe um eu, uma individualidade, esse ser isolado, justaposto ao mundo dos outros eus. Ninguém mais do que eu sabe que cada ser, cada indivíduo é mais um, uma construção social carregada de sentidos preexistentes, cheia de connceitos e preconceitos; praticamnete uma máquina programada para acordar todos os dias, alimentar-se, trabalahar, consumir, fazer filhos e dormir todos os dias a mesma praxe. Essa ideia de individuação é meramente futil, um pensamento que nos instiga, fazendo-nos acreditar que somos únicos, atênticos e verdadeiros... na verdade não passamos de um grão de areia numa praia imensa, uma molécula de água no mar, uma formiga de um formigueiro. Somos sim prpgramados, não criamos uma linguagem ela nos cria; não criamos discursos, eles nos moldam, por que é tão convencional a ideia de imoralidade do roubo, ou do assassinato? Não somos nada, não somos ninguém. Matamos deus e devemos matar a individualidade também. Existe uma enorme diferença entre existir e viver. Ninguém vive, todos apenas existem.