terça-feira, 6 de setembro de 2011

do nada ao nada

É difícil admitir a inutilidade da própria existência, a fragilidade da matéria carnal, a maldição da cabeça pensante, por isso criam-se deuses, demônios e conceitos fantásticos sobre o além-vida. Olhar para si mesmo e assumir a plena responsabilidade de não ser nada, nuca querer ser nada e habitar uma janela de um dos milhões de quartos do mundo é um conhecimento aniquilador. Quem assume o niilismo, a falta de perspectiva, o vazio, o nada, carrega em suas costas um fardo muito mais pesado do que qualquer ser que prega o contrário. Crer na possibilidade de uma vida infinita para mim seria um castigo amargo, uma piada cujo humor negro me traz à boca uma ânsia amarga, uma repulsa indescritível.

Li uma vez em algum lugar que a morte não era o contrário da vida, mas a sim do nascimento, ou seja, a vida não tem oposto. a vida é eterna. Pensei comigo, poxa se deus existisse mesmo e se eu fosse eterna, eu teria que inventar uma forma para escapar dessa prisão de vida eterna, que coisa mais horripilante de se pensar! Mas confesso que fiquei com uma pulga atrás da orelha... Confesso que realmente nascimento e morte são opostos mesmo, mas ambos são do nada ao nada... que conceito mais sublime existe do que o nada? Nada!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Quero mais niilismo!

Sinto tanta falta, mas tanta falta de ser mais niilista que chega a doer. Sim, eu também crio expectativas, eu também sonho com a felicidade, eu também trabalho todos os dias para comprar coisas fúteis que nunca me preencherão e que talvez nunca usarei... enfim, estou farta de tudo isso, estou farta desses meus vícios ignóbeis... quero mergulhar cada vez mais fundo no nada, no não-ser, no não-querer, no não-existir sem precisar aniquilar meu corpo. A questão é, como aniquilar a alma, a mente e suas vontades e fantasias? Não basta apenas querer, deve existir algum "truque", alguma "fórmula secreta".

Em pensar que um dia eu tentei buscar o irreal nas periferias da realidade, em pensar que um dia tentei transformar ilusões em felicidade. Pensar que me enganei profundamente ao me declarar uma alma livre quando na verdade eu estava aprisionada em mim mesma. Pensar que há pouco acreditei em um sonho que me derrubou da cama ao acordar... como me sinto idiota.

Só espero conseguir mais uma vez entender o verdadeiro significado da dor, da angústia e da ansiedade que me mantêm presa a esse mundo colorido que pintei com as cores da minha infelicidade. Uma pintura cujo sentido é vago e confuso, uma obra de arte que não vale as tintas que gastei para compô-la, que custou tão caro que jamais hei de querer pintar um quadro novamente.

Não vale a pena, nada vale a pena.

Não devemos contar com ninguém!

Minha solidão extrema tem me mostrado tantas coisas... daqui dos bastidores consigo assistir aos encantos e desencantos das pessoas que passam aqui e ali, e vejo como é triste depender de outros para que a vida tenha algum sentido. Enfim, como sempre soube, e agora com ainda mais certeza, contar com outras pessoas é a pior expectativa que podemos criar e cultivar. Esperar ser reconhecido no trabalho, esperar o telefonema do amigo, esperar a solidariedade e compaixão de quem nos promete amar incondicionalmente são terríveis doses de desilusão. E desilusão muitas vezes dói mais do que a verdade falada na cara.

domingo, 4 de setembro de 2011

A carroça ou os cavalos?

Olá seres das sombras! Mais uma vez andei meio sumida, além do meu tempo escasso ainda houve muita turbulência em minha vida, rider of the storm... Enfim, mas estou diferente, estou mais serena, mais leve, mais calma, e até ousaria dizer mais feliz se é que acredito nisso também. Enfim, cansei de dar murro em ponta de faca, de nadar contra a correnteza e agora deixo que as pessoas no metrô praça da Sé me empurrem para dentro do tem que vai para Corinthians- Itaquera no horário de pico. Sim, estou seguindo a filosofia Zeca pagodinho e deixando a vida me levar. Realmente tentei driblar muita coisa, tentei forçar barras de ferro além das minhas forças e hoje vejo que muitas das minhas "crenças" e "convicções" me enclausuraram num buraco onde só podia ver sombras, ideia bem platônica, of course. Não que eu tenha saído do buraco, mas estou tentando sair de certa forma e até consigo sentir o cheiro da relva que cobre o chão acima de mim... Andei alucinada, delirando, ardente em febre, como se a morte andasse a me espreitar, mas acabei dando um gole no vinho dionisíaco, que aos poucos me transporta para um outro tipo de delírio, não sei se melhor não sei se pior, sei apenas que enquanto esse corpo aqui estiver, hei de viver em ilusões, em devaneios e delírios... uns ruins, outros piores, até que minha mente seja consumida pelo mais sublime verme na frialdade inorgânica da terra!

Abraços fraternos!