segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Nikki reflete sobre o real significado da existência

Após uma longa reflexão sobre niilismo e instinto animal, ah, claro, algumas cervejas, Nikki reflete sobre a existência, a tragédia da vida e os inevitáveis sofrimentos pelos quais todos nós um dia iremos enfrentar. Nikki é praticamente doutor em letras, gosta de teatro, em especial Beckett e Shakespeare.

Só sei falar de minhas dores particulares, e daí?


Quando me olho nos espelho e me pergunto "quem sou eu afinal?", a única resposta que concluo é que eu não sou ninguém, sou algo, alguém, alguma coisa, algum ser. Amorfa, oca, o elmo cheio de nada! Não sou as leituras que fiz e nem os contos que ouvi. Não sou as atitudes que tomei e nem as que não tomei. Não estou estampada em álbuns de família, meu rosto se esconde por trás de uma máscara de plástico. Não me enconcontrará nas festas populares, nos velhos inferninhos e nem na Avenida Paulista. Não sou dessa raça que chamam humana. Não tenho medo nem ao menos curiosidade de nada. Mente cheia de pensamentos loucos e absurdos, nada realizável, um mundo surreal. talvez esquizofrenia, talvez um rótulo qualquer. Mas o que exigem de mim, mesmo que todos saibam que nada sou nem hei de ser, o que exigem de mim não posso dar. Eu apenas entendo das minhas dores particulares, nada mais.

Eu procuro a escuridão ao meio-dia e o frio em pleno verão. Eu não escuto músicas alegres, eu leio Casimiro de Abreu. Eu não sei dançar, só sei ficar na cama, de olhos fechados imaginando que aquilo ali é meu velório e ninguém compareceu para assistir o enterro de minha última quimera; e pensar que estou em um caixão sem a quem alguém possa dar condolências me traz uma paz interior tão sutil e indescritível.

Nunca fiz um bolo de aniversário para mim mesma, nem para meus entes. Nunca abracei com afeto algum irmão meu, nunca olharei o mundo como quem nasceu para mudá-lo. Não! Ninguém jamais poderá ver um sorriso meu espontâneo, só sei rir por conveniências sociais. O humor negro faz com que me sinta menos inferior, mas não chego a sorrir de toda alma como vejo os jovens, os adultos e as crianças da rua onde resido.

Eu acordo todos os dias e a primeira coisa que me passa na cabeça é "que droga, porque fui acordar agora!". Então dou uma enrolada básica e puxo um travesseiro para deitar meu tórax em cima. não sei de onde tirei essa mania. Mas os momentos mais felizes da minha vida, indubitavelmente são aqueles em que durmo e com nada sonho. Nada que me espera um dia!

Eu não faço parte


Não tenho pátria, pois não acredito na política. Não tenho família, pois minha forma de pensar e agir são "amorais" perante a sociedade moralista cristã. Sofro desde que me posicionei como ateísta, isso há muitos anos. Sempre acreditei que as pessoas deveriam gostar das outras do jeito que elas são, mas isso não existe - ou você faz parte, ou está excluído. Tenho raríssimos amigos, mas quando preciso de uma palavra nunca ninguém pode, chamaria isso de amizade? Não tenho irmãos. Tenho primos, mas eu sou um objeto de rejeição, eu não pertenço. Tenho minha mãe, minha única escudeira fiel, mas somos só nós duas e os outros são todos. E todos sempre contra nós.

Não tenho religião e muito menos crenças fabulosas. Acredito apenas na força do ódio, inveja e vingança, forças estas que me acompanham desde a infância. Tenho um cachorro. Leio Shakespeare para ele, mas só porque nenhum outro me ouviria com tanto esmero. Ele já conhece Macbeth, Rei Lear e agora estou lendo para ele Ricardo III. Mas às vezes converso com ele sobre outros autores: Schopenhauer, Camus, Nietzsche... Ah sim, podem me chamar de louca. Agora dei para falar em Inglês e Alemão (que ainda estou começando a aprender) em voz alta e sozinha pela casa. Eu falo com a geladeira, com a televisão e com os móveis da casa. Outras vezes, sem ter o que fazer, pego o celular no meio do ônibus cheio e começo a falar com meu amigo invisível. Falamos sobre artigos acadêmicos, teorias da arte, hiperrealismo, entre outras coisas que gosto. Poxa, dessa forma até que sou feliz! O que eu diria a um estranho? Nossa, como o tempo está quente? Ou, nossa, vai chover muito hoje! Ah sem saco para puxar esses tipos de conversa. Então resolvi assumir a minha total isolação. Agora, sem sono vim conversar com a tela e o teclado do meu pc, e quem sabe algum ser vivo no mundo possa ler e pensar que isso não é coisa de maluco, pois coisa de maluco é falar sobre o tempo, sobre a fila do banco ou sobre o jogo tão interessante do corinthians ou palmeiras... entendo tanto de futebol quanto de engenharia mecatrônica!

Abraços desgastados, porém fraternos como sempre!

sábado, 27 de novembro de 2010

Barbárie mundana


Tempos de decadência. na Europa manifestações populares contra medidas injustas aos trabalhadores. No Rio de Janeiro uma guerra civil entre milícias, traficantes e forças armadas. Tragédias sem fim emolduradas na televisão nossa de cada dia. Quem pode falar em esperança em um mundo cada vez mais brutal, violento e injusto? O comercial de uma marca famosa de chicletes anuncia na televisão que em pouco tempo a população da terra irá dobrar. Mas o comercial, que obviamente quer vender seu produto, ressalta que teremos mais loiras de patins, mais músicas, mais alegria... Uma verdadeira zombaria, um soco no meio de nossas caras. Se nosso mundo está esse caos todo pelo grande índice populacional agora, imaginem o dobro de gente no mundo? Mais favelas? Mais traficantes? mais desemprego? Isso ninguém fala na TV. Enquanto isso as massas se distraem com novelas baratas, com telejornais completamente parciais, com notícias quebradas ao meio. Informação sem conhecimento algum. 

A luta pela sobrevivência está cada vez mais acirrada. Cada um se vira como pode, e os que não querem fazer parte dessa luta toda? Frustração, doenças psíquicas e ataques cardíacos. Síndrome do pânico, depressão, diabetes e pressão alta. Resultado de uma vida degradante e cheia de açúcar nas prateleiras do mercado. Cheia de gorduras e hormônios nas carnes dos bichos comercializados a todo o vapor para alimentar o tédio de um dia frustrante. "melancolias, mercadorias" já dizia Drummond, "espreitam-me".e como revoltar-se sem armas? será que hoje haverá baile funk no Rio? Será possível alguém pensar em se divertir no meio desse caos? Daqui alguns dias, seremos nós também atacados pelo PCC em São Paulo? E a paulicéia desvairada continua sua busca por dinheiro, emprego, sucesso. Não se pode olhar para os acontecimentos do mundo sem temer o futuro. Não se pode dormir a noite temendo que alguém jogue um coquetel molotov no seu carro, ou no seu ônibus, ou na sua casa. Se deus realmente existisse, permitiria ele tantas atrocidades? Não me refiro apenas ao que ocorre agora, nem no passado, mas o que nos aguarda no futuro. Não sei se haverá uma "limpa" no planeta e todos nós, inteligente, feios, bonitos, dementes, estamos sujeitos a isso. A sofrer e morrer pela espada afiada da barbárie. O que nos resta? Dormir e esperar o primeiro estalo de uma terceira guerra? Ou sonhar com um pretenso mundo melhor?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Onde estão as cores a vida?


Olho com tristeza o campos verdes dos bosques por onde andei, e as flores expostas nos túmulos das  gentes mortas. Com frialdade vejo o céu azul e nuvens tão brancas que me fazem pensar em asas de anjos. No espelho, a palidez no meu rosto transforma meu dia num funeral. Abro a janela de meu quarto e o cinza das grandes construções, o cinza da poluição paulistana, o cinza que pinta o chão do asfalto trazem-me a mémoria tudo aquilo que poderia ser e nunca será. A copa das árvores defronte a minha janela estão florindo, como se um convite à vida estivesse propondo, mas meus olhos não enxergam o que todos dizem sr belo. A vida é incolor, mas se tivesse uma cor diria que é vermelha, como o sangue derramado das bruxas na inquisição, dos guerreiros medievais, dos soldados japoneses, dos judeus, do trabalhador assassinado todos os dias em seu trabalho ardoroso. Mas se esse tom vermelho da vida existe, ninguém comenta sobre ele. Não se pode falar em sangue quando só se vê flores e campos e árvores. O sangue é zelado, ocultado. Conheço bem a cor do medo e a cor da dor. Cores escuras, ora cinza-chumbo, ora preto. A cor do meu travesseiro à noite. Olho nos olhos das pessoas vivas, e vejo cores turvas, marrom turvo, verde turvo, azul turvo, como se as lágrimas estivessem prontas a rolar pelo rosto infeliz. Vejo alguns olhos mais vivos, mas nunca percebo a verdadeira cor deles. São olhos iludidos com um placebo estranho, que já tomei mas não me surtiu efeito algum.

E onde quero chegar falando das cores da vida se elas não me fazem diferença alguma? eu as vejo sim, mas não vejo o sentido delas. Nem Rimbaud conseguiu definir para mim o verdadeiro significado das cores de suas vogais! Nem Goethe me faz entender o que cada uma das nuances representa. Acho que minha alma é dautônica! Ou será que tudo não passa de 4,3x10^14Hz a 7,5x10^14 Hz????

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Eu nunca me senti uma vítima!


Há tempos venho postando um pouco das minhas desventuras nesse mundo podre, sempre mostrando o lado exterior, o desprezo, a intriga, a humilhação... No entanto falo pouco de como me sinto perante tais acontecimentos. De certa forma eu me sinto superior, pois apenas quem tem algo para ser invejado é que pode ter inimigos! Se bem que quase todo o ser humano que não se enquadra nas regras sociais, aqueles que possuem na veia a rebeldia metafísica, são motivos de fervorosa inveja e abominação. Tenho em mente o caso dos mendigos que de vez em quando são queimados por um bando de playboyzinhos sem noção. Será que esses assassinos não invejam a liberdade do mendigo, pois suas vidas são apenas marionetes de seus pais, que os querem estudando, trabalhando e prosperando! O mendigo não deve nada a ninguém e pouco se importa com o que possam dele falar. Hum, agora entendo bem a frase de Álvaro de Campos "E não há mendigo no mundo que eu não inveje só por não seu eu".

Mas voltando à minha cosmovisão relativa aos acontecimentos de minha vida, não posso negar que me senti vítima, por muito tempo, de ser um aborto que não deu certo. Sim, sofri quase que trinta anos com isso, talvez tenha sofrido isso no ventre de minha mãe se é que sentimos alguma coisa quando estamos lá. Eu me sentia o pior ser humano da face da terra! Sim, a rejeição pode acabar com uma vida inteira! Por isso acho que sempre lutei para provar a todos que eu era alguém! Eu estudei, entrei na universidade mais disputada de São Paulo, fiz mestrado, fiz 3 pós-graduações, estudei línguas e assim fui tentando me reerguer. Mas foi o estudo filosófico que realizo todos os dias em minha casa que me ensinou o que hoje sei. Lendo Freud percebi que é normal o "macho" abandonar a "fêmea e a cria". É um instinto natural, não é minha culpa. Em relação às outras "dificuldades" que enfrentei, apenas somaram-se ao meu desencanto primordial, fazendo com que eu acreditasse que o nosso mundo realmente gira em torno de egos que precisam deplorar o outro para se tornarem melhores, mais especiais, mais isso ou aquilo. As intrigas é o fruto mais maduro do extremo narcisismo: a tentativa de destruir o próximo, aniquilá-lo faz com que o ego tenha mais espaço, é mais ou menos o que acontece quando colocamos um monte de ratos numa caixa pequena, eles brigam por espaço! Então, além do ego em si ainda existe a questão biológica - quanto menos gente, mais alimento e assim por diante.

Enfim, não sou definitivamente vítima de nada, sou apenas um ser pensante e questionador, em busca de respostas que talvez nunca me serão suficiente, mas que me ajudam a olhar com escárnio para o Satiricon...

Abraços Fraternos!

Suicide Solution?


Vocês sabiam que o suicídio é a décima causa de morte no mundo? São mais de um milhão de suicidas ao ano! Uma estatística impressionante se levarmos em conta a moralidade hipócrita que somos subjugados a temer. De acordo com Camus, em O Mito de Sísifo, "O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia". Uma proposta e tanto, deixar para trás todos os problemas existenciais que nos perseguem dia e noite. Mas um outra boa solução pode ser o "suicídio social". desde que se tenha como manter uma vida mínima, excluir-se socialmente, deixar a cena é mais apropriado àqueles que têm ao seu redor pessoas que amam. 

Podemos, em contra partida, sermos rebeldes metafísicos até que a rebeldia nos canse. Camus propõe a rebelião metafísica: o rebelde metafísico protesta contra a condição humana em geral. O Rebelde metafísico questiona Deus e sua criação. Ele não se conforma com as lástimas e as desgraças que os seres humanos praticam uns com os outros. Se Deus realmente existe, qual é a sua motivação para deixar que os homens façam o que fazem com a sua criação? Por que Deus não interfere em nada? Não há uma explicação plausível para essas questões. Não é possível engolir as respostas cristãs ou espíritas do "castigo divino" ou que temos um "carma". Essas respostas são insuficientes, são ilógicas. Ser ateu é ter um grande fardo a carregar, crer em Deus é revoltante. Se deus não existe, sou responsável por mim e pelos acontecimentos do mundo. Crer em Deus é blasfemar contra a sua criação e contra a existência em geral. 

Os seres humanos precisam de uma ordem superior pra guiá-los, para colocar a culpa de seus atos errôneos nela. Deus é a criação mais genial do homem. Como disse Voltaire, se Deus não existisse, teríamos que inventá-lo. Pois ele é o bode expiatório ao mesmo tempo é o "todo-poderoso" aquele cuja responsabilidade é julgar os homens e castigá-los como eles merecem. E a responsabilidade humana? e a minha e a sua responsabilidade? Porque será que precisamos ter sempre uma força acima de nós? Seja essa força Deus, ou o governo ou algum outro guru. Por que não saímos de nossa menoridade e iluminamos as nossas mentes? Por que não nos conscientizamos de que os nossos atos são o que movimentam o mundo, que somos responsáveis por nossas atitudes e que devemos respeitar as outras pessoas? 

Como disse Kant, "confiar" em alguém, ter alguém para nos dizer o que fazer, como se fossemos uma legião de formiguinhas, é muito mais fácil que tomar toda a responsabilidade dos nossos atos. Enfim, o maior problema está nas pessoas que finalmente saíram da menoridade, que compreendem o mundo dessa maneira. Esse movimento deveria ser universal, e não deslocado apenas a certos indivíduos. A grande maioria sempre será rebanho. Sempre será guiada ou pela religião, ou pela política ou pela mídia. Aqueles que têm consciência disso são os grandes perdedores, pois a eles cabe toda a dor do mundo: a dor de não poder fazer nada para mudar (quem já tentou mudar alguma coisa, percebeu a inutilidade de tal ato); a dor de saber que tudo é vão e ilusório e que a vida é um palco cheio de idiotas gritando, um teatro que não significa nada.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

I'm a fuckin rotten kid, ay!


Tenho percebido uma mudança de minha postura perante a vida durante esses últimos meses. Não sei se é influência de remédios que tomo ou se apenas idade. Há muito tempo, acho que desde que nasci, percebo uma certa aversão das outras pessoas em relação a mim. Não sei exatamente explicar o que acontece, mas um breve relato pode ajudar os meus leitores a entender do que falo. Bem, quando eu era muito pequena ainda, na verdade no ventre de minha mãe, meu pai propôs um aborto, minha mãe se recusou e eis que vim ao mundo, já rejeitada pelo pai. Nem deu para eu ter o complexo de Electra. Meu progenitor caiu fora de nossas vidas (desculpe a linguagem coloquial, mas isso é um desejo inconsciente de não levar a vida a sério). Depois tive momentos ruins na escola, desde criança eu me isolava de tudo e de todos e talvez por isso me olhavam com um certo desdém. Na adolescência tive mais problemas na escola e na família. Era a adolescente rebelde que andava com uma trupe de malucos que faziam quase tudo que eu mandava (um bando de rejeitados sem muita escolha de amizades). Meus entes mais próximos me chamavam de perna fina, nariguda, cabelo "a vaca lambeu" e tudo quanto é apelido que se possa imaginar, apelidos que, de certa forma, iriam influenciar meu caráter, pois aos 12, 13 e 14 anos o que somos afinal? ah, ainda teve aquela musiquinha imunda  "Loira Burra", que eu ouvia na escola, cantada no volume máximo na minha orelha... Aos 17 pintei meus cabelos de vermelho e até hoje me pergunto por que não nasci ruiva... Aos 18 veio a fase de trabalho e em praticamente todos os meus empregos sempre havia alguém que me odiava mais do que tudo na vida e fazia o possível e o impossível para que eu fosse mandada embora. Eu me lembro como se fosse ontem, meu primeiro trabalho, minha primeira experiência traumatizante: Comecei a dar aulas de inglês em 1998, e na escola havia uma outra professora que gratuitamente me ofendia, dizendo que a Puc era muito melhor que a Usp por isso ou por aquilo. Tudo que eu falava era rebatido de forma ofensiva. Eu cansei dessa atitude e mudei de escola. Na outra escola eu era a excluída para variar. Já não sou muito de papear a toa, imaginem o que a minha presença representava numa escola onde as professoras se conheciam há anos? Bem, resisti muito mais à indiferença do que à ofensa. Segui em frente e passei uns 4 anos de minha vida sem me relacionar com uma pessoa do trabalho sequer. Houve casamentos, aniversários, baladas das quais sempre ouvia falar mas nunca tive o desprazer de ser convidada. Eu era um verdadeiro nada ali. Enfim fui para Guarulhos, onde trabalhei mais alguns anos. Ali conheci pessoas muito bacanas, entretanto éramos muitos professores, alguma alma viva ali tinha que ter cérebro pensante!!!! Fiz algumas amizades e muitas inimizades. Mas como eu tinha resolvido mudar minha atitude e minha aparência, acho que não era suficientemente uma ameaça aos outros. Havia muito mais pessoas ameaçadoras do que uma professora sonsa (sim, banquei de sonsa!) que usava aparelhos e óculos e roupas sem grife... Depois entrei para a universidade e embora alguns conflitos, consegui levar minha vidinha no banho maria. Fiz meu trabalho até que não mais servi para meus empregadores e levei um chute na bunda. Já tinha terminado meu mestrado e estava querendo mesmo um tempo para ler os russos, os franceses, os brasileiros, tudo, menos literatura fucking inglesa. Agora que estou definhando em casa, as intrigas familiares passaram a me perseguir com mais intensidade. Mas o que antes me chateava a ponto de me fazer sentir raiva, hoje não passa de um zumbidinho chato. Eu não mais perco meu tempo com raiva de fofoquinhas, intriguinhas e besteirinhas, acho tudo tão mesquinho e baixo que não há com que me preocupar, já que hoje eu me entendo como uma pessoa de gênio. Que venham as intrigas, as baixarias e a podridão! Não hei de me afrontar!

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"O inferno são os outros"


O bicho-papão, o homem do saco, o saci pererê, a bruxa malvada, os monstros e o diabo estão lá fora esperando que a donzela indefesa saia de seu castelo encantado e com ela façam todo o mal possível. Os contos de fada sempre me surpreenderam, pois neles é possível ver o que há de monstruoso e terrível nos homens: a inveja, o ódio, a brutalidade, a ganância, a vontade de aniquilar o outro. Mas nos meus contos de fadas particulares não há príncipes e nem ao menos fadas encantadas. O que salva a donzela de tudo isso é a auto-suficiência. A donzela pode se proteger ficando trancada em seu quarto olhando sua bela face  no espelho a envelhecer com o tempo. Mas ela pode sair do castelo com uma condição: lutar contra todos esses inimigos sem deixar que sua verdadeira beleza seja manchada. Que tal então comprar máscaras e vestir-se de monstro ou de bruxa má? mesmo assim, os obstáculos serão postos a frente dela. então, o que fazer, afinal? Sair desse mundo encantado consciente de que lá fora há muita vilania. Consciente de que lá fora terá de enfrentar os sentimentos mais baixos para adiquirir um pouco de beleza. Deixar a sua rosa encantada bem guardada em uma redoma de vidro.

Evolução científica?

Ao ler um post de um amigo bloggeiro (A Busca) sobre a guerra, as contribuições que ela gerou para a humanidade, escrevi um comentário que achei interessante publicar também aqui no meu blog.


"É preciso ter o caos para se formar uma estrela", Nietzsche  disse uma frase parecida (não me recordo agora ao pé da letra), e se pensarmos na criação, na tecnologia e no "progresso da humanidade", percebemos que é realmente através das guerras que tudo mais se desenvolve e se aprimora. Os computadores, a internet, os aviões, os antibióticos, todos foram pensados e desenvolvios porque havia alguma guerra emergindo. No entanto, ao questionar esse caos, não consigo compreender porque apenas através da morte de tanta gente inocente tudo isso é possível. Será que a grande força da criação humana tem como base apenas o ódio? Porque não se investem milhões para combater a desigualdade, a miséria, a dor? Por isso, ao olhar para o homo sapiens e ouvir que ele tem a semelhança de deus me faz ficar ainda mais niilista, mais inconformada com tanta crueldade. Só se pode gerar uma estrela através do caos? Porque o amor nunca prevalece?
abraços fraternos

Trecho de Coélet, retirado do livro de Harold Bloom, "Onde Encontrar Sabedoria."


Ao ler o trecho que transcreverei a seguir, não pude deixar de fa\zer uma ligação perfeita entre o meu pensamento o o de Coélet, que encontra-se no livro dos Eclesiastes, na Bíblia. Como podem ver, a Bíblia também contém ensinamentos profundos, bárbaros, apesar de uma pregação errônea que fazem dela nessa igrejas da vida. Leiam com atenção e sem preconceitos, é um trecho lindo:

Outra vez me voltei, e vi sob o sol que a corrida não é para os céleres, nem a batalha para os fortes, tampouco o pão para os sábios, nem a riqueza para os homens esclarecidos, nem o favoritismo para os homens de talento; o tempo e a oportunidade se apresentam a todos eles.

Minha interpretação pessoal dessa passagem é quase que literal: Diria eu que apesar de, às vezes, as oportunidades baterem nas portas dos sábios, dos esclarecidos e dos fortes, esses, por sua honra e dignidade não se vendem aos propósitos dos "homens da esperteza", que são os que dominam cada fatia do poder e do controle sobre a existência humana. São esses os políticos, os grandes médios e pequenos empresários, entre outros "malandros" que controlam todo o sistema. O forte esclarecido não se submete a uma guerra suja, onde será o carrasco de gente inocente (vejam o que acontecem nas guerras, quantas mulheres, crianças e idosos morrem sem ao menos fazer parte de toda a sujeira política!), o sábio esclarecido também não quer comercializar os seus conhecimentos, é como já lhes disse em algum post antigo, como professora, às vezes me sentia "prostituída", pois tinha que "vender" ideias errôneas, enganação entre outras coisas que me deixavam muito mal. Se eu ousasse falar o que penso, estaria na rua, pois não educamos nossos alunos para que se tornem críticos: educamo-los para que se tornem máquinas de fazer alguma empresa lucrar... Enfim, se queres viver de sabedoria, saibas que não terás o teu pão por essa via. A sabedoria deve ser sim espalhada pelos quatro cantos do mundo, mas nunca será mercadoria! 

abraços fraternos!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Estou de volta!


Olá queridos amigos, leitores e críticos, estou retomando minhas atividades cibernéticas! Gosto muito de escrever, mas nesses últimos dias não pude retornar aqui, pois estou empenhada em alguns projetos pessoais. Enfim, voltei para reafirmar minha posição niilista, minha desilusão com o nosso sistema político, com a ordem das coisas, com a falta de um mínimo de sensibilidade que as pessoas têm para com os sentimentos e ideias alheias. Não fico triste mais, apenas confirmo as minhas convicções. Continuo desempregada, apenas alguns trabalhos free lance para manter um mínimo possível de vida. Aprendi que no mundo não há lugar para mim, sou sincera demais e acabo botado os pés pelas mãos. Não há lugar para os fracos, e os fortes continuam suas disputas pelo poder e glória. O que penso eu do mundo? Tudo em vão! Para que desgastar o pouco de energia vital que me resta disputando com pessoas completamente sem escrúpulos?

As grandes massas apreciam o "show" de horrores, apreciam tudo aquilo que mais tripudio. O espetáculo não está apenas na televisão, ele está ao nosso redor, nas nossas pequenas e grandes vivências. Por que devemos obedecer a essa ordem maior? por que não há revolução? Simplesmente porque não somos suficientemente burros para dar murros em ponta de faca. Sabemos que não temos força para derrubar os paradigmas estabelecidos, então estamos no subsolo de tudo isso, essa é o meu lugar e o lugar dos niilistas! Nunca preguei nada, apenas deixo a minha opinião, o que penso e o que vejo registrados aqui no blog, que é um espaço livre, onde cada um pode concordar ou discordar. Não quero impor verdades e nem convencer ninguém, mesmo porque meu amigos não são um bando de idiotas que seguem alguém, são pessoas que pensam como eu. E por vocês voltarei com toda a força! esculpem decepcionar aqueles que querem meu suicídio, mas não darei esse espetáculo! Como mulher e humana, demasiadamente humana, tenho pessoas queridas que me amam e que me entendem, e por elas viverei!