sábado, 17 de março de 2012

Dormi muito bem essa noite graças aos meus amigos inseparáveis: Lexo e Rivo, mas nem sempre eles conseguem me derrubar tão bem assim, foi um nocaute fabuloso. Mas acordei com uma dor de cabeça terrível porque ontem passei por sentimentos estranhos: Paranóia infernal, stress, pânico. fui me deitar à tarde mas as crises começaram com tanta força que mal pude pensar em algo. deveria ter tomado remédios e esperado a crise, mas não tive a idéia de fazer isso, eu simplesmente surtei, meu coração disparou e uma ânsia, tremedeira e suor frio tomaram conta de meu corpo. Nem preciso falar o que se passou em minha cabeça. Não, não foi aquele sentimento de que iria morrer, eu nunca tenho essa sensação. Eu sinto que as pessoas estão me procurando, e nem sei quem são essas pessoas, e elas querem algo de mim e eu quero fugir. Eu penso que vou enlouquecer e vão me levar para um hospício e lá eu ficarei presa para sempre e coisas do gênero. Agora estou tão lúcida que olho para a crise que tive e não consigo imaginar que truques a mente prega em mim. É o próprio capeta. Hoje apenas quero evitar a rua e as pessoas. Só quero ficar sozinha quietinha no meu canto. Desliguei o telefone para não seu incomodada. mais tarde ligo para minha mãe pra ela não ficar preocupada. Enfim, mais uma crise brava, mais um dia perdido, mais uma vida sem esperança.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Seguir...

Seguir Verbo intransitivo. Mas seguir o que? Quem? Como? Em quais condições? Por quais razões? Simplesmente seguir em frente, é o que ouço. Mas as perguntas precisam de respostas. Seguir o coração ou a razão? Sonhar com o que? Planejar para que? Tudo lá fora me parece tão vago, tão triste e tão frio. Não quero seguir, o que devo fazer para parar? Não quero nada, não quero ser mendiga, tenho muito medo de acabar desse jeito, mas não quero ser escrava dessa merda de sistema, não quero trabalhar. Vou desistir e vou passar uns tempos de cama, não sei até quando, mas quero uma temporada na minha cama. preciso desse tempo e não sei por quanto tempo, eu simplesmente preciso. E as minhas resposabilidades? e minhas contas? o que faço? será que estou à beira de um ataque? estou me sentindo tão mal que nem consigo mais pensar. Vou deitar um pouco agora, meu dia não teve começo nem meio mas o fim certamente é a cama. Depois eu volto aqui e tento examinar essas palavras que escrevi, tentarei analisar de forma lúcida, pois parece que estou fora de mim. O que é que está acontecendo comigo afinal? Que sentimento estranho...Eu volto...

segunda-feira, 12 de março de 2012

A chuva de 12 de março



Dois dias após meu aniversário cá estou eu, ouvindo Nat King Cole e uma chuva tão interessante lá fora que não pude deixar de lado minha vontade de sofrer. Resolvi escrever para o sofrimento parecer menos tenso, menos rígido, pois tenho a sensação de que o estou compartilhando. Não importa se estou dividindo isso com o teclado ou com a tela, com o provedor do blog ou qualquer outra alma penada que possa um dia cair sem querer por aqui e ler esse pedacinho de tristeza regada à chuva. O importante é que as palavras me saem pelos dedos como se o teclado fosse os ouvidos de um treinado terapeuta e a tela seus olhos analíticos a me espreitar.

Mas o que vim falar hoje aqui é sobre o que sempre falei. Sobre a dor de não pertencer. Tenho andado todos os dias pelo centro de São Paulo, e vejo as pessoas no metrô, é inevitável pensar comigo mesma que quando as olho não sei se tenho mais pena de mim, que me sinto um alienígena no meio delas ou se tenho pena delas, que parecem robôs programados para sair e entrar nas catracas, seguir um rumo tão conhecido que chega a ser enfadonho: rotina. Acabo sentindo pena de mim mesma, como uma típica psciana, eu é quem sou anormal ali. Todos estão no padrão, eu estou fora daquela realidade que me aterroriza mas que no fundo invejo por não poder tê-la como minha verdade soberana. Gostaria de ter essa verdade soberana, quem sabe não me sentiria assim, como uma gota de enxofre no meio de águas cristalinas, ou uma gota de água no mais corrosivo ácido que já se viu pelo planeta...

A chuva passou, a canção terminou e o silêncio que invade meu pequeno espaço me faz pensar e pensar que a solidão é boa quando podemos dividí-la com alguém. Mas como se divide a solidão? um mais um são dois e dois não estão mais sozinhos. Mas um dia eu soube dividir a solidão porque encontrei alguém que vivia tão só quanto eu vivo. Não se acostuma uma criatura tão solitária a largar de vez a solidão e compartilhar. Eu não aprendi, nunca irei aprender. E por isso aquela velha canção do Nat king me parece tão sincera: quando eu me apaixonar, será para sempre ou eu nunca irei me apaixonar. Como sou loba velha, tenho a plena certeza de que nunca vou me apaixonar mesmo! E nesse meio tempo, entre a vida vazia que levo e a morte que me espera, eu vou caminhando e cantando e seguindo como se fizesse parte de tudo que está lá fora, mesmo com meus pensamentos tão distantes...