sábado, 25 de dezembro de 2010

Sabedoria


Quero expor aqui o que concebo como sabedoria. Não sou nenhuma sábia, no entanto, mas quero trabalhar muitas dessas características para poder atingir um nível de sapiência cada vez mais elevado. Toda essa teoria que relatarei aqui é uma concepção que tiro a partir de minha própria experiência de vida e de livros que leio. Formulei minha própria teoria, mas serei breve no blog, pois aqui fazemos apenas leituras rápidas para reflexão. Acharia muito conveniente se meus leitores contribuíssem também com suas ideias.

Interessante ressaltar que antes de trabalhar com uma palavra especifica, sempre procuro seu significado etimológico. Sabedoria é o "domínio do saber", do latim sapientia, que significa "bom senso, bom discernimento, discrição, prudência, inteligência (Dicionário do Latim Essencial, Editora Crisálida). Outra curiosidade é que Sapientiae significa filósofos. No inglês, a palavra usada para sabedoria é wisdom, cuja origem é também latina - visionen (wis), ou seja,  visão. o sufixo dõm vem do inglês medieval, que significa estado, condição, autoridade, julgamento. Wisdom seria algo como Visão da condição ou o estado de algo, ou a faculdade de observar com autoridade e julgamento. Penso que essa trajetória da palavra seja um tanto pesada, pois visão fixa, ou visão de cima acarreta certa parcialidade de observação. Mesmo em português a palavra visão pode ter sentido de fantasia, devaneio ou ilusão. O que é um visionário? não é o mesmo que um sabedor.

Para falarmos em sabedoria, devemos observar alguns requisitos básicos da qualidade de um sábio. 

Em primeiro plano está a auto-suficiência. Obviamente, por vivermos em sociedade e dependermos de diversos tipos de interação humana, ser auto-suficiente se torna muito mais difícil. No entanto, o quanto menos dependermos das pessoas, melhor para nós mesmos.  E quando falo em auto-suficiência não falo apenas de relações de trabalho ou materiais, mas principalmente sentimentais. Se deixarmos nossa felicidade, realização, satisfação e construirmos "sonhos" inserindo outras pessoas, certamente iremos nos decepcionar muito. Mas esse tipo de sofrimento é fácil de contornar: aceitar que somos seres únicos e independentes (até certo ponto). Criar fantasias mirabolantes incluindo namorados, amigos e até familiares leva-nos, indubitavelmente, a sentimentos ruins. Raiva, rancor, possessividade, dependência, desapontamento, decepção.

Depois temos de ter Serenidade para aceitarmos o mundo e os nossos semelhantes. Serenidade consiste em compreensão, aceitação e paz interior. No latim, a palavra serenus, além de significar calma  e pacificação, também tem conotação de alegria. Quem está calmo, sereno, está em paz consigo mesmo, e essa é a melhor alegria que se pode ter.
Liberdade: entender que liberdade não é o mesmo que impulso. Fazer o que se quer não é libertar-se e sim escravizar-se pelos próprios desejos e prazeres. Temos que compreender que liberdade é somente aquilo que faz parte do nosso interior: nossos pensamentos, nossos sonhos e nossos objetivos. O mundo externo não se pode controlar, por isso, muitas vezes, sentimos uma angústia fulminante por não termos esse controle do que está fora de nós. Devemos, pois, concentrarmo-nos em nosso Eu e agirmos com ética, respeito e educação. Mesmo que o mundo lá fora seja uma selva, temos o nosso livre arbítrio, e com ele devemos praticar apenas o bem, sermos éticos. Se essa regra fosse seguida por todos os seres humanos, certamente uma grande utopia de minha parte, o mundo seria muito mais fácil. No entanto devemos ter em mente que não se pode controlar as ações dos outros, apenas as nossas, e cada ação que tomamos, haverá consequências. Pense nessas consequências antes de agir, se elas não infligirão a sua natureza.

Equilíbrio. esse é um dos fundamentos da sabedoria mais difíceis de cumprir. Viver uma vida equilibrada, sem excessos, sem ceder aos prazeres, à luxúria e à compulsividade exige muita disciplina. Se pensarmos nas atitudes que tomamos no dia a dia, e as observássemos com zelo, veríamos quantos excessos desnecessários fazemos todos os dias. Uns comem demais, outros falam demais, algumas pessoas tem mania de controle, perfeccionismo, ou se jogam para uma vida sedentária, cheia de futilidades. O equilíbrio consiste justamente em nos mantermos em uma vida regrada, para o nosso próprio bem. Refrear os impulsos que não nos trazem benefício algum. Realmente difícil, porém indispensável para nosso crescimento pessoal e humano.

Seja Imparcial: Todas as coisas têm sempre perspectivas diferentes. Não devemos julgar apenas por um ponto de vista particular, mas tentar enxergar o máximo possível de cada acontecimento. Não nos cabe julgar as ações alheias, pois não sabemos o que impulsiona cada ser humano. Mas nosso dever é avaliar nossos próprios comportamentos e atitudes. E mesmo não sendo compreendido por todos, devemos tentar compreendê-los. Isso não fará bem para ninguém a não ser para você mesmo. A partir do momento em que começamos a enxergar diferentes perspectivas, estamos desenvolvendo nosso pensamento crítico. Ao rotularmos, julgarmos e condenarmos as outras pessoas, estamos nos restringindo a um pensamento fixo e inverossímil, dessa maneira atrofiamos nossa capacidade de observações profundas.

Eis aqui um simples resumo do que acredito ser Sabedoria. Existem muitos outros pontos para refletir, entretanto não quero cansar meus leitores, aos poucos vou publicando mais desse pensamento

Abraços Fraternos


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Gosto do que não existe

Hoje resolvi desabafar mais um pouco. Não sei se estou em condições de ser racional em pleno momento de cansaço extremo, angústia e melancolia. Mas vim relatar aqui que eu sou uma pessoa que não gosta de absolutamente nada. Gosto de algumas pessoas, de meus bichos de estimação e uma boa comida. Entretanto não gosto de fazer nada. Não gosto de sair de minha toca, não gosto de baladas e amigos, não gosto de trabalhar, não gosto de obrigações, não gosto de diversão, parques, praias, montanhas, nada me atrai. Se disser que nunca gostei, estarei simplesmente mentindo. Já fiz de tudo na vida, já viajei, trabalhei, curti baladas, mas tudo perdeu o sentido e não sei explicar as razões disto.

O pior é que as pessoas não entendem, ficam achando que é frescura, preguiça, maluquice, entre outras coisas. Eu preciso inventar mil desculpas para não me perturbarem. Cada dia uma doença nova, um problema para resolver e assim por diante. Eu me sinto tão mal por não poder realizar as coisas que esperam de mim, tão pressionada que isso acaba me deixando ainda pior.

Fui convidada para passar o ano novo na praia na casa de uns amigos. Mil e uma desculpas para não ir. à vezes surgem festas, mil desculpas, minha mãe me chama para sair com ela, mais mil desculpas. Parece que ninguém desiste de mim! Eu não quero nada, só quero solidão e cama, só isso que quero. Poxa, que maldição que recaiu em minha cabeça, eu que sempre fui tão esperta, inteligente, engraçada, uma boa companhia... agora no buraco. Que raios! A única coisa que me faz sair da cama é pegar um livro ou escrever alguma bobagem. Mas a verdadeira vontade é dormir para sempre, nunca mais acordar, mas que isso não magoasse ninguém

sábado, 18 de dezembro de 2010

Depressão: A doença do século?


De acordo com algumas pesquisas (não que eu acredite muito em estatísticas), a depressão é hoje a quinta doença mais comum no Brasil. Dentre as pessoas que conheço, mais de 50% delas já me relataram que sofrem desse mal, não sei se minha porcentagem é devida a uma certa "lei de atração" (depressivos atraem depressivos?). O fato é, a manifestação de tal doença é um sintoma da pós-modernidade.
Vimos a decadência dos sistemas anteriores, guerras. bombas atômicas, revoluções sem sucesso, ideais fragilizados e utopias mortas. Num mundo de engrenagens tão "flexíveis" e "dinâmicas", onde as pessoas são parte descartável em qualquer lugar, onde não existe mais crenças de igualdade, fraternidade e liberdade, onde não existem mais empregos estáveis, os indivíduos se encontram acuados em seus míseros sonhos de consumo e no seu grande pesadelo cotidiano. Uma forte avalanche nos atormenta todos os dias. O trabalhador acorda de manhã para laborar mas não sabe se no outro dia estará empregado. e tendo como molde as famílias de seus ancestrais, tem filhos para sustentar, famíla, contas a pagar. Esse trabalhador é brutalmente explorado e hostilizado por seus superiores, escuta inúmeras vezes na semana que existem mil pessoas que gostariam de estar em seu lugar. Uma realidade nua e crua.

O desemprego nos países Europeus, que eram nossa fuga, agora nos afugenta. Antes, ao pensarmos na possibilidade de ficarmos desempregados no Brasil, pensávamos na possibilidade de uma carreira no exterior, mas a mídia tem esmagado esse "empreendimento" que poderíamos nos arriscar.

Estamos cada dia mais solitários, mais desamparados e mais dilacerados. Vivemos sobre a ditadura do medo: medo de sermos mortos nas ruas cada vez mais violentas, medo de perdermos o pouco que temos, medo de encarar a realidade de frente. E obviamente esse medo acarreta doenças psíquicas em nós. A depressão é um sintoma de toda a barbárie capitalista, essa escravidão remunerada.

Sem ter onde se refugiar, o homem contemporâneo se depara cada vez mais com o Absurdo da existência. Embora as religiões tentem dobrar esse homem, tapando-lhes os olhos de sua condição degradada, esse discurso não mais nos preenche. 

Nessa luta constante com o dia de hoje, como pensar em futuro? A única possibilidade é esperar Godot. Esperar o nada adiante. Logo, temos duas alternativas para continuar vivendo, de acordo com Camus: Ou você tira voluntariamente sua vida ou se apega a alguma esperança de um dia tudo melhorar. Eis o dilema.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Agorafobia

Ágora, em grego, significa espaço público. Era onde os cidadãos gregos se encontravam, onde havia feiras e mercados, discursos e várias manifestações públicas. 

Agorafobia é o medo de estar fora de casa, um transtorno que aflige várias pessoas no mundo. Quem é portador desse tipo de distúrbio teme que, ao sair de casa e se encontrar no meio da multidão, possa passar mal e até morrer.

Não sou agorafóbica, no entanto, tenho evitado ao máximo sair de minha casa nesses últimos dias, tanto que ainda não arrumei o vidro do carro só para não sair mesmo. Estou pedindo remédios em casa e compras de mercado meu marido faz. Algumas aulas particulares consegui transferir para lecionar aqui mesmo. Parece uma grande preguiça, mas não é, tenho a sensação de que não vou suportar o calor da rua ou que encontrarei pessoas que irão me parar para conversar, e eu não quero. Tenho evitado conversas também. Nem atendo mais o telefone. Meu celular vive desligado. Tenho medo até da campainha tocar...

Isso pode ser um certo resquício da síndrome do pânico que vivia tendo no semestre passado. Só saio de casa por obrigação mesmo. Minha mãe se chateia comigo porque não quero sair para passear com ela, mas é mais forte que qualquer prazer que possa ter em um passeio. Mas o duro é fazer com que as pessoas entendam isso...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

algumas contradições cristãs

Sei que existem mil textos e vídeos que retratam as contradições da bíblia e dos mandamentos cristãos. Entretanto quero deixar uma pequena contribuição (espero não estar plagiando nenhum outro colega). Existe um vídeo de George Carlin fantástico sobre os dez mandamentos. Vale a pena procurar no YouTube.

Comecemos, pois, pelo Amor Incondicional para com todas as criaturas de deus. Essa doutrina nunca funcionou na realidade, nem antes e nem depois de os mandamentos existirem. Prova disso são as desavenças cotidianas, as guerras e as vinganças. Todas as criaturas do mundo, incluem-se aí os animais também? Bem, caso os animais sejam criaturas de deus, então todos os cristãos deveriam abolir a carne.

O Perdão: se todas as criaturas se amam de acordo com as imposições de deus, por que diabos deve haver perdão? amar não é respeitar e honrar? Se respeitássemos esse amor incondicional, jamais precisaríamos perdoar ou sermos perdoados!

A Caridade: Se todos os homens são iguais perante deus, porque há injustiça? A caridade só pode existir em um mundo desigual, logo não somos todos iguais perante deus e muito menos solidários! Não permitiríamos que nossos irmãos fossem distratados, excluídos e miseráveis.

Não faça nenhum ídolo: Como não? Então deve-se abolir a imprensa já! Nem deus deve ser idolatrado NENHUM ídolo!
Não Julgar: como julgar se amamos incondicionalmente e se somos bondosos? não há o que julgar, pois.

A Humildade: Mais uma vez, se somos todos iguais, por que alguns tem de ser humildes? Por que não nos tratamos de igual para igual? sempre haverá o poderoso e o fraco, e a humildade fica a encargo de quem?

A Fraternidade: somos todos irmãos não é mesmo? viemos todos da mesma árvore genealógica. o problema é que uns nascem brancos, outros negros, outros orientais, indígenas... E se somos todos irmãos, por que tratamos alguns com indiferença, ódio, discriminação?

A Bondade: não sei nem o que é bondade mais, de tanta pisada na cabeça que já levei de quem quer subir me usando de escada. Sim, o ser humano é capaz das coisas mais vis imagináveis.

É dando que se recebe: Estranho, dar o que e para quem? Já devotei meu amor a tanta gente e não recebi nada de volta. Já doei tantas coisas minhas e nunca ganho nada, nem no jogo do bicho! Na verdade eu nunca esperei nada de ninguém pois conheço a natureza humana, mesmo que você dê apoio incondicional, ajuda em situações difíceis, basta dar-lhes a verdade que as pessoas somem de sua vida. 

Consolar: Para que consolar se há bondade e amor divinos no mundo e em todos os seres, logo, mais uma palavra cristã sem nexo!

Compreender: Sim, essa é uma das poucas palavras que ouvi em pregações e que admiro muito: a ação de compreender os outros. Mas as próprias religiões geram guerras, inquisições e intolerância! porque o Papa não compreende que sem camisinha o mundo vai ficar muito pior (se é que dá para piorar!!!)?

E quando falam de Ressureição: Imagino o clip Thriller do Michael Jackson, os mortos que saem da tumba, um tanto blasfêmico!

A Boa Vontade: Sou demasiadamente humana para levantar as 5 da manhã de boa vontade, ajoelhar-me perante um altar e gastar meu precioso tempo de sono com isso!

E finalmente, mas não o fim, Não Pecar: Ora, se Jesus Cristo já pagou por todos os pecados do mundo, o que é uma cobicinha, uma invejinha, um adultério, um furto? Ele morreu por nós, então estamos todos quites com Deus!

Crença

Todo homem sofre. desde que nasce, até as suas desventuras mais trágicas. Acho que por essa razão, a tendência é procurar algo que explique essa dor incurável, essa angústia torturante. Crer em uma salvação é a única salvação para alguns. A escolha é acreditar e ter a esperança de um dia ser reconfortado ou não crer e levar adiante uma vida sem sentido. A crença dá um sentido, mesmo que enganoso, à existência e à dor. Não crer em nada é estar na contra-mão do mundo de calamidades. É reconhecer a burrice daqueles que acreditam e se tornam passivos perante um mundo de injustiças. A crença é justamente a fuga da luta, o "fechar os olhos" para tudo que existe de ruim. É apenas ver uma flor no meio do lodo.

(originalmente publicado no blog Eu também vou reclamar, como comentário de um texto fantástico de Italo)

Lúcifer por Lord Byron


Podia renunciar-se pelo bem que aos outros fazia
Mas não por pena, por dever ou sentimento
Mas sim por um estranho pensamento perverso
Que o impelia adiante com um orgulho velado
A fazer o que poucos ou ninguém teria praticado
Este mesmo impulso, pela tentação iria
conduzir ao crime a mente e o seu coração.
Lord Byron

Todos nós carregamos dentro de nós um pouco desse Lúcifer Byroniano. Embora tentemos agir de forma boa e honesta, às vezes, acredito até que muitas vezes inconscientemente ou sem intenção, nossos corações são impulsionados a praticar o mal. E por contrapartida praticamos o bem com um certo "orgulho velado", com uma vontade ardente de nos sentirmos superiores, melhores ou recompensados. Uma característica demasiadamente humana é retratada nesse Lúcifer.

Dizem as mitologias antigas que os deuses criaram os homens porque estavam cansados, para uma boa descontração. Mas sem os elementos do mal, os demônios, os Anjos caídos, a serpente, tudo não passaria de mais aborrecimento, Então os mesmos deuses criaram também os espíritos maleficentes para nos acompanhar com nossa "essência divina" - a bondade herdada por deus" e as tentações que os espíritos malignos nos inspira - os atos cruéis que podemos praticar de livre arbítrio. Toda essa ilustração teológica e poética é um retrato do ser humano dual por natureza. Obviamente não creio em nenhuma fábula, mas admiro a criação artística simbólica da representação. Os mitos nos conduzem a uma sabedoria infinita, no entanto não podemos misturar o mito do que é verdadeiro. Assim como deus representa na cultura cristã ocidental um ser de bondade infinita, Lúcifer, ou o demônio, representa  os impulsos inerentes a nossa espécie. 
Os "sete pecados" que nos são ensinados pela doutrina cristã são sentimentos que na realidade nos conduzem aos caminhos de nossa auto-realização. A gula é o sentimento de preencher um vazio existencial (vazio este que pela religião só poderia ser preenchido por deus). Da mesma forma, a luxúria e a vaidade são sentimentos de preenchimento e de satisfação. A ira é a revolta, ou inveja ou o ódio que sentimos normalmente por aqueles que nos "ameaçam" seja fisicamente, psicologicamente, filosoficamente... A preguiça é o nosso pecado niilista, a vontade de nada! Também pode ser a vontade de liberdade castrada por trabalhos exaustivos e entediantes. E o orgulho é o instinto de auto-preservação, seja de nossas próprias ideias, ou para as cabeças mais mesquinhas, a proteção de seu patrimônio (obviamente alardeado para que todos saibam que você é o máximo!)

Da mesma maneira, os dez mandamentos  devem "guiar" nossas vidas para que possamos viver dentro da bondade divina. Embora não seja cristã, aprecio a ética de tais mandamentos, apenas acho uma grande hipocrisia cristã, pois é difícil imaginar que deus tenha criado um ser dual  e queira colocá-lo em uma única posição de bondade, então por que deus nos criou assim? Amar a deus sobre todas as coisas, mas quem não ama muito mais o prazer mundano? Matar é por vezes o sentimento de aniquilar aqueles que "empatam" o nosso caminho. Roubar é satisfazer certas vontades. Honrar pai e mãe (lógico que honro minha mãe! mas ela merece todo a minha honra!), Guardar domingos, claro, trabalhamos a semana toda, domingo é o dia sagrado do descanso! Não levantar falsos testemunhos, mas isso é o que mais acontece! Não cobiçar as coisas dos outros, mas como se o mundo é tão injusto?

Enfim, o texto acima iria muito mais além, mas por respeito aos leitores vou terminá-lo apenas com um questionamento: Por que abominamos tanto o mal se praticamos todos os dias? Medo de sermos o próximo alvo?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Auto-engano

Todos nós, sem sombra de dúvidas estamos propensos a nos auto enganar. Seja através de crenças, de padrões pré-estabelecidos ou qualquer outro mecanismo. E o mais terrível problema do auto-engano é o julgamento que fazemos dos outros por não agirem como agimos, não pensarem como pensamos.

Quem julga tem a certeza errônea de que é dono da verdade e jamais aceita outras possibilidades de enxergar os seus semelhantes. Esse tipo de paradigma sempre me fez afastar dos outros, pois sou uma criatura extremamente diferente, estranha, bizarra ou o que quiserem pensar. Devido ao meu ateísmo, ao meu niilismo, ironia, humor negro e palavras até violentas para defender meus ideais, tudo isso me transformou em um ser estranho. Posso estar equivocada em quase tudo que penso, falo ou escrevo, mas como sempre afirmei e sempre irei afirmar, não são escolhas aleatórias, são uma construção que meus anos de vida me ensinaram.

abraços

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Super Ação

Superar significa fazer esforços homéricos para enfrentarmos os problemas do dia a dia e de nossas própria angústias. A super ação envolve principalmente o reconhecimento de suas fraquezas e a tentativa de transformação. Não é nada nem um pouco fácil. É preciso muito labor mental, muita coragem e principalmente perseverança. 

As palavras "esperança", "fé"e "destino" estão fora de meu vocabulário há anos. Não conto com nenhum tipo de força irreal, da qual não depende de nós mesmos. Por isso o meu mundo é um mundo egocêntrico, tudo está em minhas mãos. Deus não existe, logo não se pode contar com essa ajuda onipotente. É preciso que o homem observe em si mesmo suas capacidades, vontades e as transforme em potência e ação.  Vontade sem ação é apenas sonho. Capacidade sem luta é apenas um tesouro escondido no fundo do mar.

E quando falo em crenças, não apenas incluo a questão espiritual, mas também as crenças arraigadas em nós, nossos paradigmas, nossa visão das coisas, nosso modo de pensar. Pois toda história tem mais de uma versão. Nisso é também possível afirmar que não existem verdades absolutas, apenas fatos concretos que são interpretados por diferentes óticas.

É, para mim, tão nítida a visão de que existe uma desproporção enorme entre as aspirações individuais e a condição do mundo! Isso pude conferir durante a minha trajetória individual. cresci educada por minha avó e mãe que sempre me incentivaram a estudar muito para ser alguém produtivo. Eu consegui cumprir minha parte, mas as expectativas que tinha em relação à profissão que escolhi são muito diferentes do que esperei. Estudei muito sim, fiz sacrifícios e hoje me sinto inútil perante esse sistema que só procura mão de obra técnica. Onde ficam os humanistas? aqueles que estudaram tanto filosofia, história e literatura? A eles resta um emprego lixo em escolas degradadas. Nunca quis prestar concurso porque sempre tive ideia do que é trabalhar como professor público, não é nada agradável.

O meu niilismo não é covardia, não é fuga e nem a ruína de todos os meus valores. É uma condição psicológica em consequência do declínio moral, ético e filosófico da sociedade contemporânea. Não é uma escolha aleatória e sim fundamentada, um posicionamento. A total ausência de sentido que poderia explicar o mundo, as ações humanas e a validade da vida. Eis aqui um breve resumo de minha posição de pensamento.

Talvez Freud explicaria o niilismo como uma pulsão de morte, de aniquilamento do Eu, algo natural no ser humano e mais aflorado em alguns casos. Nietzsche explicou o niilismo como a tentativa de criar um sentido à existência, por isso criou o seu super-homem, aquele que nega os valores estabelecidos e, a partir de uma filosofia misantrópica, criar o seu próprio sentido.

Em suma, apesar de todo o pessimismo, o conhecimento da realidade injusta, do não-sentido das coisas,  da falta de fé e esperança, venho lutando contra minhas limitações, mas não quero me corromper, não quero vender minha alma a alguma instituição que não leva a sério o verdadeiro conhecimento, que tem várias facetas e muitas ainda não explicadas. Não quero me limitar a interpretação de um mundo pré-concebida por historiadores, contadores de história e nem por alguma religião, por esse motivo vivo em um impasse transtornador. Não quero ser política, guardar os meus sentimentos em prol da ganância estúpida de certas escolas que precisam formar apenas mão de obra não pensante, apenas executadores de tarefas árduas. O que fazer para superar meu dilema?

Ser rico não é fácil!

Pelo menos é o que mostram nas novelas da Globo. Eu, que agora estou desempregada, de vez em quando ligo a TV à noite para deitar e assistir. E tenho reparado que na novela das 9 não é fácil ser rico. Os ricos são cheios de problemas na família, são cheios de problemas nos negócios e nunca são felizes no amor. Já os pobres são bem educados, e sempre se dão bem (obviamente quando são personagens do bem). 

A pobreza na novela é recompensada com dignidade, trabalho, esforço, suor. A nobreza é castigada com conflitos, inveja e completa falta de controle sobre suas riquezas. 

Muito interessante seria fazer uma análise das ideologias existentes nas novelas, que reforçam a nossa crença de que a pobreza, o labor inesgotável e a dedicação são sempre recompensados! Nunca queira ser rico, pois olha só quanto problema você vai arranjar, meu filho!!!! Viva feliz na pindaíba! Deixe as dores de cabeça para os ricos!

domingo, 12 de dezembro de 2010

I miss TMC!!!!!!


Já estou sentindo falta do meu irmão de alma TMC, não quero ficar longe de suas idéias que complementam as minhas... De toda essa loucura que é o meu blog fiz muitos amigos especias e que gosto muito. Ivan, Ìtalo, alguns anônimos, Sedentário... tantos que não me lembro agora, mas que pensam parecido comigo e são extremamente importantes para mim, eu, rainha sem castelo, sem trono e sem coroa! rs. Gente Vocês não sabem como me faz bem me confessar com pessoas tão extraordinárias que em uma vida toda jamais conheceria se não por intermédio desse computador. Obrigada por tudo, pelas palavras, contribuições, discondância... tudo memso!!! E espero que Tmc e todos os outros não deixem de me visitar aqui de vez em quando!
Abraços fraternos!

Triste

Acabei de chegar da casa de uns amigos, quando fui pegar meu carro, percebi que haviam quebrado o vidro. Algum "marginal, favelado" tentou roubar meu rádio, mas só conseguiu entortá-lo e levar uma parte. Não conseguiu roubar o aparelho. Na hora todos que estavam comigo ficaram indignados, com muita raiva e xingando esses "trombadinhas, vagabundos, favelados". Eu apenas fiquei triste. Não só pelo fato de ter um grande prejuízo com o vidro e a parte do rádio, mas sim pelo que as pessoas são capazes de fazer para se incluir nesse sistema horrível em que vivemos. As favelas existem porque nós deixamos. Nós somos responsáveis pela exclusão de inúmeras pessoas pois nada fazemos para que exista justiça e igualdade. Não tomar nenhuma atitude é um posicionamento político de aceitação. E a tomada de atitude só pode surgir a partir de um movimento de trabalhadores conscientes. Os governos estão pouco se lixando para nós, que lhes damos carta branca para corrupção e degradação social.

Nós apenas conseguimos dizer: "Ah, fazer o quê?" enquanto a verdadeira bandidagem está no centro e não na marginalidade. Quem quebrou o vidro do meu carro fui eu, fomos nós, que deixamos tudo do jeito que está, e não um coitado que nem conseguiu fazer seu "trabalho" direito. O ladrãozinho de rádio deveria ter as mãos cortadas? Não! Nós é quem devíamos cortar as mãos desses salafrários de terno! Mas que tipo de revolução deve-se fazer para que a injustiça e desigualdade se amenizem? Gostaria muito que um movimento forte contra a bandidagem política existisse e que todos nós pudéssemos viver um pouco melhor. Vou dormir triste porque repito esse mantra "ah, fazer o quê?"...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Não quero que meu filho seja igual a mim.


Definitivamente não quero que meu filho seja igual a mim. Quero que ele seja mais um no rebanho, viver assim é mais fácil. Por isso eu nunca o incentivo a pensar ou agir como eu ajo. E definitivamente hoje sei que não somos mesmo parecidos, apenas na parte física não tenho como negar, parece muito comigo: mesmo cabelo, mesmos olhos, rosto cheinho... Mas sua personalidade é extremamente diferente da minha, e isso é bom. Eu desde muito criança nunca gostei de brincar com outras criança; ele não consegue ficar sozinho, precisa sempre de alguém para brincar. Eu era completamente anti-social, e ele é extremamente sociável. Eu falo pouco (apesar de escrever muito), ele fala até demais. Mas o principal fator: nunca gostei de disputas: jogos de bola ou tabuleiro. Ele me pediu um jogo, um simples jogo e eu fui ver quanto custava sem saber do que se tratava. O jogo é caro, então terei de fazer um"rateio" para comprá-lo, mas eu o darei. Esse jogo trata-se de uma construção de cidade, a partir de cartas e outras coisas, que você tem que construir derrotando o seu adversário. Quem conseguir construir a maior cidade, com mais bancos, lojas e casas ganha. Fiquei abismada com a "função" de um mero jogo de crianças: estimulá-las a se inserir nesse contexto capitalista. Ele já tem aquele tal de banco imobiliário que eu abomino, mas quero que ele cresça já se sentindo parte da máquina. Não posso desejar a uma criatura que coloquei no mundo que seja sofredora e revoltada como a mãe. Já basta eu ser o desgosto de minha mãe e de quem mais pode pensar em mim como uma derrotada.

A inteligência que se estimula hoje não é o profundo conhecimento das áreas humanas, e sim o conhecimento superficial e concordante com o capital vigente. Não é à toa que inauguraram a Usp leste apenas com cursos para formar mão de obra para o mercado. Eu tive que estudar lá no fim do mundo para aprender o pouco que sei hoje, coisas que me reinforçaram o pensamento subjacente. Espero que meu filho siga essa área técnica e que seja feliz em um emprego técnico e pense tecnicamente e não filosoficamente. Acho que as frustrações são inevitáveis a todos os seres humanos, mas a frustração de não poder comprar um carro melhore é muito mais fácil de superar do que a frustração de existir e não ser nada, ou não querer ser nada, não querer ser parte.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Branca?


Realmente não entendo como fui nascer tão branca. Sim, brancos demais também sofrem muito preconceito, além dos males que esse tom de pele proporciona. Bem, minha família, como toda a família tipicamente paulistana, é formada por uma msitura absurda de etnias. Portugueses, franceses, espanhóis e índios (ou como diz meu pai, bugres). No entanto eu não nasci com o tom de pele de minha mãe, morena clara e nem de minha avó materna, bem morena, dos cabelos lisos, grossos e pretos, tipicamente indígena. Saí com um cabelo ralo e fino, loiro escuro (de acordo com minha amiga cabeleireira, tom 6.1 rs).e uma pele absurdamente branca (calma, também não sou albina!). No entanto esse tom de pele não me é agradável pelos seguintes fatores: Não posso encostar em nada que fico roxa; qualquer espinha deixa marcas vermelhas por meses a fio; no calor, transpiro mais que lutador de boxe (suspeito de uma hiperhidrose, pois não vejo ninguém minando tanta água pelo rosto como eu!) E o pior de tudo, a pele clara envelhece mais cedo. Enfim, sei que o post é fútil, mas vejo tanta gente reclamar por isso ou por aquilo e achei que eu também teria esse direito! Estou cansada de meu rosto viver empipocado e com coceiras devido ao calor, não posso pegar sol mas nem a decreto! Enfim, acho que sou um ser das trevas mesmo, e isso não mudaria se minha cor fosse diferente!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Vórtice


Nossos pensamentos giram arrebatadoramente em torno de nossos egos. As pulsões, vontades, desejos e sentimentos descontrolados geram um caos mental que não se sabe ou não se pode controlar. Ondas gigantenscas de hormônios descontrolados, substâncias químicas, ondas nervosas deixam-nos transtornados, desolados e desamparados. Machado de Assis não chegou a inventar o tal emplastro Brás Cubas, esse seria o nosso remédio! Livre de angústias, de tristeza, dor e melancolia.

Quem nunca tomou sertralina, fluoxetina, paroxetina entre outros fármacos que nos promete um mundo novo de realizações e esperanças? Em vão! Com um terremoto dentro da mente o máximo que se pode conseguir de tais drogas é a estabilização do humor. E marsmo, muito marasmo, tédio, cansaço e sono. 

A vontade de viver, de realizar sonhos, de construir algo vai além da química cerebral, e digo isso com propriedade no assunto. Não sei se nascemos assim, já cansados de uma vida previsível e chata, ou se nossas experiências nos torna apáticos, niilistas em busca da misantropia e do silêncio absoluto. Genética? Experiências? Abas as coisas?

Basta uma simples acelerada de um carro ma porta de casa para desencadear um vórtice cerebral. Uma vontade imensa de fugir desse tissunami todo. Basta a campainha tocar ou o telefone anunciar que alguém quer falar conosco. Isso basta para uma explosão de sentimentos negativos surgirem e uma vontade imensa de fugir.

A poesia, a ficção, as teorias têm sido minhas companheiras fiéis durante períodos de intenso sofrimento. Egoísmo? É tão simples traduzir todo esse turbilhão em apenas uma palavra! Queria saber se egoísmo é uma doença curável e qual o remédio para ela. Não adianta arrumar atividades, fazemos tudo de mau grado quando não estamos bem conosco. Até uma viagem maravilhosa não cura a desgraceira! O que basta é tentar fugir ao máximo da vida social. Isolamento, auto-flagelação, mágoas, tristezas ficam permanentemente pairando sobre o ar. Uma vida cheia de trabalho? Sim, já vivi uma vida louca e não foi a cura. Já cuidei de pessoas doentes e não foi a cura. Estou só! Nem Freud entenderia, quem dirá seres humanos cheios de julgamentos nos olhos e nos corações!

Feira das vaidades


Há alguns meses fui a uma festa de 15 anos de uma prima. Bem ali, tive a nítida visão do que os seres humanos são capazes em termos de vaidade. Sempre reparei, com meu ar silencioso e observador, nas atitudes da espécie feminina, a qual tive o desprivilégio (ou não) de nascer. Bem como pensam as mulheres? Elas alugam os vestidos mais caros que possam pagar para apenas uma noite. Cheios de brilhos e plumas e pompas... Colocam sapatos dourados e prateados cheios de pedras brilhantes, pulseiras, anéis, brincos e colares que imitam diamantes ou pedras preciosas. Mas vocês acham que elas querem chamar a atenção dos homens? Ah, os homens nem reparam no tamanho dos saltos que as pernas bambas se equilibram. É tanto laquê nos cabelos, tanto pó na face que daria para montar outra mulher só de resíduos! O mais espantoso é a forma como uma olha para a outra e comenta: "nossa como você está bonita com essa roupa!" E depois viram as costas e dizem: "mas fulana não combina com tal cor, aqueles brincos são um exagero!"

Creio que entre os homens não seja muito diferente. Mas eles não reparam apenas nos sapatos ou no terno Armani, eles falam dos carros, dos i-phones, dos aparelhos eletrônicos... O meu carro é o melhor porque tem isso e aquilo. Meu telefone faz ligação para marte! Algo do gênero. 

E como fico nessa maluquice toda? Sozinha, obviamente! Eu, meu vestido preto comprado nas lindas e tradicionais boutiques do Brás! (não quero comentar sapatos, ok?). Deslocada, procurando alguém que já tenha lido Foucault, mas ninguém ali nunca leu nem Machado de Assis de verdade (só para passar no vestibular). A hora não passa, mas enqanto isso eu me empanturro com salgadinhos de queijo e coca-cola. Tédio! Penso na minha cama em casa, a me esperar! A hora não passa, mas que droga. E continuo a observar como as mulheres e os homens se exaltam, riem e esnobam todos os outros. Seria uma micro-física da luta entre os mais poderosos e os menos poderosos?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Por que não somos livres?


Eis uma pergunta que dificilmente será respondida de forma apropriada. Mas farei um pequeno esforço para deixar claro como penso tal questão, embora tenha que ser simples e alguns detalhes poderemos esclarecer com nossos comentários, os comentários que meus leitores fazem acerca de meus escritos têm feito com que eu possa refletir a partir de outros ângulos, outros pontos de vista. E isso, para mim, é uma experiência enriquecedora e memorável. tentarei ser breve e concisa.

Como minha formação é em letras, tenho sempre uma certa tendência em partir pelos discursos. Já escrevi aqui alguns textos sobre determinadas palavras e suas respectivas etimologias, dessa forma conseguimos adentrar no mundo obscuro das palavras e seus significados mais profundos. A análise discursiva pode parecer, a priori, uma verificação do mundo sem nexo, sem contextos, porém, se pensarmos em nosso cotidiano, o que move todo o nosso sistema? A linguagem e os discursos formados a partir dela. Não seríamos potenciais consumidores se não acreditássemos que tal e qual produto no é necessário, que tal e qual ideia é essencial para nossa existência...

Não sou grande conhecedora de Karl Marx, mas do pouco que conheço de sua obra posso ressaltar que o autor distinguiu o nosso mundo em duas partes: a infraestrutura e a superestrutura. A partir dessa divisão, muitos linguistas de cunho marxista começaram a estudar a superestrutura a partir dos discursos sociais que permeiam nossas vidas: O discurso religioso, o discurso das classes, o discurso familiar, entre outros. Só para quem não conhece nada sobre materialismo histórico, a infraestrutura são os meios materiais que temos: o solo para a plantação, a água para geração de energia (entre outras coisas), a madeira para fabricação de utensílios, o ferro, o bronze, o ouro, ou seja, tudo o que existe de material. A superestrutura são as ideias, a partir de uma concepção, ao observar um pedaço de madeira, podemos imaginar que, com ela e por uma necessidade nossa, podemos criar objetos. Então cria-se uma cadeira, uma colher, uma mesa. Durante a era do ferro, criaram-se espadas, martelos, utensílios para garantir a sobrevivência, além da utilização prática. Mas superestrutura também é a forma de conceber o mundo e o que está em nosso entorno: cria-se então Deus para explicar o trovão, a enchente, a guerra, as pragas. 
Através do conhecimento da linguagem, é possível "moldar" os pensamentos e a cultura. E guiados pela história geral, percebemos que essas concepções de mundo, universo, mercado, riqueza, religiões, entre outras formas de pensamentos sempre estiveram nas mãos de quem detém o poder. Se na sociedades antigas o poder era conquistado pela espada, em nossa realidade o poder centra-se nas mãos dos políticos, empresários e banqueiros e a mídia. (obviamente tal explicação é muito simplista, mas meu intuito aqui não é escrever uma tese). 

Passemos agora a pensar na questão do poder. Poder já foi definido por inúmeros pensadores, sociólogos, filósofos entre outras pessoas, também não poderei me aprofundar aqui. Tomemos Poder, em nosso pensamento, como "controle" ou "domínio" que um grupo de indivíduos exerce sobre outros grupos. Para exemplificar de forma simples, imaginemos uma fábrica a todo vapor, produzindo mercadorias que serão vendidas e darão lucro àqueles que detém o controle. O trabalhador que produz recebe apenas um valor simbólico pelo seu trabalho, mas jamais poderá imaginar o valor real de sua produção, pois esse valor será embolsado por seus patrões. Esse tipo de poder exploratório é a engrenagem que movimenta o sistema capitalista bem como o domínio de nossas mentes a partir de ideologias estabelecidas pelos que controlam o sistema.

Imaginem o que acontece na editoração de um determinado jornal. Vocês realmente acreditam em "imparcialidade"? Vocês acham que quem escreve uma determinada notícia tem a liberdade de expressar o que pensa? Eu, por exemplo, seria demitida em algumas horas se tivesse que redigir determinados acontecimentos. O dono do jornal tem interesses e quem anuncia nesses jornais têm interesses semelhantes: lucro, lucro, lucro! Se um determinado governo é achincalhado no jornal, vocês realmente acham que é pura informação? Ou acham que interesses maiores estão por trás disso tudo? 

O controle de nossas mentes é muito simples, é a partir de discursos e boa argumentação que se constrõem edifícios de ideologias errôneas, de ilusões, de distorção de realidades. E obviamente quando se tem o poder de controlar a mente, controla-se indiretamente as ações. exemplo disso: Natal! Estamos chegando perto dessa data tão vangloriada pelas elites e pelas massas. Apenas um dia que detém um potencial de vendas absurdo. Basta visitar um Shopping Center ou a 25 de Março para se ter uma ideia. Como somos persuadidos a pensar nesse dia como "algo especial", nossas ações nos levam a comprar compulsoriamente e compulsivamente. Eis um pequeno exemplo de ideologia que controla as ações. Obviamente que o natal é um grande espetáculo, mas o nosso dia a dia também não fica vazio dessa influência superestrutural. por que lavamos a roupa com Omo, Ariel, ou Ypê, se com gordura e soda cáustica podemos criar nosso próprio sabão? E porque usamos roupas assim ou assado? Para pertencermos! Já viram o comercial das lojas Renner? Lá você encontra o estilo de roupa que lhe bem agradar. Sim, eles dizem que lá eles tem um estilo para cada um de nós! Mas o lucro, é claro, fica nas mãos de grandes acionistas da loja!

Por que temos que pertencer a determinado grupo? Porque todos os grupos são determinados por inteligências. Todos nós usamos papel-higiênico e sabonetes. Temos a mesma necessidade em usar sapatos (rs), a mesma necessidade de dormirmos com travesseiros e lençóis. 

Sou livre porque posso optar em comprar um Vivo, um Claro, um Tim? Ou Lacta, Garoto e Nestlé? Sou livre porque posso ter um Ourocard? um Visa? um Mastercard? Posso escolher pagar em 10 vezes sem juros? Não existe necessidade de coibir, de doutrinar ou manipular, estamos todos inseridos, somos meros clusters de um computador gigantesco e cada um de nós têm sua função dentro desse sistema bizarro.A mídia faz o papel de persuasão, mexendo com as nossas emoções como no comercial da Johnsons, com nossa razão como no comercial da Oral-B, com nossa criatividade como no comercial da Natura.

O poder se centra em um triângulo composto, de um lado, pela política, do outro a mídia e na base o mercado. Diferentemente da religião, não existe um serzinho que domina tudo isso, e sim essas três classes que se sustêm a partir da superestrutura que já está estabelecida. As ideologias são construídas, tijolo por tijolo. Mas quem sabe um pouco de história compreende que um sistema não pode durar para sempre. Você acha que sua sacolinha plástica vai destruir o planeta? Relaxe, o planeta já está sendo destruído pela ganância das três classes dominantes!

Queria escrever muito mais, mas acho que o post já está grande o suficiente para causar preguiça de ler.... Agradeço aos que tiveram paciência em chegar aqui e espero seus comentários!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O amor existe


Hoje estou triste, muito triste mesmo. Cheguei a cogitar a possibilidade de fugir de vez do mundo, mas o amor de três pessoas, em especial de duas pessoas me impedem de fazer qualquer atitude. Meu marido Renato, que vem aturando todos os meus problemas, levando com ele uma carga extremamente negativa de minhas maluquices, e minha mãe que me apoia em tudo, não deixando de lado os seus sermões bem colocados. Sim, eles me amam apesar de tudo que sou, não sei se são mais loucos do que eu ou neles encontrei todo o amor e compaixão que no mundo todo não se acha. Eu sou uma eterna criança, não quero ser adulta, e ajo como criança. Mesmo assim, os dois estão SEMPRE ao meu lado e eu aprendi que os amo, apesar de meu egocentrismo narcísico.

Quando brigamos, acho que tudo acabou, mas eles sempre voltam e me dão um abraço encorajador. Por isso quero passar de agora em diante a agir como mulher e não como uma filha bastarda e revoltada contra o mundo. O meu pai tem grande responsabilidade por meus distúrbios, mas eu não posso deixá-lo acabar comigo. Eu hei de me reerguer e acreditar naqueles que só querem o meu bem. 

Quero publicamente pedir desculpas a essas duas almas piedosas cujo amor está além do bem e do mal, além do que se possa entender de química cerebral. Eu no lugar do Renato não sei se admitiria estar casada com uma pessoa tão imatura, irresponsável e infantil. Eu no lugar da Roseli não sei se teria paciência de cuidar de uma filha bem crescidinha. O que seria de mim sem essas pessoas? Se deus existisse, diria que ele é esse sentimento nobre que algumas pessoas que não são egoístas têm e com isso ajudam os mais necessitados de carência afetiva.

Sou uma fraca, fracassada, falida, mas eles não me querem morta, eles querem continuar a me reerguer, a me recuperar e fazer de mim uma pessoa melhor. Eu vou tentar por eles e espero que a tentativa de mudar não seja frustrada por mais nenhuma pedra no caminho. Chega de querer me compensar com coisas inúteis, fúteis. Vou à luta para manter a melhor harmonia possível.Se isso acontecer, devo agradecer eternamente ao meu marido e minha mãe, que me suportam, aturam e criam como se eu fosse um bebê desamparado.

Quero retribuir tudo, pois meu coração é puro e bondoso. Se reclamo do mundo, se não aceito um deus na minha vida é porque não posso tolerar injustiças, isso não faz parte do meu caráter. Devo-lhes a vida, apesar de não gostar dela, gosto do amor que vocês me dão sem nada pedir em troca.

Renato, meu amor! espero que você compreenda a minha situação e não desista de mim.
Mãe, minha vida, se tivesse abortado não teria dor de cabeça, mas também não teria o meu amor!!!! E minha eterna gratidão por tudo!

Muito amor para todos nós!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

E por falar em zumbis...

Pois é, meu carnaval é comemorado em 2 de novembro todos os anos. Eu participo do Zombie Walk. Totalmente sem noção? Sim, muuuita gente critica essa passeata, dizem que somos um bando de gente sem ter o que fazer, mas eu adoro me pintar de morta-via e sair por São Paulo. Vejo cada maquiagem bacana, o pessoal tem mesmo criatividade. Esse  ano resolvi me vestir de pirata. Comprei uma peruca ruiva e um chapéu. fiz uma maquiagem sinistra, algumas cicatrizes no braço e comemorei o melhor dia do ano - finados. Em homenagem ao meu futuro e ao futuro de todos nós! Vejam as fotos e comentem (acho que vai gerar polêmica... ou não)

 até o demo apareceu!
 Piratas
 olha aí a nossa horda!
 hum...
 Bem que o carro tentou, mas eu já estava morta...
 Sou vegetariana, mas zumbis comem cérebro cru...
Blasfêmia total, mas dizem que sangue de cristo tem poder!

Solidão

A maior alegria do homem é estar feliz apenas com uma companhia: a sua. Hoje estou completamente sozinha em casa, na companhia do meu cachorro apenas. Tenho milhares de coisas para fazer, mas resolvi enforcar o dia, vou deixar para fazer a noite, pois tenho prazo até sexta-feira. Refletir, pensar, dormir, completa ociosidade. vou desconectar meu telefone, desligar celular e ficar comigo por um dia. Se viver se resumisse a isso, minha vida seria um paraíso, no entanto existem os outros lá fora para atrapalhar.às vezes assisto a filmes de zumbi, vejo a cidade vazia, que maravilha seria não? As pessoas muitas vezes são inconvenientes, outras vezes são odiosas, tediosas... Dessa maneira prefiro estar entre meus livros, meu computador e alguns cigarrinhos.

Agora me passou pela cabeça o natal; a ceia com a mesa cheia de gente que visivelmente não me atura. Esse ano não sei o que fazer para fugir dessa doença coletiva. Todo natal me convidam para participar com a "família" esse momento de "confraternização, compaixão e amor"! Oras, tudo não passa de hipocrisia! Pura hipocrisia! Às vezes acho que sou paranoica, que não é nada disso, as pessoas não me odeiam, e nada têm contra mim. Mas ao pensar em tudo o que ocorreu durante o ano, as fofocas, intrigas, a falta de respeito, tudo isso me fortalece ainda mais esse sentimento de me isolar completamente. Estarei eu equivocada?