sexta-feira, 13 de março de 2009

Julgamento

Sei que, de vez em quando, sou uma pessoa rude, às vezes grossa e impulsiva, pois não penso muito para falar. Já ofendi muita gente, mas também já fui muito ofendida. Talvez esse meu jeito de ser na verdade seja um mecanismo de defesa, pois por dentro sou uma pessoa muito frágil e sensível. As pessoas costumam julgar mal, parcialmente as outras, levando em consideração apenas aquilo que elas veem ou querem ver, não levam em conta o que há por trás de toda a aparência. Quem julga está sempre avaliando algo de acordo com seu próprio ponto de vista. É interessante pensar na etimologia da palavra 'julgar'. Ela tem a mesma raíz da palavra juízo, que significa conceito e opinião, que muitas vezes são errôneos. Julgar significa sentenciar, e uma sentença sem fundamento é sempre uma ofensa. Quem é constantemente ofendido, acaba se tornando um ofensor. Eis a razão pela qual muitas vezes faço determinadas coisas que são muito mal interpretadas. Os juízos de cada um de nós são sempre diferentes uns dos outros, e enquanto nós não soubermos respeitar a individualidade alheia, viveremos em constante pé de guerra.
F. R. Dias

domingo, 1 de março de 2009

Absurdo

O ser humano se depara com o verdadeiro sentido do absurdo quando ele realmente entende a lógica do mundo: quando ele percebe que a natureza não é justa e nem injusta, é apenas como é. Não havendo lógica alguma os acontecimente sucedem-se uns aous outros sem explicação plausível, sempre de forma aleatória. O nosso conceito de justiça é falho, pois não há justiça na natureza humana e nem na natureza em geral. Com isso quero dizer que toda a doutrina moral, ética ou religiosa são apenas invenções para dar uma resposta a questões que nos intrigam tanto. Um homem bom não é recompensado por ser bom assim como o mau não é punido pelo fato de ser mau. Não existe essa constatação simplista tão óbvia, tão lógica e maniqueísta que gostaríamos que houvesse. Obviamente todos nós nos sentimos muito mais seguros ao acreditar que exite um poder maior que controla o fluxo o universo, que matém as coisas nos seus devidos lugares. E justamente por acreditar nisso, cumprimos com o nosso papel de semos bons, para colhermos os frutos da bondade. Mas ao analisar profundamente os rumos da vida e os diferentes aspectos dela, percebemos o quanto essa lógica maniqueísta está longe de ser uma regra; e, na verdade, nunca será uma regra. Devemos aceitar com resignação que todos aqueles que fazem o mal não irão pagar por seus pecados. Assim também devemos entender que não basta sermos bons para colhermos os frutos da bondade. O mero acaso ou a sorte são os regentes do mundo e de seus acontecimentos, a vida não passa de uma grande loteria com prêmios variados, e essa loteria da vida não escolhe quem prejudicar e quem afortunar, ela simplesmente acontece, ao mero acaso. O mundo toda caminhos complexos, sem explicações, e nós, questionadores, ficamos sem entender a lógica de tudo isso - apenas percebemos o quão absurdo tudo nos parece...