segunda-feira, 31 de março de 2008

Reflexão do dia

Quantas horas amargas, quanta tristeza silenciosa. Fechei as portas e as janelas de minha casa. Não me tragam flores... e quem haveria de trazê-las? Sou um monstro da escuridão. O ódio é o meu único amigo, a dor a minha companheira inseparável. Tenho estudado os estóicos, os niilistas, mas como há de apagar-se tanto estrago de minha alma??? Não há filosofia, nem poesia e nem arte que possa curar a grande chaga que carrego comigo, que lambo o tempo todo, como um cão ferido. Ferida purulenta, fétida, necrosada, ando a mostrá-la para mim mesma como se fosse um lindo adorno. Sempre odiei isso nos outros, sempre odiei quem mostra as suas chagas para os outros e vangloria-se. No entanto, eu faço parte dessa gente agora, e só agora percebo. Uma ferida como essa nunca cicatriza. Há de cortar o pedaço que a contém, entretanto, quando amputamos quaisquer que sejam os membros de nosso corpo, sempre nos olhamos com um ar de perda, de revolta e de tristeza. Eu sempre estive com a faca à mão, prestes a cortar-me, mas sempre tive medo, sempre achei que um dia a ferida purulenta secaria e uma nova pele recobriria toda a sua extensão, e eu me veria finalmente livre de toda dor que me cerca dia e noite. Não foi bem assim, os anos se passaram e a ferida continua a crescer e a piorar. Não tenho mais medo de morrer, morrer, aliás, seria um grande alívio. A pior dor que se pode sentir é a dor do desprezo, principalmente quando esse desprezo parte de alguém que lhe é tão importante. Às vezes eu penso que um dia a vida há de vingar-se por mim, às vezes penso que tudo isso é bobagem e que o destino é uma idiotice sem fim... creio que a minha última hipótese seja a mais correta. Muitas vezes sofremos por ter feito algo de errado, sofremos assim em silêncio, sabendo que somos merecedores dessa dor. Mas às vezes sofremos porque simplesmente nascemos... o meu único crime - o meu crime foi ter nascido. Eu pago todos os dias por esse crime involuntário. Já não tenho mais fé (ou será que nunca tive?), já não tenho mais esperança (acho que nunca a tive), vivo como vivem os peixes arrastados pela correnteza, em vão, às vezes tento nadar contra ela, achando injusta a minha posição, a minha pouca força contra o turbilhão das águas que correm, mas quem sou eu, afinal, para desafiar esse mostro que é a natureza? A natureza é uma fábrica de atrocidades, é uma bela mulher que nos engana através de nossos olhos e que nos destrói inexoravelmente - nos põe ao mundo e nos traz a dor, a doença e o desprezo. Eu odeio muito tudo isso!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Alguns Poemas de Lucas Santiago

A amargura pode nos visitar por falta de um beijo, ou por excesso desse em demasiado seco; ela pode vir também por saudade de alguém, ou pela falta dessa saudade. amor de menos, amor de mais, sorrisos que não condizem, inimigos que não persistem. Que me venha a amargura visitar. Regar a minha flor da pele. Que essa flor torne-se um jardim semeado pelo beija-flor, que já não busca o doce, que já se cansou do vôo, que, ao invés de voar canta. Que não foge dos tempos de seca, resiste. Esse beija-flor é raro, único, e é dessa excência que eu espero semear meus frutos.
tem jeito, risco feito, tiro dado eu, soldado de mim.o arco deve lançar a flecha para concluir seu fim.a espada que não fere falha com sua missão.o samurai que não desfecha o golpe mata com conhecimento o dom.

Largue essas correntes ouça mais o coração,o anjo disse em meu ouvido tu és deus e não adão,nem todos olhos se enganam com as miragens em seu deserto eu, soldado demimlevanta-se o véu da noiva oferecida e o que se vê é o começo do fim,fim da festa à fantasia cai com a máscara o sorriso que não existia,anél nos dedos, brilho nos cabelos ludibriam o olhar que quer achar o dia,Largue essas correntes ouça mais o coração,o anjo disse em meu ouvido tu és deus e não adão,aqueles com alma de guerreiro nunca dobram seus joelhos eu, soldado demim.A missão cumprida faz a vida mesmo depois da morte não chegar ao fim.o verdadeiro herói sabe não teme a derrota mesmo estando só.
Pra brigar basta ser homem, pra vencer tem que ser super-homem Pra olhar basta ser homem, pra enxergar tem que ser super-homem Pra ouvir basta ser homem, pra entender tem que ser super-homem pra mal cheirar basta ser homem mas saber morrer é coisa de super-homem. Essa é de homem pra homem. O que a alma consome, O badalo do sino é o que? É o chamado da morte. A fumaça exalada é pra que? Pra engasgar quem é forte. A promessa oferecida a de ser, entregar a vida pra sorte.Calcanhar já não levanta, saliva seca que desce a garganta.O coração já não vibra, um dragão chamado rotina.A bainha sufoca a espada, um tiro engolido pela culatra.Vós Suncê capoeira tem que ser, Vós Suncê berimbau tem que conhecer,Pra crescer criança tem que voltar a ser

sexta-feira, 7 de março de 2008

Ensaio de Kleber

“Não importa o quanto nos tornemos conscientes, sempre haverá uma quantidade indeterminada e indeterminável de elementos inconscientes que pertence a totalidade do (Si-Próprio)”.Dr. Carl Gustav Jung. A raiz de todo e qualquer pensamento filosófico, crença, doutrina, sendo religiosa ou não, e até mesmo o comportamento cultural de uma determinada sociedade, são agregados num único consciente coletivo. Querendo ou não vivemos de propriedades! A referência espiritual derradeira é o silêncio para além do som. A palavra tornada carne é o primeiro som. Para além desse som esta o transcendente desconhecido, o incognoscível, o pensamento que transcende. Aquilo que é sobrenatural na verdade é natural. A idéia de sobrenatural acima do natural é uma idéia mortífera, e foi justamente esta idéia que na Idade Média, transformou o mundo em algo como a terra devastada, uma terra onde as pessoas vivem uma vida inautêntica, jamais fazendo aquilo que realmente deveriam fazer. Numa terra devastada, as pessoas perseguem propósitos que não são propriamente os delas, mas lhes foram impostos como leis inescapáveis. O que isto me parece, se não morticínio? A lenda do Graal e Tristão trata disso, que o espírito é realmente o buquê da vida não é algo soprado para além da vida e sim provêm da vida. A Queda do Éden vê a natureza como corrompida, e este mito corrompe o mundo inteiro para nós. Quando a natureza é corrompida, todo ato espontâneo é pecaminoso, devendo ser reprimido – e o espírito é a revelação da divindade que é inerente à natureza.Em uma certa tribo indígena do povo Sioux, que viviam nas planícies americana. Vivia enfermo um garoto de 10 anos, muito doente, psicologicamente doente. Estava lá fazia dias, tremia suava, sentia calafrios. A família aflita manda vir um Xamã, para livrar o menino do que afligia, mas o Xamã com a sabedoria em vez de livrá-lo das divindades, resolve adaptá-lo a elas e vice versa. Nietzche; já dizia, “ Tome cuidado ao se desfazer dos seus demônios, pois pode estar se desfazendo de algo que há de melhor em você”. Pois o melhor que esta em você, poderá estar na sua alma, e para onde as pessoas colocaram a literatura da alma? Estamos interessados nas noticias sangrentas do dia a dia, para onde vem e vai o meu dinheiro. Platão, Confúcio, Buda, Goethe, Diógenes, Sófocles, Epicuro e tantos outros por ai a fora, falam dos valores eternos, que tem a ver com o centro do Ser, onde justamente esta localizada a alma, tudo o que podemos pensar vem uma idéia de dualidade de ser ou não ser, de bem e mal, disso e daquilo outro, de Deus e Demônio, luz e escuridão, amor e ódio, espiritualidade e sexualidade, verdade ou falso. Kant já dizia; “ a coisidade em sí, é ser e nem ser”. Esta dualidade na verdade ela funciona como um jogo de sombras, que acaba camuflando a singularidade que existe no todo. Blake o poeta certa vez disse; “ A eternidade esta apaixonada pela produção do tempo”. Nove séculos antes de Jesus, os Upanixades já falavam que céu e inferno esta dentro de nós, todos os deuses estão dentro de nós, todos os mundos estão dentro de nós. Jesus veio dizer; “ O reino de Deus esta dentro de vós”, então decifrando isto, você não precisaria segui-lo nem adorá-lo como fizeram erroneamente, pois quando entender este deus interno você se tornará Deus. O Tudo e o Todo dentro de nós se torna um sonho amplificado e sonho é manifestação, é imagem, energia que borbulha ferve transformando em matéria Corpo, carne, existência que entra em conflito umas com as outras, um órgão quer isto outro quer aquilo, a cabeça é um órgão. Freud coloca como complexos. Jung como arquétipos, mas esta tudo ai, o Cristo inerte dentro de você, os inteligíveis – invisíveis, intangíveis, inconcebíveis, imperceptíveis, inimagináveis, indescritíveis. É a essência do auto-conhecimento, comum a todo estado de consciência. Todos os fenômenos ai cessam. Não há dualidade. É aquilo que esta guardada na sua psique, que é revelado para alguns às vezes por meios de sonhos, rituais ou sinais, mas este último como falava os Upanixades quem tem ouvidos que ouça. Vivemos em um sono profundo, no qual muitos não querem ser acordados. Um provérbio chinês de Lao te Ching; “Aquele que pensa que sabe não sabe, mas aquele que pensa que não sabe, sabe”. Neste caso saber é não saber e não saber é saber. É os mistérios profundos, magníficos, esplêndido misterioso, cujo centro esta em toda a parte e a circunferência em parte alguma. Donde na grande mãe Morte certamente não precisaremos mais de conflitos, de “separatismo”, de “dividualismo”, “creticismo”, “acumulatismo”, “materialismo”, capitalismo, ou até realismo. A realidade é uma Metáfora. kleber kapodanno.