quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Vazio

É extremamente difícil aceitar o que a natureza nos impõe. Aceitar a idade, a dificuldade de viver, aceitar a degeneração e a morte de quem amamos e a nossa própria degeneração e morte. É triste olhar para a realidade e verificar que nela em si não há nenhuma razão. E, depois de algum tempo, percebemo o quão inútil e vazio é tudo que nos rodeia. Não há lógica em nada! só há lógica se partirmos de um ponto irreal, como,por exemplo, se acreditarmos em carma, reencarnação, deus... Fora isso, qual é a razão? Estou me sentindo velha e cansada... inerte, dentro de um poço cheio de vazio.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Procurando motivos

Homo Homini Lupus - O Homem é o predador do homem. (Plauto)
Eu definitivamete me cansei de procurar motivos para a dor que sinto. Eu não posso encontrá-los em mim mesma. Não posso encontrá-los em outras pessoas. Não acredito que qualquer ser humano mereça sofrer seja lá do que for. Seja de angústia, fobia, privação; algum fator biológico como doenças e deficiência ou mesmo pelas mãos de outros seres através de guerras, corrupção e injustiça social. Não se pode acreditar em Deus! Na minha cabeça isto é algo proibido, pois se Ele existe, então deveríamos torturá-lo e mata-lo (esse porco capitalista!!!). Deveríamos fazer de Deus o que se atribui a ele ter feito com os seres humanos - fazê-lo passar por todas as doenças do corpo e da alma, fazer com que ele pereça sozinho e lentamente. Enfim, nem a Deus posso culpar pois ele não existe. Então culpar a mim mesma? Por ter nascido diferente, ou culpar a sociedade por ser o que ela é? Não há culpados. Talvez poderíamos condenar a natureza por ser tão encantadora ao mesmo tempo que é extremamente perversa. A natureza é implacável, é imperdoável; ela nos fornece a água que bebebos e depois nos dá a seca para morrermos de sede!. Quando adimiramos uma bela paisagem, é bom tê-la para sepre na memória, pois a força da natureza, num próximo mometo irá transformá-la ou até mesmo aniquilá-la completamente. Da mesma forma trabalha a natureza humana: Todas as pessoas têm um lado bom, um lado doce e suave, um lado encantador, entretanto basta um repentino giro do destino e toda essa beleza se transforma em uma engenhosa máquina do demônio. Já mencinei algumas vezes que a mente humana é uma ferramenta diabólica: a mesma mente que pode planejar o futuro do planeta, que pode fazer de tudo para salvar o seu próximo, tem potencial de sobra para aniquilar o mundo e as pessoas que nele vivem(e cá entre nós, como é muito mais fácil destruir do que criar!!). Mas que engenharia assustadora é a mente humana! Que é o demônio senão o nosso próximo? Como diz Sarte "O inferno são os outros". Os seres humanos são demoníacos e disso não tem quem me convença o contrário! Vou morrer com essa crença, de que vivo no inferno e de que estou rodeada por demônios de todos os tipos

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Angústia

Quem foi que viu minha Dor chorando?
Saio. Minha alma sai agoniada.
Andam monstros sombrios pela estrada
E pela estrada, entre estes monstros, ando!
Quem é que nunca sentiu a alma sufocada, quem nunca sentiu um choro abafado que não quer escapar? Um aperto no estômago, uma dor intensa? Quando as lágrimas saem dos olhos, elas não limpam a alma como cantam os poetas, as lágrimas deixam a dor mais apertada, o peito oprimido... Chego a pensar que vou desmaiar, penso que desta vez o meu corpo não aguentará mais. Puro engano: quanto mais me angustio, mais me preparo para novas angústias que estão por vir. E essa é uma dor inevitável. Não tem como fugir dela. Penso em sair, correr, morrer... mas não tenho forças nem para me levantar da cama. então enfio a cabeça no cobertor e ali permneço por um bom tempo. Mal consigo expressar os meus sentimentos... essas linhas que percorro com a tinta saem trêmulas e borradas, o corpo já não mais obedece a mente, ele parece perambular como um sonâmbulo pela noite do mortos-vivos! Meu rosto chega arder, meus olhos, nem mais os sinto... minha cabeça parece uma mesa de marceneiro atacada por sucessivas pancadas... e o pior de tudo é saber que isso não é o fim, o pior de tudo é não saber quando será o fim... O que me resta, afinal, se não sofrer este golpe e esperar que a dor se vá?

domingo, 20 de janeiro de 2008

Desabafo

Bush: O senhor da guerra e da injustiça social. Apenas um símbolo do que o ser humano representa para o outro quando está no poder. No final das contas, somos todos iguais.
A cada dia que passa, meu sentimento de inconformidade com a situação do planeta e dos seres humanos vai aumentando e aumentando, num ritmo frenético e desesperado. Não há como escapar das maldições humanas: uns odeiam os outros e de uma forma ou de outra, você sempre acaba sendo atingido pelas saraivadas de rancores alheios. As pessoas a cada dia aumentam a minha repugnância. Como elas podem se portar de forma tão vil e tão cruel frente a outros seres como elas? O que há de errado com o mundo? Por que, afinal, todos querem destruir o seu próximo? Por que existe tanta maldade, tanta inveja, tanto rancor? Andei refletindo seriamente sobre tais questões e a única explicação plausível até então foi a questão da pulsão de morte que todos nós temos (recorrendo a Freud novamente). As pessoas tem essa pulsão de morte e por isso elas desviam toda a sua agressividade para o outro. Algumas pessoas, ao contrário, utilizam essa pulsão para si mesmas ou a sublimam no trabalho, na escrita e na arte. Como explicar o sentimento de auto-destruição que algumas pessoas sentem? Por que algumas pessoas sofrem tanto com compulsões, com transtornos e paranóias enquanto outras perseguem os outros para destruí-los a qualquer preço? Tanto aqueles que voltam a sua pulsão de morte para si mesmos quanto aqueles que voltam essa pulsão para os outros sofrem de qualquer maneira. Na verdade, descontar a sua ira nos outros é a escapatória mais utilizada pelas pessoas em geral. Observamos em nosso cotidiano como alguns se empenham tanto nessa tarefa, seja fazendo fofocas, intrigas, "lavagem cerebral", colocando uns contra os outros, seja roubando, matando, estuprando e violentando. Graças a esse instinto tão absurdo e tão cruel, a humanidade caminha para a sua ruína. estamos à beira do precipício. Nunca vi tanta desigualdade, tanta injustiça em nenhum outro tempo do passado ao percorrer os livros de história. Claro que eles são recheados de todo o tipo de patifaria que a doentia e diabólica mente humuna é capaz de pensar. Entretanto, em nossos dias, a população vai cada vez mais aumentando e a pobreza, a desigualdade, a poluição e a destruição do planeta aumentam na mesma proporção. E o mais absurdo é que ninguém parece perceber. A escravidão continua nos dias atuais como sempre. Hoje trabalhamos para consumir o básico para a nossa sobrevivência, isto é, o pequeníssimo salário que recebemos retorna à mão de quem nos pagou. Mais especificamete, quero dizer que trabalhamos para manter um sistema horrendamente desigual e injusto. A pergunta que não quer calar é a seguinte: O que representa "evolução tenológica", "avanços da ciência", "pesquisa espacial" em um mundo cada vez mais abismal como o nosso? Claro que aquele que pode ler isso que escrevi está imerso nesse sietema e mal pode compreender o que há de errado com a humanidade, pois tem acesso à essa tecnologia, tem seu emprego (nem sempre isto significa alguma garantia), tem a sua cama para dormir a noite e sua diversão em tempos de folga. Pessoas como você, caro leitor, não vêem aquilo que não querem ver, aquilo que não vale a pena ver.. Algumas pessoas são simplesente incapazes de reconhecer toda a imundície que está por baixo do que a mídia nos pode oferecer. Na verdade estamos muito próximos da ruína. estamos em um momento muito delicado da história e o mais engraçado de tudo isso que que ninguém parece se importar com nada. Vejo milhares de pessoas levando uma vida cada vez mais precária, vejo tantas outras ameaçadas de perderem o pouco que têm e parece que ninguém pode enxergar o que está tão óbvio. A verdade é que não consegimos adimitir ou reconhecer aquio que está dentro de nós, essa semente do mal que transforma o planeta num lugar cada vez mais horrendo e que faz do convívio entre as pessoas cada vez mais um espetáculo de crueldade e baixaria.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A Cultura do Narcisismo

Existe uma teoria da psicanálise que trata o complexo de Narciso. Essa teoria mostra que, ao nascermos não sabemos distinguir o que sou Eu e o que é o Outro. Nesse período, temos a sensação de que tudo a nossa volta - o seio materno, o colo, o ambiente - faz parte do Eu. Através do tempo, com alguns mal-estares que vamos sentindo - como a fome, o frio, o desamparo - acabamos por descobrir algo que nos será um grande peso por toda a nossa vida: descobrimos a diferenciar o Eu e Outro, percebemos que não temos controle total da situação que as ocorrências externas estão fora de nosso alcance. Isso é o primeiro golpe em nosso ego. Essa explicação simplista serve para desenredar o argumento desse ensaio: Com a falta da repressão externa que o mundo contemporâneo nos proporciona - ou seja, em nossa sociedade atual, não temos mais valores grandiosos de ética e moral compartilhados por todos - os indivíduos tendem a cada vez mais pensarem somente em si mesmos, a cultuar uma vida egoísta e egocêntrica: somos uma sociedade narcisista. Cada qual apenas visa o seu próprio prazer, a sua própria vontade deve reinar, onipresente e onipotente. Estamos nos tornando cada vez mais solitários, cada vez mais temos ódio dos outros, cada dia somos mais arrogantes e acreditamos que somente o que nós pensamos ou acreditamos é o certo. Com a filosofia (pós) moderna, aprendemos que não existem mais verdades absolutas, aprendemos que não existe mais um "centro do universo" decobrimos novas culturas, algumas novas e outras até milenares não-canônicas. No entanto, cada vez mais agimos em prol de nosso próprio benefício, agimos para obter prazer imediato (I'm free to do what I want - tenha um Visa na mão!). Nossas atitudes não levam em consideração o próximo, isto é, não importa se o outro vai sofrer ou não, eu faço o que quero da forma que quero. Ouvimos até mesmo dezenas de vezes as pessoas falarem "sou mais eu"... Nós compramos tênis nike mesmo sabendo que ele é fruto de uma escravidão silenciosa lá na China ou na Coréia. Nós compramos coisas pelas imagens e não pela qualidade ou necessidade. Compramos marcas e não produtos. Compramos compulsivamente o que a televisão nos mostra nos prometendo felicidade imediata, conforto e amor. Compramos coisas simbólicas, pois a vida real é dura, é difícil, é massacrante. Na vida real não temos carinho, não temos conforto não temos estabilidade e todas essas "garantias" que os produtos da mídia nos oferece. Enfim, as outras pessoas nos incomodam, nós incomodamos as outras pessoas, vivemos fugindo uns dos outros embora ainda tenhamos um instinto que nos faz ir atrás de outros seres humnos... Mas é inegável como reparamos os defeitos alheios, como eles nos incomodam! Como odiamos diferença! Como odiamos quando alguém pensa diferente e nos quer "pregar" os seus pensamentos ou os seus ideais ou apenas as suas idéias! Como o convívio se tornou intolerável! Vemos até mesmo pais e filhos fugindo uns dos outros. marido e mulher que moram em casas separadas ou que dormem em quartos separados. A última moda é ser sozinho, e a tendência é que os seres humanos cada vez se descentralizem mais e mais, até um dia o que Samuel Beckett escreveu em sua peça "End Game" se torne real: o mundo será apenas cinzas e tudo a nossa volta terá cheiro de carniça!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Depressão?

Por que todas as pessoas insistem em tentar me convencer de que a vida é bela, de que tenho que mudar os meus pensamentos negativos, de que eu só vejo o lado ruim das coisas... Por que tentam me convencer que eu tenho depressão, de que eu preciso me ajudar, que eu preciso mudar o meu jeito de encarar as coisa? Por que ninguém nunca diz para mim "deixe de ser realista!" "comece a inventar coisas belas e bonitas" "comece a acreditar naquilo que não existe". Um dia eu cheguei à conclusão de que eu estava com uma doença cuja cura era prometida através de algumas sessões de terapia e alguns medicamentos. Hoje, após alguns anos de conversas com psicólogos, após ter me dopado de vários tipos de substâncias, concluí que a minha doença não era na verdade uma doença. Agora eu sei que na verdade eu estou curada, estou sã e descobri que o mundo é que está doente. Eu não tenho depressão! Eu tenho uma visão muito aguçada da realidade, isso é o meu problema. Como é que se pode diagnosticar depressão em uma criatura tão sã quanto a mim?Esses médicos é que são loucos em acreditar que a depressão é uma doença. Na verdade a doença não está em mim. O mundo está infectado de maldade, inveja, intrigas, guerras, ganância, egoísmo. E eu fui criada para acreditar nos outros seres humanos! A minha avó e a minha mãe sempe me diziam isso, que os seres humanos eram bons. Eu via os gestos de amor que elas me dedicava quando era pequena lá em casa. Eu acreditei que todos os homens eram bons como elas foram para mim. Quando comecei a sair de minha casa e vi um mundo que não correspondia com aquilo que a vida toda me foi ensinado, então entrei em colapso: tive crises de pânico, tive febre, dores no corpo e uma vontade extrema de morrer Não! aquilo não podia ser real. Lembro-me das primeiras brigas na escola. Lembro-me das mentiras que os coleguihas inventavam uns dos outros só para os verem assinar o "livro preto", tomar suspensão ou terem os pais convocados. Depois eu me lembro das intrigas que algumas garotas criaram a meu respeito só para que o menino que eu gostava rir de minha cara. Depois comecei a ver na TV coisas estranhas chamadas de corrupção, guerra, terrorismo... Aquilo não podia ser real! Eu estava tendo um pesadelo!!!! Depois de algum tempo eu comecei a querer lutar contra tudo aquilo que eu achava estar errado: Eu me filiei a partidos de oposição, frequentei reuniões secretas, me envolvi com grupos de revolucionários... Depois descobri que todos eram iguais. Descobri que por onde quer que se vá, existirá sempre gente querendo acabar com outras pessoas de uma forma ou de outra. Resolvi me isolar então. Comprei alguns livros, li, estudei e observei a vida ao meu redor. Fiquei um tempo sem querer sair de casa. Agora quando eu tenho que sair de casa, eu saio. Vou ao mercado, vou ao trabalho e volto para dormir. E ainda acho que se eu acreditasse em deus, eu teria muito ódio dele, pois se ele criou a terra e o homem a sua semelhança, ele deveria ser um monstro inexorável. Agora vocês me perguntam: "Por que você ainda não se matou?" A resposta é eu ainda não descobri porque, acho que o meus instinto de sobrevivência (que Freud explicou) ainda fala mais alto que a minha razão!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Desanimada

Cheguei a um ponto em que tudo me é indiferente: as pessoas, as coisas, o céu e o abismo, são para mim tudo a mesma coisa - nada. Dizem que a nossa alma é imortal. O que comprovo agora é o oposto: o nosso corpo permanece enquanto a nossa alma se esvai aos poucos. A alma (o true self) vai se desgastando com o passar do tempo, com as experiência que vai tendo, com o observar a desgraça que é o mundo. Minha alma morreu. E morreu por toda a eternidade! Agora o que me resta é esperar o corpo se definhar até que os orgãos não mais resistam o trabalho pesado de manter a vida, o corpo caia ao chão e os vermes o decomponham num banquete delicioso. Não me importo mais se é dia ou noite, se está frio ou calor, nem mesmo sei que dia é hoje ou que horas são. Sei que vou ter de voltar ao trabalho em breve, mas isso ocorrerá de forma maquinal. Acho que sou um robô de carne e osso. Não sinto mais dor e nem afeto. Virei um grande coração de pedra, um coração de bigorna. Eu já não mais me incomodo com os ratos ou com as baratas, apenas sinto fome, sede e algumas dres nas pernas e nas costas. Eu só queria acabar com o desconforto que é carregar um corpo que não mais me pertence, um corpo que agora poderia jazer sob a terra e alimentá-la para gerar novas vidas que não valem nada, não significam nada e que vão perecer como o meu corpo. É difícil carregar um corpo cuja alma já não mais existe. Eu me lembro de tanto sofrimento que eu chorava e me perguntava porque eu não me matava, porque eu não morria... Agora só resta esperar. Esperar que todos me abandonem aos poucos, coisa que já não mais me fará sentir pena de mim mesma, esperar que tudo comece a desmoronar, esperar que tudo comece a dar errado. Esperar, talvez, ser internada em um hospício ou ser agredida, apedrejada por quem achar que eu esteja maluca. Esperar as línguas venenosas inventando mil e um histórias pra explicar a minha ausência... Esperar, é só isso que me resta...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

"O otimismo é uma zombaria amarga das desgraças humanas" Schopenhauer

"Se mostrássemos aos homens as horríveis dores e os atrozes tormentos a que está constantemente exposta sua existência, tremeriam de espanto; e se ao mais convencido otimista fizéssemos visitar os hospitais, os lazaretos, as salas de tortura dos cirurgiões, as prisões, os campos de batalha, os tribunais de justiça, os sombrios refúgios da miséria, e se por último, o fizéssemos contemplar a torre de Ugolino, acabaria por reconhecer de que modo é este "o melhor dos mundos possíveis". (Sscopenhauer)
Interessante observar uma característica de todos os seres humanos: Um instinto inconsciente e inconsequente de se iludir, de sonha, de ter esperança, de ter fé... Quanto mais o ser humano apanha na vida, quanto mais desgraças ele enfrenta, mais aumenta a vontade de alimentas essa esperança. Os homens têm a tendência de olhar para o estrume e ver uma flor. São como Don Quixote, que vêem a beleza no mais tenebrosos abismo. como é difícil encarar a realidade, a feiura das coisas. Como é difícil admitir os próprios erros, ver que a realidade que nos cerca é terrível, que estamos condenados a viver uma vidinha medíocre... Como podemos acreditar que um dia vamos encontrar um verdadeiro amor, que vamos ficar ricos e famosos, que vamos ter a casa de nossos sonhos, que deus existe e está ao nosso lado? É extremamente difícil olhar-se no espelho e enxergarmos que somo seres humanos condenados à ruína, a envelhecer, a parecer e jamais chegaremos em lugar algum, e se chegarmos em algum lugar, o que isso significaria? "Nossa única certeza é a morte", esse é um ditado sábio. Que valor pode se ter a vida quando a encaramos de frente, quando sabemos que nada vale a pena de verdade. O sentimento de suicídio é inevitável. Mas justamente pela "pulsão de vida" precisamos acreditar nesses mitos: No mito da prosperidade, no mito do amor verdadeiro, no mito da vida feliz... Eu violei esse altar e quebrei todos esses deuses de gesso. Quebrei-os um a um quando descobri que eles não passavam de uma invenção maléfica, uma invenção cujo único intuito é aumentar cada vez mais a miséria humana... Realmente, pensar nisso é pensar no que mais dói, na maior ferida narcísica, no pé de Filoctetes. Quem não tem esperança, quem não sonha, quem não se ilude vive uma vida seca. No fundo a ilusão é uma grande peneira com a qual tentamos tapar o sol escaldante que quer derreter os nossos amuletos de cera. Estamos condenados a esperar eternamente por Godot!!!!
Evoco aqui Fernando Pessoa, o grande poeta dos desesperados, a dar a sua palavra sobre a ilusão (A Busca da Beleza) que nos conduz durante a vida:

Nem à nossa alma definir podemos
A Perfeição em cuja estrada a vida,
Achando-a intérmina, a chorar perdemos.
O mar tem fim, o céu talvez o tenha,
Mas não a ânsia da Cousa indefinida
Que o ser indefinida faz tamanha.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Mais um ensaio do meu grande amigo Kleber Kappodanno

Apesar de toda calamidade, barbarie, injustiças sociais, ainda acho que a humanidade pode estar caminhando para um futuro multicultural. Se olharmos para o passado veremos que o homem ainda era mais bárbaro, as lutas sem sentido no Coliseu, os grandes lideres; Nero , Alexandre, Galígula, Gengis Khan, Leopondo 2 , Joseph Stalin, Kublai Khan , Adolfo Hitler, Imperatriz Cixi ... as eternas batalhas de Gregos e Troianos, Persas, Espartanos e Xerxes e por ai a fora. O homem parece estar tomando consciência, com tais atos e despertando do pecado da inadvertência, de não esta alerta com sigo mesmo e com o mundo ao seu redor. Pode existir um nivel de sabedoria, para além dos conflitos entre verdade e ilusão, que poderá irmanar as pessoas. A ciência esta ajudando muito para isto. A vontade de preservar o planeta, a corrida ao espaço, tirando esta ideia de geocêntrismo e transformando em heliocêntrismo. O centro se localiza onde esta a visão, se você se postar no planalto tera uma vasta visão da expansão do horizonte e isto pode abrir portas para uma percepção mais aguçada. Esta ida ao espaço com a ajuda da tecnologia acho que estão ajudando para isto. A nossa existência no planeta terra é como centésimo de segundos comparado com toda a idade do planeta, ainda estamos aprendendo, lutando com nós mesmo o tempo todo, e com os outros ao redor. A religião, os governantes e algumas pessoas cometem erros de literatura, lendo a vida como uma prosa, eu acho que ela é uma poesia e tem que ser lida como poesia. Este mistério tem sido reduzido a uma série de conceitos e idéias, tudo bem, mas enfatizá - los pode provocar um curto circuito naquilo que transcende os limites de pensamentos. As vezes me parece que as portas do coração das pessoas estão obstruidas devido ao seus egos. O ego é aquilo que você deseja acreditar, o que você acha que pode enfrentar, aquilo que se julga ligado ou deseja amar. E tem que tomar cuidado porque tudo isto pode ser muito pequeno, neste caso o seu ego te manterá lá embaixo, e se prestar ouvido a opinião das pessoas te ditando regras, poderá afundar ainda mais e ficar preso em uma caverna do Dragão. Teremos então que lutar com nossos dragões, dos medos, desejos fisícos aquilo que espiritualmente ámpara o corpo, o homem esta aprendendo expressar a sua profunda vida na esfera temporal. O que temos que fazer é encontrar o que melhor favoreça o florescimento da nossa humanidade, no planeta e dedicar-se a isto.

Tudo tem um preço

Um conhecido meu costuma dizer a seguinte frase: "Cada um tem o que merece". Essa é uma frase sábia se levada a consideração de o que significa o "merecer". Muitas vezes nós nos colocamos em situações cujo preço a se pagar, muitas vezes, é muito alto. Por exemplo, quando um sujeito finalmente chega, depois de muitos anos de dedicação e sacrifício, a uma posição de destaque, quando esse sujeito consegue uma chefia ou um cargo muito alto dentro de uma companhia, ele deve se precaver de todas as pessoas que terá dalí para frente como seus inimigos, rivais, pessoas invejosas em geral. Esse sujeito terá de aprender como lidar com esse tipo de gente que faz de tudo para poder derrubar aquele que eles acreditam estar em uma posição privilegiada. As pessoas raramente reconhecem os méritos do outro; elas se concentram em seu próprio ódio e na sua cobiça para apenas apontar os defeitos dos outros. Algumas pessoas pagam um preço altíssimo para estarem ao lado de outras pessoas as quais elas consideram "superiores", "melhores"... conheço um caso de uma pessoa que se submete a todo o tipo de humilhação só para poder estar no meio de algumas "socialites", algumas pessoas que têm dinheiro e frequentam a alta sociedade. Outros sujeitos, talvez por medo da solidão, se submetem a estar em companhias as quais não o apreciam devidamente. Alguns querem estar ao lado de uma esposa bonita ou de um marido gatíssimo, porém o preço também é muito alto. Estar ao lado de uma "beldade" muitas vezes não nos traz nenhum privilégio a não ser o de admirar a beleza ou saber que os outros lá fora comentam: "Nossa você viu a mulher daquele cara?" "Nossa, isso é que é sorte". Pessoas que só pensam na aparência física muitas vezes se esquecem de investir um pouco no intelecto. Estar ao lado de alguém cuja beleza é admirável mas cuja mentalidade é desprezível é um preço muito alto, e tem de se estar muito disposto a pagá-lo. Por outro lado, estar ao lado de uma pessoa que só pesa em investir o seu tempo em atividades intelectuais e que se esquece de dedicar um mínimo de tempo para um afeto, uma palavra amiga, também é algo difícil. Enfim, ao procurarmos certas coisas, precisamos pensar se o preço vale a pena!

Escrever é ir além dos próprios pensamentos.

Escrever, para mim, é uma forma de expurgação, um ato catártico no qual tento jogar fora tudo aquilo que me aflinge: as dores, os descontentamentos, as aflições... Escrever pode ser como vomitar ou como pintar uma tela. É um movimento que causa dor e causa prazer. É olhar-se de uma perspectiva interna e refletir aquilo que se tem dentro de si para fora de si. Pensar e pensar e pensar. Escrever é concretizar os pensamentos... É exprimir os sentimentos mais profundos, é ir além dos próprios pensamentos (e sentimentos). Escrever é um desafio, uma tortura e um delírio. Escrevo pois tenho necessidade de expor o que acontece dentro da alma. E o ato de se expressar pode ocorrer de várias formas: através da arte, da literatura, um ombro amigo que escuta, um psicanalista que analisa, ou escrever, escrever e escrever. Sem compromisso com as normas técnicas da ABNT, sem precisar de rimas, sem recorrer às gramáticas normativas... simplesmente escrever o que vem à cabeça e ao coração. Complusivamente ou compulsoriamente, a minha terapia eterna é escrever, mesmo que ninguém leia, mesmo que nem eu mesma jamais leia... Escrever é sublimar os instintos mais perversos, é deixar de atacar inutilmente aquilo que se considera o inimigo. É falar sobre si mesmo consigo mesmo, é falar sozinho para todos ouvirem e para ninguém ouvir... Escrever é o eterno castigo, como o de Sísifo; Estou condenda a escrever para sempre...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Intrusa

Cansei de me sentir uma intrusa na vida das pessoas. Percebo que a lógica contemporânea é a busca incansável por mercadorias, por marcas, por aquisições simbólicas, pela busca da beleza física... As virtudes morais já não importam mais. A inteligência, a garra, a força de vontade não são mais consideradas como qualidades do ser humano. Eu cansei de tentar convencer as pessoas a pensar, a dialogar a questionar. Todas as minhas tentativas foram infrutíferas. Reconheço que sempre me infiltrei em meios os quais era considerada uma "estrangeira", uma "penetra", um "bicão" na festa alheia... Sinto que eu não faço parte, sinto-me uma aberração da natureza, uma esquizitóide. Eu constantemente me pergunto " que diabos estou fazendo aqui?". Sei que esse não é o meu lugar. As mentalidades são tão diferentes da minha. Eu não faço parte da família. Não sou milhonária, não sou famosa. As pessoas me aturam por não ter opção.. Então eu digo CHEGA! Eu não suporto mais me sentir assim; não suporto mais estar no meio e não pertencer... Já ouvi até me dizerem (nacara dura) "você não é da família"!!!! até isso eu ouvi em silêncio e não soube me defender... E quem olha de fora não sabe o que acontece na verdade. você não é aceito em um determinado lugar porque as pessoas acham que são melhores que você e pensam que podem te tratar como se você fosse um empregado deles, que aturar você no mesmo ambiente é como aturar um escravo (considerado inferior por esse tipo de mentalidade) no meio da nobreza. É como se estivessem fazendo um imenso favor em deixá-lo participar da festa dos ricos e famosos, você que é pobre e não tem sangue azul. Um dia ouvi alguém dizer para mim, de forma subiminar, que eu tniha que abaixar a cabeça para eles porque eles são melhores do que eu. Ouvi um dia me dizerem que a faculdade meia-boca em que um deles estudou é melhor que a que eu estudo (olha que eu estdo na USP!!!!)... Ouço frequentemente dizerem que o meu filho não se importa comigo, que ele não perguta de mim (isso é o mesmo que ouvir seu filho não gosta de vc!!!) Fico sabendo de fofocas e mais fofocas que fazem de mim pelas minhas costas. As pessoas sorriem e dizem "gostamos de vc" quando na verdade estão praticando todo o tipo de "vileza" possível. Mas o pior de tudo é que pensam que eu devo agradece-lhes! agradecer o que? às baixezas e às falsidades???? Claro que as defesas deles são muito mais fortes que a minha, pois "eu sou só e eles são todos" (essa frase do Dostoievski é minha fvorita). Então agora eu cansei! Quero distância dessa gente que olha para você por cima e acham qe você está por baixo de tudo, que você é o ser humano mais desprezível de todos! Eu até chego a entender, de certa forma, a forma que pnsam. Sei que no fundo eles não pensam, mas já foram pensados a muito tempo Chega de ser por todos humilhada e por todos ofendida! No meio do pântano ou no asfalto sujo ainda se pode ver uma flor nascer: "É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio."

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Cada dia tenho mais convicção de que somos os homens ocos de Eliot

OS HOMENS OCOS "A penny for the Old Guy"(Um pêni para o Velho Guy) Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada.
Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor; Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam - se o fazem - não como violentas
Almas danadas, mas apenasComo os homens ocos
Os homens empalhados.
II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante. Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo
- Não este encontro
reino crepuscular
III
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.
E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
À hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariamRezam as pedras quebradas.
IV
Os olhos não estão
os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos
Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio
Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.