quarta-feira, 30 de abril de 2008

Sabedoria

A filosofia vem da dor. Na alegria, não há questionamentos profundos. Quando se está infeliz, no entanto, é necessário parar e questionar-se, perguntar os porquês. Um bom exemplo é a bela história de Buda, cuja vida até até os 29 anos de idade era apenas felicidade e harmonia. Ele desconhecia a miséria humana até que um dia saiu de seu palácio e viu o sofrimento dos mendigos e dos leprosos. Viu também um carro fúnebre e descobriu que havia a morte. Depois de conhecer a dor, a miséria, a doença e a morte, Buda largou tudo o que tinha: riquezas, uma vida confortável, suas jóias pedras preciosas e sua espada. Deixou o seu palácio, vestiu um manto e partiu em busca de respostas para todas essas coisas ruins que até então eram-lhe desconhecidas. Outra história metafórica que pode ser mencionada a esse respeito é a de ; ele tinha fortuna, escravos, propriedades e uma bela família. Poderíamos dizer que conhecia intimamente a felicidade. Diz a Bíblia que era um homem justo, amado por Deus. Até que um dia Satã diz a Deus que é-lhe fiel apenas porque é feliz, tem propriedades e gozar de plena saúde. Deus então resolve testar a fé de seu protegido. Os filhos de são mortos, ele perde seus escravos, seus animais e suas propriedades, e para piorar ainda mais, fica doente. A partir daí, ele começa a questionar a existência. É uma das mais belas passagens da bíblia. lamenta-se de ter nascido, de existir, de sofrer. Começa, então, a questionar-se intensamente sobre o sentido de todas as coisas.
Claro que todos nós, seres humanos, buscamos incessantemente a felicidade. Queremos fugir da dor a qualquer custo. Mas a felicidade é um sonho inatingível. É um oásis no meio do deserto que, quando se chega perto, desaparece. Nunca estamos felizes de verdade. Nunca seremos felizes de verdade. Algumas pessoas vivem na ilusão. Essas pessoas fecham os olhos para o mundo que as cerca, pois elas tem uma vida relativamente confortável. A infelicidade dos egoístas provém de sentimentos baixos e mesquinhos: inveja, ciúmes, orgulho e vaidade. A infelicidade das almas nobres, não obstante, provém de sentimentos sublimes: do inconformismo perante a cruel condição dos seres humanos em geral, a visão da degradação do mundo, o descontentamento com as diferenças impostas pela natureza...
Os egoístas vivem em seu pequeno mundinho, preocupando-se apenas por não terem a melhor televisão do mercado, ou um carro mais caro e chamativo. O egoístas sofrem excessivamente porque invejam o seu próximo, porque querem ter aquilo que o outro tem e ficariam muito mais felizes se vissem o seu rival perecer na pobreza. O egoísta tem ciúmes de tudo e de todos. Ele acredita que o mundo deve girar em torno dele. Enfim, esse ser sofre de uma pobreza espiritual e intelectual gigantesca. Um ser desse tipo jamais se preocupará com aquilo que acontece lá fora, jamais conseguirá sequer pensar de modo filosófico.
Por outro lado, os seres superiores entristecem por que reconhecem a injustiça, a maldade, a miséria e a dor. Entretanto, seres assim são raríssimos de se encontrar. Talvez um em cada milhão de pessoas. Esses são os verdadeiros gênios da humanidade, são os únicos que conseguem transcender a realidade cega. Esses seres aprendem que a dor é necessária, que só através dela é que se encontra a verdadeira sabedoria de vida. Aprender a sofrer é aprender a viver, já que a vida é dor, como dizia o nosso grande pensador. Se existe vida após a morte, onde se poderia levar todo o aprendizado de vida que adquirimos em nossas existência, não sei responder. Apenas sei dizer que quando se consegue enxergar além das fronteiras, para além do mundano, do medíocre e do mesquinho, nossas vidas começam a ser mais significativas. Começamos a nos tornar fortes e independentes, conhecemos o lado negro de todos os seres humanos e não mais nos desiludimos com essa natureza vil.
Aprendemos que a dor faz parte da existência e que o sofrimento bem canalizado traz consigo grandes conhecimentos, grandes sabedorias de vida. Essa é a maior riqueza que se pode acumular ao longo da vida.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Vitimismo

Nós tememos intensamente participar de nossas próprias existências. Então, acometidos pelos nossos medos e anseios, resolvemos deixar as grandes oportunidades escaparem pelos dedos, deixamos passar fortuitas ocasiões de sermos verdadeiramente felizes e conhecer o lado bom das outras pessoas. Eis a nossa grande covardia: fugir da vida que nos é ofertada.
Logo, procuramos as melhores e mais convincentes desculpas para justificar as nossas próprias falhas: "O destino foi inexorável", "as pessoas me impediram disso e daquilo", "eu tive uma infância muito sofrida", "tive uma vida muito conturbada", "não tive tempo"... Lembro-me de uma frase muito cantarolada há alguns anos: "quem sabe faz a hora, não espera acontecer." Eis a verdadeira essência da conquista - Buscar as oportunidades, caminhar sobre os cacos de vidro sem medo de se cortar. Temos que fazer nosso próprio destino. Não devemos abandonarmo-nos aos nossos medos, não podemos deixar que eles nos dominem. Não devemos deixar outras pessoas decidam o que é bom para nós mesmos. Nossa própria felicidade só diz respeito a nós mesmos. Temos uma mania estúpida de dar ouvidos aos outros, de comprar as opiniões alheias e aceitar as verdades dos outros como se essas fossem nossas próprias verdades. Enfim, temos medo de enfrentar o nosso medo em busca de auto-realização. Dessa forma, o que nos resta, afinal, a não ser sentar-se em uma cadeira perdida no tempo e no espaço e esperar a morte chegar? Qual é, afinal, o sentido da vida? É morrer, é renascer em outras encarnações, é ir para o inferno porque não se foi capaz? Ou será que complicamos tanto o sentido de nossas existências que acabamos por ignorar completamente que a nossa vida é aquilo que construímos, que buscamos e que amamos intensamete?
Tenho observado atentamente a infelicidade. Minha própria infelicidade e a das pessoas que conheço. A dor mais cruel que a vida pode nos aferir é a dó de si mesmo, é abandoar-se e sentir ena de ser o que se é. Quando sentimos dó de nós mesmos, temos a tendência de largar mão de tudo aquilo que nos poderia ajudar a evoluir espiritualmente: Amar, apaixonar-se, desfrutar momentos intensos, aprender, observar, filosofar... Ficar lamentado o que não se fez é apenas mais uma forma de fugir àquilo que se poderia conquistar.
Entretanto, assim caminha a humanidade, deixando o que verdadeiramente importa para trás...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O que importa?

Mãos que tremem
Coração a palpitar agitado
Uma vontade terrível de fugir!
Quero enterrar-me no cemitério mais próximo!
Parem o mundo que eu quero descer!
No final das contas
Toda essa angústia austera
Não passa de uma grande tolice
A qual não se pode evitar
Tive vontade de vomitar
Tive vontade de correr
Tive vontade de gritar
Mas sentei-me à mesa
Com elegância
E mais talentosamente que a melhor atriz
Fingi vigorosamente não ser eu
Depois disso, não sei mais quem eu sou de verdade
Se sou angústia ou se sou vaidade
Se sou uma farsa ou se sou verdade.
Os tempos verbais se misturam em minha cabeça
Fui ontem ou serei amanhã?
O que sou hoje afinal?
Tenho nojo de tudo.
Um gosto amargo sobe à boca.
Mas sorrio e pareço feliz
No meio dessa gente estranha
Na verdade essa gente não é estranha
Eu é quem sou.
Definitivamente, eu é quem sou
Não pertenço a nada disso
Nada disso me pertence
Oras, de onde sou afinal?
Nasci por acaso no reino dos sonhos?
Ou serei eu fruto da imaginação de algum doente mental?
Quem, quando, onde?
Essa droga não me deixa pensar.
Eu esqueci completamente
De tudo que existiu, que existe... E não sei o que existirá
Será verdade, tudo verdade?
Acho que estou amarrada agora
Sinto um suor frio correndo pela testa
Vejo um sala branca, pessoas de branco
Seringas cheias de líquidos...
Eu me perdi ou estou perdida?
Eu errei ou tudo estava errado?
Eu me feri ou fui ferida?
Eu morri ou fui morta?
Incógnita.
Eu não acredito em Deus
Eu não acredito na vida
Eu não acredito na humanidade
Eu não acredito em mim.
O que fui, o que serei ou o que sou...
O que importa?
Foda-se então!
Seja o que for
Let it be.
Live or let die.
Vou abrir mão
Vou deixar morrer então.
Descobri a questão mais útil de toda a minha vida:
O QUE IMPORTA?
O que importa? afinal, o que importa???
Nada disso! Nada nada nada!
Deixe morrer, deixe viver
Não me importo mais.

Metafísica

Lutei, lutei e lutei,
Em vão
Restou-me um cansaço absurdo
Uma vontade imensa de deitar-me
De fechar os olhos e esquecer as dores do mundo
Em devaneios, em pensamentos tolos, futilidades
Cansei de lutar contra o destino
Em vão lutei
As coisas permanecem as mesmas
e continuarão nos tempos vindouros.
Como não se pode acalmar o mar em tempos de tempestade
Como não se pode mudar o curso de um rio
Como não se pode adiar o inverno
Não se pode lutar contra o destino
O inexorável destino
Assim como existem os ciclos da natureza
Existem os ciclos da vida
Você nasce na primavera
Exalta-se no verão
Arrepende-se no outono
E morre no inverno.
A morte é para o homem
o que o sono é para a natureza.
Enquanto uns adormecem eternamente,
outros acordam e lhe tomam o lugar.
Saber isso é saber toda a metafísica do universo
É saber que só há metafísica para o todo
Não para o indivíduo.
Chegar próximo ao inverno
É uma delícia dolorosa
É saber que retornará ao pó
Mas que tudo continuará exatamente
do jeito que está.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Será que essa tempestade nunca vai parar?

Tempestade. Uma boa metáfora para descrever uma vida de turbulências, de competição, intrigas e desafios absurdos. Um vez eu acreditei na mudança. Fui levada ao caos que se reconstituiu na mesma coisa de antes. A matéria pode ser transmutada pela alquimia, mas será que a essência das coisas também passam por transformações drásticas? Ou será que toda a essência está fadada a ser o que é por toda a sua existência? Podemos mudar pontos de vista, podemos mudar opiniões, acepções. Novos dogmas são implementados nas diferentes sociedades desde que o mundo é mundo. Antes veio a religião, que prometia o mundo dos deuses depois da morte; depois o bem-estar mundano oferecido pelo poder de compra do capitalismo. Mas a essência me parece a mesma. Cada indivíduo (lembrando-se da etimologia - indivíduo - aquele que é indivisível) sempre à procura da sua própria satisfação pessoal. E nisso se resume a humanidade. Dessa forma, o mundo vem caminhando há milênios. A solidariedade não passa de uma futura promessa de conciliação com um mundo para além dessa vida. O egoísmo é a busca dessa satisfação no aqui e agora. Enfim, será que existe alguma coisa além disso? Será que um dia todos nós poderemos viver em uma sociedade harmoniosa, onde não exista competição, inveja e maldade? Será que a tempestade nunca cederá?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

No meio da Guerra

Eu acho que finalmente
Consegui enxergar
O tamanho do furacão que está ao meu redor
A quantidade de pessoas que gritam
Desesperadas no meio da batalha
Percebi que estou no meio de uma guerra
Onde não há vencedor,
Todos perdem.
Sempre tive uma vida dura
Como uma bigorna que fabrica armas bélicas,
Fogo e água fria em minha pele.
Como eu poderia me sentir,
Se não cheia de cicatrizes e feridas?
A mágica acabou
agora é hora de me levantar
e sair do palco,
onde sempre atuei como figurante....
Durante toda a minha vida
Eu fui colocada para baixo
Mas eu sempre me ergui
Mais forte e mais orgulhosa
Mas percebo o quão pequena
É a minha atuação nessa tragédia
Mesmo assim eu me levanto
E da ponta do abismo ouço
As vozes desesperadas que gritam lá de baixo
Chamando-me para juntar-me a elas
E decidi não me jogar
Ficar e enfrentar
Cada instante da guerra
Cada momento de dor e perdição
Eu me levanto do chão e continuo
Sempre com a cabeça erguida.
Mal sabem os que observam
A derrota que jaz dentro de mim.
Não posso mostrar para ninguém.
A derrota, escondo-a até mesmo de mim.
Caminhando e caminhando
Sem um destino previsto
Entre a poeira e a fumaça
Prossigo minha jornada
Tentando ultrapassar os limites impostos
Tentando fugir dos tiros e das granadas
Fugindo de alguém que nem sei quem é
Fugindo talvez do que eu realmente sou.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O outono desfolhou as minhas árvores,
uma a uma.
Não perguntou se devia,
não quis saber se doía.
Desfolhou uma a uma
Agora, minha paisagem é desértica e seca;
Triste e sem vida
O outono me trouxe desarmonia
Trouxe desassossego
Trouxe um imenso desespero,
terrível e sem fim.
Meus dias agora são toscos,
a natureza, morta,
Os céus sem estrelas,
o mar sem motim.
O outono levou embora toda a minha vida
Levou embora a esperança
Roubou de mim a alegria
Deixando apenas espaço para a desgraça
Ah, outono sem vida,
ah vida sem graça!
Meus olhos, o brilho, perderam.
Meus pensamentos, o fio, distorceram.
Restando uma dúvida esparsa.
Folhas antes verdes, agora secas no chão,
E o rosto enrugado a fitá-las
E o vento seco na pele seca na vida seca
De um mundo árido
num outono vão.

O Relógio

O relógio quebrado
é o relógio perfeito
não cobra, não faz lembrar
não apressa, não faz perceber,
A inutilidade da existência
A incapacidade do ser
A inverossimilhança da essência
A imprecisão do tempo
Que é preciso para existir,
para ser, para transcender
O relógio trabalhando devoracada minuto de alegria
cada instante de prazer
mas traz consigo a eternidade
que ainda resta
a possibilidade certa de sofrer
Não, não se pode viver o momento
sobrevive-se a ele
E cada frustração superada
há milhões de outras por vir
Inconcebível é saber a verdade e com ela conviver
Impossível é ver a verdade, e nela poder crer
Incompreensível é a verdade do relógio
Que em sucessivas pancadas,
Martela os pregos de um futuro de desgraça certa.
O relógio quebrado, enfim,
É um relógio perfeito.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Narciso

Tu te apaixonaste
Por figuras invisíveis
Pelas criações de tua própria mente
Eram fadas, princesas, Banshees
Que caminhavam pela floresta de teus sonhos
Tu tomaste do cálice encantado
O cálice da paixão
Mal percebeste que este cálice
Refletia tua propria imagem!
Tua ingenuidade terna
impediu-te de reconhecer
A verdadeira imagem
De tua paixão
A tua própria imagem
Tal como Narciso
Teu amor transormou-se em perdição
Tu te perdeste na floresta de teus sonhos
E não queres abrir os olhos para acordar
Preferes manter-te sob o domínio do feitiço
Que um dia há de te devorar!

Ela

Ela anda graciosamente, com os pés descalços,
cuidadosamente pisando sobre a relva
Ela toma cuidado para não pisar nas pequenas flores
e nem nos galhos secos caídos das árvores
Ela olha para o céu da manhã e contempla
A magnitude do sol e a beleza do dia
Ela colhe com mãos suves os frutos das árvores
e os cheira como quem sente o gosto mais doce do mel
Ela diz bom dia aos pássaros e sorri lindamente para as borboletas
Eu a observo silenciosamete
Ela volta em passos dançantes
Seus olhos brilhando esplendorosos.
Ela faz parte desse cenário todo
É um elemento indispensável à beleza da natureza
Enquanto ela caminha,
eu mantenho o silêncio
Quero apenas observar,
Não quero ser visto
Não quero quebrar o encanto
Desse lindo momento.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Chuva

Ouça a canção da chuva
Escute o ruído das gotas caindo
Uma a uma
Ouça a minha voz a te chamar
No meio da tempestade
Eu sussurro o teu nome
Quero entrar em tua mente
Fazer parte de tua história
Parte da tua existência
Apenas escute!
Feche os olhos e te entrega
Ao observador invisível
Que insiste a te espreitar escondido
Sinta o vento lá fora
A revirar toda a relva molhada
E os galhos frondosos das árvores
Ouça o murmúrio dos ventos
O lamento das águas que caem
Ouça chamar o teu nome
No meio da tempestade
Ouça, Sinta! Apenas Ouça e Sinta!
Não anseies pelo futuro incerto
Não chores pelo passado vazio
Entrega-te de corpo e alma ao ruído da chuva
Entrega-te por completo a mim.
Eu sou o invisível, o inquestionável
Eu sou força bruta
Sou a ternura também
Sou eu quem te cativa a noite
E durante o dia
Ouça a minha voz a te chamar
No meio da tempestade
E saberás quem sou
Estou dentro de ti
Estou ao teu redor
Eternamente.

A dualidade de uma mesma história - por Kleber Kappodanno

Em uma análise mais profunda dos termos anteriormente colocados, de uma lado nós temos o que podemos chamar “força própria de alguém”, é a disciplina de autoconfiança como no Estoicismo, no Oriente, nos mestre Zen, e em todos aqueles que seguem a doutrina imanente tal, como transcendente. A ascensão ao paraíso, é o seu próprio paraíso. E por outro lado temos as liturgias ortodoxas, de Criador e Criatura, o que podemos chamar de “Força externa, que vem de algo”. Já sabemos que nem todos são filósofos, alguns precisariam de uma atmosfera de incenso, procissões, sinos, gritos dramáticos, música, vestimentas. Para serem catapultados para fora de si. É ai que entra o papel de todas as religiões, que para a grande maioria se fundamentam em símbolos, que chegam a ser imperceptível para aquele que não é filósofo. É a argumentação de Criador e Criatura. Os dois lados são discursos completamente diferentes, mas que se observado de um ponto mais culminante da situação. Na última instância são idênticas, estão falando todos as mesmas coisas. O Salvador externo adorado, contemplado, glorificado, é ao mesmo tempo o salvador interno do Si-próprio da pessoa. A diferença dos dois discursos é que, nas liturgias ortodoxas é o afastamento da realização do si-próprio, é ficar feliz com Deus, com o mistério do Ser dos seres, conhecer, amar e servir, aquele que esta separado, embora onipresente. Já no outro pensamento esta é uma idéia a ser afastada, pois não há um personagem em outro lugar a ser contemplado. A função é de transformação psicológica de valor imediato, no aqui e agora, em si mesma, e não em algo que ainda virá. Temos exemplos claros para as duas maneiras e pensamentos, no modo de aceitar a vida.No primeiro os cultos dos mestres zen, dos pagões, os orientais, e os Mistérios de Mitra. O sujeito teria que passar por sete estágios. Que no cristianismo e outras doutrinas ortodoxas eram vistas como heresia. A iniciação dos sete estágios que o neófito passaria eram colocadas em cultos. Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno, em inglês temos os mesmo termos para os dias da semana, de Sun-day; Moon-day; etc... á Saturn – day, de terça á sexta estão em termos germânicos. O indivíduo receberia uma qualidade de tempo-espaço, para eclodir a passagem de seu espírito uma a uma, pela sete limitações, culminando em uma realização de estado absoluto. O primeiro estágio lunar na iniciação, o neófito é posto a se identificar com um corvo. Que é o passaro da morte, isto para quebrar o ciclo de nascimento e morte; as energias vitais, nutritivas, aspecto vegetal, existência. Quando o indivíduo se identificava com o corvo passando pelo portão Lunar. Vinha o segundo estágio, a esfera de Mercúrio – (Hermes grego; Tot egípcio; Odin germânico), era a esfera da magia, da sabedoria, principalmente a do renascimento, o candidato era conhecido como “Mestre Oculto”, logo após vem à esfera de Vênus, a ilusão de desejo ganhava um outro caráter místico. Logo depois a esfera Sol, ele era identificado como um Leão ou Soldado, graduação suprema. Chegando a quinta esfera, Marte, de desafios e audácias, caminhando para Júpiter, que reconheceria a imprudência da audácia e finalmente a Saturno, ao Ser dos Seres. As provações cravavam nos espírito do indivíduo as atitudes essenciais e a virtude Estóica da indiferença de prazer e de dor. Os rituais eram em grutas “caverna do mundo”, “Deusa-mãe” era elucidado o macrocosmo (Universo), mesocosmo (Palavra) e microcosmo ( Alma ). No estágio final era contemplada a doutrina da imanência, e culminava a realidade da transcendência de sua própria existência. Já na outra manifestação contrastante a anterior, no sistema zoroastriano da liturgia ortodoxa, todo o mal do mundo cai sobre o Demônio da Mentira, que no final será destruído quando o Salvador aparecer. Unificando todas as verdades em uma só. Isto pode chegar a um ponto comum de uma mesma visão contrária, de que o mundo não é para ser modificado, mas sim afirmado, até mesmo para o moralista racionalista. O poeta Willian Blake diz; “O rugir dos Leões, o uivar dos Lobos, a fúria do mar tempestuoso e a espada exterminadora. São partes da eternidade, grandes demais para a visão do homem. Casando os dois pólos, não existirá um meio para reformar, mas coragem de afirmar a Natureza do Universo.

Razões (Agosto de 1998)

Sinto o cheiro do orvalho na grama fresca da manhã
Quero pisá-lo com pés descalços
Sentir a natureza, parte de mim.
Quero fechar os olhos,
Andar graciosamente pelos campos
Abraçar as árvores
Colher flores
Sorrir para o sol
Sentir a brisa fria a macia no rosto
Sentir que a vida é muito mais que viver
Sentir que a vida é ser parte de algo maior
Ser parte da natureza, da eterna beleza.
E ao entardecer, pôr as flores do campo à mesa
Fazer um chá de ervas frescas
Deitar-me na rede e olhar o pôr-do-sol
Ver a lua brilhar
Refletindo a onipresença solar!
Ah sentir o cheiro da noite
Poder tocar as estrelas com as pontas dos dedos!
Esperar que cada uma delas apareça,
E ir deitar-me para amanhã
Colher mais flores para enfeitar a minha mesa!
E achar que a vida é sempre assim,
Sempre alegre, sempre bela
Sem razões, sem motivos
Simplesmente viver

Fragmento

A amargura, a melancolia, a tristeza são os cânceres da alma - a bile negra que não cessa nunca. Entre o estômago e a garganta, um vômito que não sai, uma ânsia que faz o corpo todo contorcer-se. Entre a garganta e a boca, uma palavra que fraqueja e não soa. Entre a minha boca e tua orelha, um mundo eterno de desavenças, uma imensidão de filosofias dissonantes sem qualquer significação. Entre a minha palavra e o teu entendimento, o absurdo e a estupidez de ambas as partes persistem. Não há como voltar no tempo e nem prever o futuro. Incertezas de um lado e do outro. O presente é guiado por atitudes cegas efetuadas por seres ébrios. Desolados e sem saída, nós somos os homens ocos que habitam a terra devastada. Somos os imbecís que cantarolam no teatro, e que nunca são ouvidos. Somos a ira e a fúria desatinada sem motivo. Somos alienados e vãos.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

O Vil Metal

Uma pessoa de posse possui diversos amigos. É sempre bem-vinda a qualquer lugar que vai. É sempre bajulada, aclamada, adulada. Mas essas pessoas dotadas de bens materias, na maior parte das vezes, mal sabem distiguir a hipocrisia da verdade. Elas acreditam piamente nas inverdades de seus puxa-sacos e afastam-se impetuosamente daqueles que os criticam de forma a mostrar seus defeitos mais latentes. Essas pessoas de posse preferem estar rodeadas de falsos amigos a estar entre aqueles que verdadeiramente conhecem o seu valor. Nesse sentido, o rico afasta-se cada vez mais da realidade e vive em um gigantesco sonho, que parece sem fim. Entretanto, não acho possível que essas pessoas de posse consigam dormir tranquilamente, pois estão sempre a achar que seus lacaios estão de olho na sua fortuna, sendo assim, uma pessoa extremamente solitária: pois não tem nem a si mesmo e nem os outros. Não tem a si mesmo porque se apega de tal forma em seus bens que mal pode pensar em outras coisas, não tem valor em si, não tem inteligência, não tem senso crítico e nem mesmo dignidade. Não tem os outros porque todos os que o cercam são, para o homem de posses, apenas mais uma mercadora a qual se paga e se tira proveito, mas depois a encosta em qualquer canto quando não mais lhe for útil. O homem rico e pródigo quer preencher avidamente um vazio existencial que nem ele mesmo se dá conta de ter. Por isso está sempre entre muitas pessoas, bancando festas orgíacas, fazendo demostrações de suas propriedades e vangloriando-se de ser portador de uma boa quantidade do vil metal. Nessas circunstâncias, obviamente o dono do metal atrairá cada vez mais e mais "fiéis" para o bajularem. O dinheiro compra tudo, só não compra o verdadeiro amor que, muitas vezes, é arremessado para bem longe, pois o brilho do metal cega tanto aqueles que o têm que eles mal podem distinguir as coisas. Não escrevi aqui uma apologia contra o dinheiro. Apenas demosntrei o valor ilusório desse produto. Ter dinheiro é questão de sobrevivência, ser ganancioso, muitas vezes, faz-nos tornar pessoas vazias e indignas.

domingo, 13 de abril de 2008

Medo

O que é o medo? O medo provém da falta de segurança, da insegurança em si mesmo. Quem tem medo sempre busca encontrar no outro um tipo de apoio, um colo que o sustente e o leve adiante. O que nos torna escravos? O medo. Temer nos faz escravos daqueles os quais julgamos ser mais fortes e mais poderosos, que, por suas vezes aproveitam de nossa submissão para sentirem-se cada vez mais fortes e mais poderosos. Por isso precisamos ter a tal da "Vontade de Potência". Isso não significa dominar o outro, mas dominar a si mesmo. Quem não tem domínio sobre os seus próprios medos acaba atraindo para si degradação, rebaixamento, vergonha, desprezo, entre outros sentimentos de humilhação e auto-depreciação. O medo provém de diversas fontes: pode ser genético, pode ser químico, mas, especialmente, de vivências que tivemos em nossos passados. Essas recordações do passado são os grilhões os quais devemos romper com todas as forças para podermos vencer o medo. E de onde podemos retirar a tal da força que precisamos para romper com tudo o que nos aprisiona? Cada um deve buscá-la somente dentro de si. Nós inegavelmente temos forças. Já ouvi um caso em que uma mãe viu o seu filho ser abocanhado por um crocodilo; essa mãe foi tirar forças sobrenaturais (de si mesma) e abriu a boca da fera para retirar sua criança de lá. Incrível isso, não? Quando chegamos em situações-limites temos duas opções: Ou nos entregamos por completo ou tiramos a força de dentro de nós mesmos. Aquela mãe poderia ter se estagnado e deixado o crocodilo engolir o seu filho. Mas pelo amor que ela sentia, ela criou uma força que veio de seu interior e enfrentou o bicho de igual para igual. E para tirar forças de dentro de si mesmo? O que é necessário? É necessário paixão. Devemos ter algo que nos faça viver, que nos dê motivos para perpetuarmos a nossa existência: Um filho, um grande amor, o amor pelo conhecimento, o amor pela humanidade o amor por si mesmo, tudo isso pode nos dar apoio e incentivo para derrubarmos o medo, desconstruirmos o mito de nossa existência ( a qual cada um de nós cria para si mesmo) e reconstruir a nossa vida sob bases próprias, sem precisar pegar emprestado do vizinho pilares para nos sustentar. Se não houver amor, entusiasmo e paixão, jamais poderemos seguir adiante. Considere-se dessa forma um cadáver ambulante. Você perecerá com os seus medos. Jamais poderá livrar-se deles. Só se vence a si mesmo quem tem amor próprio, e só se pode amar verdadeiramente alguém ou alguma coisa quando se ama a si mesmo.

Não se deve temer as críticas

Não devemos temer as críticas: devemos ouvi-las, selecioná-las e utilizar o melhor delas para o nosso auto-crescimento. Tememos sempre ser criticados. Uma crítica é sempre um golpe em nosso ego. Mas como preferimos elogios falsos à críticas construtivas! Um elogio falso faz com que nos estagnemos no lugar onde estamos. Uma boa crítica nos faz observar um caminho adiante que poderemos seguir. Mas o homem esclarecido sabe quais julgamentos são válidos e quais são descartáveis. Um homem seguro de si mesmo jamais se afeta com qualquer tipo de opinião, pois ele sabe o seu valor e sabe o que pode selecionar. Ele raciocina, faz seus julgamentos críticos e comprova a validade de qualquer crítica que receba. Obviamente existem críticos que na verdade são pessoas invejosas, venenosas e destrutivas, que julgam com o intuito de desmerecer o outro, fazer com que ele se julgue inferior. Entretanto há um outro tipo de crítico: aquele que tem uma vivência abrangente e sabe aconselhar devidamente, sabe apontar os defeitos do outro para que ele os melhore e se torne uma pessoa cada vez melhor. Lembro-me de minha primeira pós-graduação: uma professora, muito séria e rígida, nos pediu uma resenha crítica sobre um determinado texto. A maioria dos alunos fez um resumo, inclusive eu o fiz também. Lembro-me das críticas acirradas com as quais essa professora nos aferiu. Lembro-me também, que no dia seguinte, metade dos alunos haviam desistido do curso. Encontrei alguns que alegaram que a professora estava errada, que eles estavam certos. Fugiram por covardia, isso é certo. A crítica é uma grande oportunidade para o aperfeiçoamento de si mesmo. No entanto, muitos de nós ainda resistimos fortemente contra os juízos que nos aferrenham. O importante mesmo nessa história é saber separar o joio do trigo: crítica, de acordo com o Dicionário Houaiss de Sinônimos significa: análise, apreciação, avaliação, julgamento e parecer. Mas também significa: censura, condenação, desaprovação e maldizer. Devemos, pois, saber analisar cada uma das críticas que nos é direcionada, tendo em mente as intenções de nossos críticos que podem agir de formas distintas: tanto em função de nos depreciar como com o intuito de nos melhorar.

Esclarecimento

Por que será que algumas pessoas têm medo de seguir as suas próprias opiniões, de serem livres e pensarem por si mesmas? Por que elas deixam que os outros escolham para ela o que é bom e o que é ruim, decidam por elas que roupas usar, que amizades escolher, que profissão ter? Nessas pessoas falta uma coisa essencial: a Maturidade, ou seja, o que Kant definiu como Esclarecimento (Aufklärung): "Eslarecimento é a saída de sua menoridade, da qual se é o próprio culpado. A minoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo." (Immanuel Kant). Todos nós nascemos dotados de senso crítico, de racionalidade e de espírito questionador. Entretanto, essses "sentidos" não se afloram plenamente em certas pessoas que, por preguiça, por covardia ou simplesmente por acomodação, preferem que outros indivíduos direcionem as suas vidas. Claro que é muito mais cômodo seguir um rebanho e ficar no meio de muitos ao invés de procurar a sua própria trilha a seguir. A liberdade consiste principalmente de força interior. É preciso ser forte o bastante para sustentar a própria opinião, pois quem não segue o que é padronizado, sempre ouvirá críticas vorazes e avassaladoras que podem, de certo modo, abalar a estrutura psicológica. Entretanto quando se tem força interior, cada vez que se desafia o padronizado, o pré-estabelecido, maior essa força se torna. E quanto mais força temos, mais nos tornamos auto-confiantes e auto-suficientes. Nos tornamos mais críticos, mais independentes e, por conseguinte, mais inteligentes. Esclarecermo-nos é uma tarefa árdua que requer concentração e controle. É preciso desvincular-se de todos os pilares que o sustentam e começar a caminhar sozinho, com suas próprias pernas. É um caminho árduo, um caminho de muitas perdas. Entretanto, no final ganhamos muito mais do que perdemos: Ganhamos autonomia e liberdade de pensamento! capacidade de julgar por si mesmo as coisas do mundo. Fazer o uso de sua própria razão é uma das conquistas mais importantes para um ser humano. Ter as suas próprias convicções, saber defender aquele que é julgado erroneamente, distiguir por si só o que é bom e o que é mau, é o que define a certeza da maturidade. Infelizmente a grande maioria das pessoas se tornam escravas das convicções de outrém. Agarram-se umas às outras achando que, asssim, serão melhor conduzidas. Não fazem o uso de suas próprias habilidades. Definitivamente, enquanto houver líderes, sejam eles de qualquer tipo, o mundo será sempre desigual.

sábado, 12 de abril de 2008

Sofrer é auto-crescimento.

Quem foi que disse que ser sensível demais, que sofrer demais é algo ruim? O sofrimento é a fonte do conhecimento! Ninguém aprende a caminhar sem antes tomar uns bons tombos! Ninguém aprende a filosofar sem sofrer pelos males da vida e do mundo. Eu sou uma grande amante da sabedoria. Conhecimento sem sofrimento é superficialidade. Sofrer é ir a fundo, é sentir a dor do outro, é sentir a dor do planeta, a dor da existência... é sentir a dor do descaso de alguns seres humanos pelos outros seres humanos. Sofrer é conhecer intimamente, é carregar por dentro de si um peso incomensurável. Sofrer vem da palavra latina sub-fero que significa carregar, levar, trazer, mas o termo fero também pode significar, de acordo com o Dicionário do Latim Essencial (ed. Crisálida) elevar, exaltar, elogiar, celebrar, produzir, dar, render, causar, avançar e guiar. Claro que muito dessas conotações podem ser atribuídas às ideologias de controle, como o Cristianismo, por exemplo. Mas a sabedoria das palavras pode levar-nos muito mais além de todas essas concepções. As grandes filosofias, as filosofias mais profundas e mais condizentes aos seres humanos vieram de pessoas que sofriam extremamente com a miséria humana. Para citar uns poucos: Schopenhauer, Nietzsche, Camus e Freud. Todas essas mentes brilhantes deixaram-nos um legado de sabedoria e conhecimento. Através de suas dores, puderam criar, produzir, causar.... Sofrer faz-nos transcender, ou seja elevarmo-nos acima do âmbito aparentemente real. Sofrer é enxergar além. Sofrer é criar e produzir pensamentos, sentimentos, opiniões, é ver além do aparente. Você conhece alguém que consegue ultrapassar o limite da mediocridade sem ter sofrido? As pessoas que nunca questionaram nada são as pessoas que nunca sofreram. Sempre aceitam tudo o que lhes vem de bom grado. Já as mentes perturbadas, as mentes questionadoras ultrapassam esse limite, por isso sofrem. Não conseguem entender a lógica de tudo isso. Não conseguem entender porque o mundo é assim, e estão sempre a afrontar as opiniões pré-formuladas que lhes é imposta. As pessoas que sofrem são egoístas, mas muito mais egoístas são aquelas que se contentam com o que têm e mal conseguem olhar para o lado, como se usassem um cabresto que as impedisse de observar a miséria em que vivemos e em que condições precárias estamos a caminhar em direção. Já pensei em mudar o mundo, já pensei em revolucionar, entretanto não creio que eu possa mudar muita coisa ao meu redor. O que posso fazer, então, é desabafar comigo mesma, é tentar compreender cada vez mais as origens da desigualdade humana, da ambição, da ganância, do ódio e da injustiça. Cada vez mais me convenço que o ser humano não é um animal racional, e sim uma praga, um vírus ou uma bactéria... um câncer a corroer o planeta até fazê-lo morrer, um parasita. Entender em profundidade algumas coisas me faz sentir melhor e, ao mesmo tempo me faz sofrer. Jamais serei mais um tijolo na parede, apesar de sê-lo, de uma certa forma. Mas sou um tijolo melhor, um tijolo consciente de seu papel na estrutura de uma muralha. sou um tijolo com olhos e boca para enxergar a sujeira e condená-la. Mãos atadas. Não posso enfrentar sozinha os grandes demônios. Mas hei de denunciá-los um a um. Hei de blasfemar contra todo o legado sagrado da humanidade, hei de desmoronar as crenças falsas de bondade, de fraternidade e de solidariedade! Só os românticos, como eu, acreditam nessas farsas! Hei de gritar tão alto, até estourar os tímpanos de algumas pessoas e contaminá-las com o meu sofrimento enriquece-dor!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Acima de toda a carniça

Hoje eu compreendo porque, desde menina, eu sempre fui diferente. Eu nunca tive muitos amigos, sempre passei a maior parte do meu tempo lendo livros e falando sozinha. Eu sempre fui motivo de chacota na escola. Era a esquizitóide, a estranha, a que não gostava de jogar bola, a que não gostava de conversinhas, a que não gostava de companhia. Pois eu não fazia e nunca fiz parte da massa medíocre. Eu sou alguém muito acima da média da grande massa. Como diz Schopenhauer, o destino dos "gênios" sempre é a solidão, pois ninguém consegue elevar-se ao seu nível. Ninguém me compreende, não por eu ser ou me considerar um gênio, mas porque estou muito acima do nível mediano de pensamento. Eu sou crítica, u raciocino, eu tenho opinião, eu não vou pelos embalos da moda, eu não engulo qualquer absurdo que me dizem, eu sempre faço um juízo dos valores que me são expostos. Eu sou diferente porque não sou massa, não sou pensamento de rebanho, e isso é o que me leva à solidão. E a solidão é uma grande dádiva para os espíritos elevados: Ao invés de ficar jogando conversa inútil fora, com pessoas que não têm a mínima ideia do que são, do que representam, pessoas fúteis que pensam que pensam, mas na verdade, elas já foram "pensadas" antes, eu me elevo e faço a minha própria filosofia. Eu leio os meus livros e faço os seus próprios julgamentos. Como sou um ser humano imperfeito, tenho muitos momentos de deslize, de achar que eu é que estou errada por não ser parte da massa, mas não! Eu estou tão acima, mas tão acima que me lembro da frase de Nietzsche: Quanto mais me elevo, menor fico aos olhos de quem não sabe voar.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Cheguei ao cúmulo de pensar que um dia eu poderia me reconciliar com o mundo. Achei que um dia eu perdoaria as pessoas pelo mal que elas me fizeram e as pessoas me perdoariam também. Pensei que um dia poderíamos todos viver em perfeita harmonia, recitando poemas juntos, cantando velhas canções, recuperando o tempo perdido... Mas não! Todos continuam a fugir, pelo medo, pelo orgulho, pelo preconceito... Sim, hei de admitir que eu errei em pensar assim, fui otimista, demasiadamente otimista. Hoje vejo-me novamente só, desiludida e cansada. Morreram em mim todas as espernças. Acho que finalmete serei capaz de amputar o membro doente e necrosado de meu corpo. Ele fará falta para sempre, mas ele jamais há de se recuperar dessa doença maldita! Assim serei apenas uma aleijada infeliz, não mais uma doente em busca do conforto dos amigos. Ficarei só, permanecerei em silêncio.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Purgatório

Muitas religiões descrevem o purgatório como um lugar onde as pessoas vão se afundando, agarrando-se, tetando subir umas nas outras num gesto infinito de desespero pela "sobrevivência". Se observarmos o nosso mundo com atenção, poderemos encontrar muitas semelhanças entre o Purgatório e a Terra. No cotidiano, é banal, chega-se a achar "normal" atitudes de vileza: um subindo nas costas do outro, a lei do mais forte, a lei da selva, para se poder sobreviver. Vivemos apinhados, em atitudes de desespero, sempre em busca de mais e mais e mais. Não nos importamos uns com os outros. Perdemos completamente a noção filosófica e ética de sermos humanos. O trânsito virou uma arena de gladiadores. Vejo feras, leões, tigres enfurecidos, querendo passar uns por cima dos outros. O nosso trabalho tornou-se uma desesperada corrida, na qual devemos, de qualquer maneira eliminar o outro para podermos ter o nosso espaço, entretanto, o nosso espaço está sempre sendo ameaçado. Vivemos em estado de alerta: o tempo todo precisamos olhar para tudo o que está ao nosso redor; precisamos dormir com um olho aberto e outro fechado. Estamos declarando guerra! As famílias se desuniram. Nnguém ajuda mais ninguém. E qual é o nosso destino, afinal? Como em um purgatório, por mais que tentemos vencer a situação em que nos encontramos, mais vamos nos afundando e levando conosco aqueles que estão por cima e por baixo de nós. Tenho a sensação de que, no fundo, nada disso vale a pena. Por isso existem as religiões, os livros de auto-ajuda, a espiritualidade... Um sofrimento deste tamanho, e ainda por cima sem sentido algum? ah, isso só pode ser brincadeira!Lembro-me novamente da célebre frase de Mcbeth: A vida nada mais é do que uma sombra errante, um palco onde o ator grita e se exalta o tempo todo e não pode ser ouvido. É um conto inventado por um grande tolo, conto este que não significa nada.

domingo, 6 de abril de 2008

Nunca quis agradar ninguém

Nunca quis agradar ninguém. Na verdade eu sou um espantalho que vive a assombrar tudo aquilo que me cerca. Nunca menti, nunca fingi ser quem não sou. Se hoje eu perdi o meu emprego, minha família, meus amigos, é porque não quis trair as minhas convicções. Então preferi a solidão. Entre estar entre toda a gente e os meus pensamentos, prefiro a segunda opção. Cansei de tudo e de todos, para falar a verdade, as vozes falantes me irritam. Falam e falam e falam sem sentido algum - vazio. Dói-me a cabeça escutar. Como tudo isso pode ser assim, tão superficial, tão artificial? Eu não sou assim! eu não me permitiria jamais me transformar em um monstro como todos os outros, não sei que raio de alma do outro mundo eu fui nascer. Ou eu sou um abismo infinito ou todos os outros são terra firme. Não sei quem está certo, eu ou eles? Sei apenas que estou só, com frio, com fome, com sede, mas não posso recorrer àqueles que tanto me ignoraram a vida toda! Nunca! Sei que um dia tudo isso há de acabar, sim, finalmente há de acabar. Enquanto o fim não chega, eu me corrôo em meu ódio por aqueles que fazem vilezas no mundo e vivem a sorrir, sem pagar o que merecem pagar. Não existe justiça. Essa palavra é uma grande farsa da humanidade! Eu nunca vi ninguém pagar o que merece e cansei de ver coitados miseráveis pagando pelos erros dos outros. Enquanto os porcos capitalistas enchem seus bolsos e cofres de dinheiro, crianças do outro lado do mundo morrem de fome, de sede de doenças... essa é a grande justiça que há na terra! Veja que beleza! Conviver com isso é intolerável. Sei que as minhas convicções são avassaladoras, as pessoas se espantam com as minhas idéias. Mas eu não sou livre para pensar o que quero, se fosse, provavelmente pensaria como todos, seria, assim, mais feliz.

Tudo está morrendo...

Na beira do precipício, entre a cruz e a espada, vive uma alma amargurada, perdida em sonhos vãos. Lúcida e melancólica, uma alma que caminha lânguida, amolece, cai, levanta, sacode e persiste em caminhar. Caminhando em um deserto sem fim, durante o dia, um sol escaldante, à noite, um frio inebriante. "Desista de caminhar! recolha-te em teu ninho", dizia uma voz. A amargura, a melancolia, a tristeza são os males da alma - a bile negra que não cessa nunca. Entre o estômago e a garganta, um vômito que não sai, uma ânsia que faz o corpo todo contorcer-se. Entre a garganta e a boca, uma palavra que fraqueja e não sai. Entre a minha boca e tua orelha, um mundo eterno e sem fim. O cansaço não abandona o corpo. o suspiro sai do peito apertado, a luz ofusca a visão. estou doente, prestes a morrer. Antes de meu corpo, meus sonhos, minha fé, minha esperança, a minha vida morreram. Tudo está morto. O silêncio persiste. E a alma amargurada, aos poucos, vai se desfazendo, despedaçando-se, até o fim. Como não lamentar a existência e o sofrimento inúteis? Maldita a noite em que fui concebida, maldito o dia em que nasci. A natureza devia estar realmente furiosa ao criar-me no ventre de minha mãe. Da luz ao charco de lama, foi a trajetória que escolhi, pois nunca quis estar entre o povo da mansarda. Escolhi para mim a minha própria miséria, não precisei recorrer à miséria da religião, ou da massa, ou de qualquer outra fonte. E vivo, então, a lamentar-me. Não creio que um passarinho consiga apagar sozinho o incêndio da floresta. Desisti a muito de ser esse passarinho. Recolhi-me e não vôo mais. Estou no meu ninho a contemplar a destruição de tudo aquilo que me cerca, e a desgraçar toda a raça que pesiste em não enxergar o seus erros mais vís.

Dor

Não nasci para ser líder e nem pra ser liderada. Não gosto de estar entre as pessas comuns. Não gosto de estar entre pessoas competitivas. Eu sou uma deslocada. Não há lugar para mim nesse mundo, pois eu não sou massa e nem aristocrata. Sou talvez um cadáver que persiste em viver, ou talvez um cadáver que ainda não está pronto... Tenho me tornado a cada dia mais apática. Não faço questão de nada, não tenho vontade de nada. Não estou nem feliz e nem triste. Sou indiferente. Todos fugiram de mim, alguns por medo, outros por orgulho, outros sem motivo. E continuam fugindo. Tenho escutado tantas promessas falsas! tantas declarações fingidas... mas eu já não me inporto mais. Meu corpo já foi tão açoitado que nem mais sente o chicote! Já fui cricificada mil vezes e sempre ressuscitei (infelizmente!). Provavelmente a minha vida tem passado e passado e eu não a vejo, eu não a acompanho. Mas que importa a maneira como as coisas passam desde que elas passem! Eu já me acostumei a não pensar em nada e em ninguém a não ser as minhas próprias dores, posso enumerá-las uma a uma: dor de ter nascido, dor de existir, dor de ser e de não ser, dor de pensar, dor de conviver em meios absurdos, dor de abrir a boca para falar, dor da vergonha de ter pedido ajuda à pessoa errada, dor de estar só, dor de estar em meio a multidão, dor do menosprezo, da indiferença e da depreciação, dor de ver a condição humana - tanto de um lado do extremo como do outro! como dói existir! Por isso creio cegamente no nada eterno! não tenho coragem de me jogar de uma janela ou de tomar um monte de remédios, ainda não tenho essa coragem. Mas um dia hei de sumir! hei de virar alimento de vermes e depois uma ossada inútil e depois pó. Enquanto isso vou vagando pelas ruas da cidade, vou me arrastando de um lugar a outro somente pensando no repouso eterno!

sábado, 5 de abril de 2008

Deus não existe (...) A salvação de todos consiste agora em provar essa ideia a toda a gente, percebes? Quem é que há-de prová-la? Eu! Não entendo como é que até agora um ateu podia saber que Deus não existe e não se suicidava logo. Reconhecer que Deus não existe e não reconhecer ao mesmo tempo que o próprio se tornou deus é um absurdo, pois de outra maneira suicidar-se-ia inevitavelmente. Se tu o reconheces, és um rei e não te matarás, mas viverás na maior glória. Mas só o primeiro a perceber isso é que deve inevitavelmente matar-se, senão o que é que principiaria e provaria? Sou eu que me vou suicidar para iniciar e para provar. Ainda só sou deus sem querer e sofro porque tenho o DEVER de proclamar a minha própria vontade. Todos são infelizes porque todos têm medo de afirmar a sua vontade. Se o homem até hoje tem sido tão infeliz e tão pobre, é precisamente porque tem tido medo de afirmar o ponto capital da sua vontade, recorrendo a ela às escondidas como um jovem estudante. Eu sou profundamente infeliz porque tenho medo profundamente. O medo é a maldição do homem... Mas hei-de proclamar a minha vontade, tenho o dever de crer que não creio. E serei salvo. Só isto salvará todos os homens e há-de transformá-los fisicamente, na geração seguinte; porque, no seu estado físico actual (reflecti nisso muito tempo), o homem não pode, de modo algum, passar sem o seu velho Deus. Durante três anos procurei o atributo da minha divindade e achei-o: o atributo da minha divindade é a minha vontade, é o livre arbítrio. É com isso que posso manifestar sobre o ponto capital a minha insubmissão e a minha terrível liberdade nova. Porque é terrível! Mato-me para afirmar a minha insubmissão e a minha terrível liberdade nova. Dostoievski - Irmãos Karamazov

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Radicalismo

Minhas idéias assombram as pessoas. Eu tenho consciência do meu radicalismo. um dia desses disse a uma pessoa que eu não acreditava em deus porque se deus é justiça, porque ele crucificou o próprio filho para pagar os pecados de seres imundos? Se deus fosse justo, ele jamais faria um absurdo dessses. Mas se deus fez isso, é bem verdade que ele criou o homem a sua imagem e semelhança, pois o homem é capaz de atrocidades muito piores do que essa. Matar o próprio filho, fazê-lo sofrer sem ter culpa. Mas que diabos de crença é essa? como acreditar numa coisa tão absurda como essa? Se isso é a moral cristã, então tudo que o homem faz na terra é justificável. O que é a corrupção, o assassinato, a chacina, a miséria, a calamidade perto de uma moral vil dessas? Quem aceita como seu deus supremo esse demônio que matou o seu próprio filho ao invés de vir até o mundo e fazer com que todos os nojentos pagassem com suas proprias peles, não pode me impressionar quando faz coisas atrozes. Deus justifica todo e qualquer ato de atrocidade! Se deus é pai, eu sou a primeira a pregá-lo na cruz, sou a primeira a cometer o parricídio!

Fundo do poço

De dentro de um poço escuro não se pode falar de flores, de céu azul ou de amores. Quando se está imerso em um poço escuro e fundo, só se pode pensar no desespero. Ás vezes lutamos para nos livrar dessa situação, mas às vezes nos acostumamos tanto a ela que nem sequer pensamos em mudar.
Uma mão qualquer me empurrou e eu caí impetuosamente. Tentei fugir, pulei, gritei, chorei, desisti. Ninguém poderia me ajudar e eu sozinha não tinha forças para sair. Acostumei-me. Hoje eu vivo entre corpos e destroços, em meio ao caos, o qual não tenho como mudar. Não posso tentar mudar o que já está feito. Não posso mudar a imundície do planeta todo, não posso mudar as mentes corruptas e impiedosas de todas aquelas pessoas que me cercam. Lá no fundo do posso eu reflito sobre a minha condição. Dera-me ser apenas um mediocre qualquer. Alguém sem sentimentos tão abismais, com uma mente tão ativa quanto a minha. Dera-me acostumar com a lama e pensar que se nada em águas límpidas. Dera-me sentir o fedor nojento das pessoas e sentir o cheiro de Polo Sport. Dera-me olhar para todos esses cadávres ambulantes e vê-los como belos corpos, cheios de carne e vida. Dera-me contemplar as atitudes humanas e ao invés de enxergar as maiores vilezas, ver as mais belas ações de compaixão e misericórdia.
Hoje sei, tenho certeza de que tudo isso não passa de uma grande ilusão, uma grande comédia para quem pensa que vive e uma grande tragédia para quem vive e tem consciencia do que vê. Quis ser guerreira e acabei derrotada. Quis ser amiga e acabei sozinha. Quis ser feliz e acabei no desespero. E como ão mais se lastimar? qual seria a fórmula ilagrosa? o Prozac não funciona, a mente rejeita qualquer tipo de esperança. Desespero e desesperança, os únicos companheiros que tenho.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

À Espera

Quanta contradição! quanta lástima, quanta miséria. Misericórdia é estar de acordo com a miséria humana, com a desgraça, com o absurdo da vida. Morrer! eis o grande triunfo! eis o único destino, inexorável e certo! morrer e apagar as chamas do malefício interno! apagar o diabo e o próprio inferno! Morrer e conduzir-se ao pó e às cinzas, ao nada absoluto.Minha alma é lânguida e inerme.. Como uma flor que murcha, perstes a ser decomposta por um verme. A carniça prestes a devorar um corpo. O abutre esperando a sua refeição. O caixão feito sob medida para o defunto! Eis a grande metafísica do mundo. O grande mistério é jazer no fundo da cova fria. E o resto? Não, Deus não existe! A morte é a morte eterna e Deus será a mentira eterna a conduzir a vida dos homens... E as serpentes da terra, sempre a envenenr os corações dos homens, plantando a maldição e a discordia no fundo de cada um.
Como não voltar os olhos lacrimejantes para o céu em clamores e blasfêmias? Como suportar a mão impiedosa de um destino tão vil? Eu espero a morte com a menina apaixonada espera à janela o seu primeiro amor. A Morte virá me beijar um dia. Para ela eu dedico toda a minha devoção. Minha alma não é nada senão uma luz ofuscada, um lampião prestes a se apagar, Ou uma louça gasta prestes a se ruir em pedaços.

Silêncio!

Quero o silêncio, pois o silêncio me atormenta! Em silêncio posso ouvir a minha voz interna. Posso ouvir os gritos de angústia e medo que me causam tanta ânsia. O silêncio me atormeta! Em silêncio, penso na morte, no nada, na minha vida se esvaindo, evaporando-se. Só me falta a coragem e o desapego para me entregar de corpo e alma ao silêncio eterno... coragem e desapego...

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A solidão pode nos transformar em um animal ou em um deus

Não adinta, não tenho como negar: sou depressiva, sou melancólica e sou pessimista. A fluoxetina me ajuda a manter as funções vitas. Sem ela, tenho certeza de que hoje de mim só restaria uma lápide com o meu nome em um cemitério quaquer (embora eu definitivamente queira ser cremada). Tenho dentro de mim muitas coisas boas e sei disso como ninguém. Eu nunca fiz mal a ninguém, nunca invejei os outros, nunca fiz intrigas sujas... Mas sofro sofro e sofro de uma doença terrível. Uma núvem negra se apodera de minha cabeça e acaba encobrindo o que tenho no coração: ternura, fraternidade, amor, respeito pelo próximo. Não sou apenas essa maravilha que demonstro também. Tenho sentimentos muitas vezes paradoxais: amo e odeio, sou humanista mas desacredito na humanidade, sou comunista mas não acredito que o comunismo seja eficiente, às vezes sou inteligete e às vezes ajo como uma idiota... enfim, os meus sentimentos oscilam a cada segundo da mnha vida. Não acretido em deus. Acho que nunca acreditei nele, pois como haveria de crer num monstro desses, que põe seus filhos para pagar os pecados do mundo. Jesus Cristo é uma grande metáfora disso: porque um filho deve pagar pelo erro de todos os demais? onde está a justiça? Se Deus crucificou seu filho, ele é injusto sim, não queiram me contrariar. Essa é a minha opinião. Eu me cansei da filosofia, ela encheu a minha cabeça de coisas inúteis num mundo individualista e utilitarista como o que vivemos. Eu não tinha noção de que eu nunca deveria ter estudado tanto a literatura, a poesia, a arte e a filosofia... estou agora às margens desse mundo capitalista. Não obstante, sinto-me orgulhosa de ser diferente, de pensar e agir diferente e de saber que eu não pertenço à massa nojenta que vive apenas de prazeres imediatos, vulgaridades, futilidades, superficialidades. Tenho EGO - eu pertenço a mim mesma. Eu leio e cada vez me sinto mais distante dos seres humanos. Alguém um dia escreveu que a solidão pode nos transformar em um animal ou em um deus. Não sei em qual das duas categorias eu me incluiria, pois ser um animal é não ter a maldade inata do ser humano e ser um deus (não um Deus), quer dizer estar acima de todo o estrume. Acho que sou na verdade um pouc0o de cada um.