quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O guarda-roupas

Confesso que foi estranho olhar para aquela pilha de roupas encostada na parede como se fosse um corpo, inerte e sem vida. mas a sensação que mais atormentava era de ter que organizar aquilo. Não eram os anos que perdi, nem os momentos de extrema tristeza e dor que me afligiam. Era apenas adequar aquela pilha no armário que tinha herdado de minha querida avó. E por falar em amor, sim, aquilo era amor mesmo, pena que eu era muito nova para saber, mas era amor sim. Ela se foi e me deixou sua humilde casa e um guarda-roupas que me preocupava cada vez mais, pois não teria como fugir da árdua tarefa de encontrar lugar para cada peça daquela pilha.

Eu vi gente olhando estranho, será que eles estavam triste por mim? Por eu ter de arrumar tudo aquilo que tirava do carro? Não, eu acho que minha cabeça inventa coisas, na verdade ninguém nem olhou em minha direção, embora a rua estivesse cheia e fosse um domingo de sol. Por que olhariam pra mim? para quê

resolvi sentar um pouco na cama antes de qualquer coisa. Cada pedacinho de tecido ali no chão conta uma história. De festas que frequentei, de trabalho árduo e suor, de ficar em casa sem fazer nada, de subir no muro da casa de minha mãe... cada pedacinho, um pedacinho do passado. Enfim, malas prontas, quero dizer desprontas, armário feito. Achei no bolso de uma calça um bilhete antigo de uma pessoa que precisava desabafar, ela escreveu assim: residência 555 55 55 celular 666 66 66. Eu nunca liguei. E acho que hoje faria o mesmo. Não gosto de conversar pelo telefone. E por mais que eu argumente, sempre tenho a sensação de que falo ao vento, sabe...

Enfim, passaram-se 6 meses. E estou feliz de poder estar dividindo meu quarto com o guarda-roupas de minha avó amontoado de coisas minhas. Acho que os guarda-roupas servem para isso, para não vermos os pedacinhos de tecidos do nosso passado. Idéia genial de quem os inventou!

Sozinha


Sim, o que sempre almejei para minha vida era a solidão. Hoje estou quase, quase que completamente só. Estou morando na casa de minha falecida avó, mas na parte de baixo da casa vive a minha mãe e meu crime (filho) vem me visitar e dorme comigo com uma certa frequência, não muita porque estou em uma fase tão ruim, ou sei lá se isso é fase ou sou eu mesma, que o coitado não aguenta passar muito tempo comigo... Enfim, sou assim e felizmente ele tem muita gente que gosta dele. e que se foda essa falsa moral de que mãe é tudo, mãe é isso. Eu nunca o abandonei, pelo contrário, estou aqui para ele quando ele bem entender, só que não sou uma mãe convencional. Um dia ele vai me odiar por isso, ele ainda é inocente. Eu finalmente consegui um pedacinho microscópico de liberdade, embora a tempestade tente sempre me empurrar para lugares que não quero ir, tento me segurar, me apoiar e me firmar sozinha. Esse sempre foi meu verdadeiro ideal, conviver comigo mesma. E o mais engraçado de tudo, eu me sinto tão bem com a minha companhia que qualquer outro ser humano me tiraria esse prazer indescritível que é estar comigo mesma. Sou realmente de outro planeta...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Cículos sociais



Definitivamente aboli os círculos sociais. Não suporto mais fingir ser quem não sou, sorrir quando por dentro estou sangrando, e ainda por cima levar nome quando viro as costas. Uma coisa interessante, as pessoas tem mania de achar que todo mundo tem inveja delas. Putz, eu só tenho inveja de um cadáver que ganhou a liberdade completa e eterna! Não quero nem saber se fulano comprou um carro, se está com o nome no SPC, se ganhou na loteria... o que isso muda na minha dor? Não sei porque as pessoas tanto falam umas das outras, levantando "falso testemunho", julgando, acusando e desferindo todo tipo de intriga possível. Estou cansada, eu não pertenço.

E o mais grave é que as línguas difamatórias tem um poder de persuasão tão grande que inventam coisas horripilantes sobre os outros e os idiotas acreditam sem ao menos QUESTIONAR! Se há uma coisa boa em mim, um dom ou talento nato é que sou uma pessoa extremamente crítica e jamais aceito meias verdades.

A diversão do pobre de espírito é criar intrigas. A luta pela conquista do espirito rico e combater suas próprias intrigas internas. Uma coisa que observei também: para mediar a baixeza do espírito humano, basta prestar atenção às coisas que lhe fazem rir - se riem da desgraça alheia, esses são os piores seres humanos que existem na face da terra, e por isso o mundo é esse circo pitoresco e grotesco de onde tento fugir a qualquer custo. nada vale a pena, apenas meu ócio.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Tempestade

Uma reviravolta extremamente difícil em minha vida nos últimos 6 meses. Perdi quase tudo que tinha, estou beirando virar um Tyler Durden, se é que já não virei sem saber. Envelheci uns 50 anos, fiquei mais burra do que antes, mais vazia, mais inerte. Se pensei um dia ter chegado ao fundo do poço, enganei-me. O poço não tem fim, cada dia um pouco mais fundo. Nem sei por que diabos ainda insisto em escrever nesse blog. Mesmo porque minha cabeça não é minha cabeça, estou completamente dopada, de remédios e de angústias.

Choro todos os dias, mas tem dia que choro sem derrubar uma única lágrima, choro por dentro. E durmo na esperança de não mais acordar; é como se minha vida agora fosse meu sono e meu despertar fosse um pesadelo horrível do qual só consigo escapar dormindo novamente. Quero que minha vida passe logo, já que sou uma fraca que não consegue morrer e morre de medo de viver. Qual saída tenho a não ser dormir?

Desempregada novamente. tentei sim me inserir novamente nessa bosta de sociedade e creia ou não, nunca cheguei nem mesmo a ser entrevistada porque reprovo nos testes psicológicos!!! Minha personalidade não bate com o que as companhias estão procurando. o que eles querem, robôs? Reprovei em uma outra tentativa por causa da minha letra, logicamente minha letra é horrível, grotesca, tipicamente a letra do tipo "nervoso" como me classificaram. Não tenho perfil: eis a frase que ouvi ecoar incessantemente durante um período em que ainda tinha esperança de retornar ao mundo cotidiano.

Aulas? Desisti. Não acredito na educação e não vou me prostituir mais do jeito como fui prostituída nas salas de aula, nos corredores da escola, nos olhares malditos dos pais modernos. Vender um trabalho que não acredito para mim é pior que prostituição. Então o que me resta?